O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira 21 que o Brasil tem dedicado tempo excessivo à polarização política. Em discurso em Ouro Preto (MG), ele fez críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e destacou positivamente o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), apontado como possível adversário do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no campo da direita na disputa pelo Palácio do Planalto.
A declaração ocorreu durante a participação de Tarcísio, nesta terça-feira, da cerimônia de entrega do Grande Colar do Mérito da Inconfidência, em Ouro Preto — principal honraria concedida pelo governo mineiro. Criada em 1952 pelo então governador e futuro presidente Juscelino Kubitschek, a medalha reconhece personalidades e instituições que contribuíram para o desenvolvimento de Minas Gerais e do país. Nesta edição, foram homenageadas 171 pessoas.

Em discurso previamente preparado, o governador paulista fez uma avaliação crítica do cenário político nacional. “Talvez o processo de substituição da classe política no Brasil esteja sendo lento demais. Talvez isso contribua para uma perda gradual da qualidade da representação. Talvez estejamos gastando energia demais com uma polarização que não leva a lugar algum. Talvez haja uma mediatização excessiva da vida nacional, enquanto quem está na liderança parece cada vez menos conectado aos anseios reais da população”, afirmou.
Ao comentar a atuação de lideranças em Minas Gerais, Tarcísio fez referências elogiosas a Romeu Zema e ao atual governador do estado, Mateus Simões (PSD), que é pré-candidato à reeleição. “Vejo esse esforço de renovação sendo realizado em Minas nas últimas gestões. Vejo isso no trabalho do ex-governador Zema e agora no do governador Mateus Simões. Ambos têm se dedicado a resgatar princípios como responsabilidade fiscal, liberdade econômica e respeito a quem produz”, declarou.
O crescimento do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas estimulou articulações dentro do PL para que Zema aceite compor como vice em uma eventual chapa. O ex-governador mineiro, entretanto, tem resistido à ideia e reafirmado a interlocutores que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência “até o fim”.
Antes das declarações de Tarcísio, Zema também fez elogios ao governador paulista, em um movimento de reciprocidade durante o evento. “A chegada dele ao governo de São Paulo representou uma mudança estrutural, com foco em resultados, entregas e moderação”, afirmou.
Durante a cerimônia, tanto Tarcísio — que chegou a ser cogitado como nome da direita para disputar o Planalto antes da consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro — quanto Zema ressaltaram mutuamente suas capacidades administrativas e posturas moderadas. Nos respectivos estados, ambos conseguiram formar bases legislativas compostas majoritariamente por partidos de direita e de centro-direita.