O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que a prática de caixa dois pode ser enquadrada tanto como crime eleitoral quanto como ato de improbidade administrativa, permitindo a responsabilização do infrator nas esferas eleitoral e administrativa. A decisão foi consolidada no plenário virtual da Corte com o voto do ministro Nunes Marques, último a se manifestar no julgamento.
Nunes Marques acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes. A tese também foi seguida pelos ministros Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, André Mendonça, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

O caixa dois é caracterizado pela omissão de valores arrecadados ou gastos em campanhas eleitorais que não são declarados à Justiça Eleitoral. A conduta pode configurar crime eleitoral, conforme o artigo 350 do Código Eleitoral.
No voto, Alexandre de Moraes destacou que as esferas eleitoral e administrativa são autônomas. Segundo o ministro, enquanto o Direito Eleitoral busca garantir a lisura e a legitimidade do processo eleitoral, a Lei de Improbidade Administrativa tem como objetivo proteger a moralidade administrativa e o patrimônio público.
O relator afirmou que é possível a dupla responsabilização pelo mesmo fato, desde que observada a independência das instâncias, permitindo sanções distintas nas áreas penal, civil e político-administrativa.
A análise ocorre no âmbito do Tema 1260 da repercussão geral, que irá fixar uma tese com efeito vinculante para processos semelhantes em tramitação em todo o país.
O que muda na prática com a decisão do STF
- Dupla responsabilização: A prática de caixa dois poderá gerar punições simultâneas na Justiça Eleitoral e na Justiça comum, por meio da Lei de Improbidade Administrativa.
- Crime eleitoral confirmado: O STF reforçou que a omissão de receitas ou despesas de campanha pode configurar crime eleitoral, conforme o artigo 350 do Código Eleitoral.
- Sanções administrativas: Além de penas eleitorais, o infrator poderá responder por improbidade administrativa, com aplicação de sanções como multa, perda de direitos políticos e ressarcimento ao erário, conforme o caso.
- Autonomia das instâncias: A decisão reconhece que as esferas eleitoral e administrativa são independentes, permitindo punições distintas pelo mesmo fato.
- Efeito vinculante: A tese firmada terá aplicação obrigatória em processos semelhantes em todo o país, reduzindo divergências judiciais sobre o tema.
- Impacto em campanhas futuras: A interpretação do STF tende a endurecer o combate ao financiamento irregular de campanhas eleitorais.