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Música
Som de Quebrada: Cafuzo da Baixada lança clipe para celebrar vivência e ancestralidade
Rapper natalense acaba de lançar um clipe que retrata a vivência da comunidade onde mora, na Zona Oeste de Natal. Ele acredita na força da música de resistência para transformar realidades
Nathallya Macedo
06/11/2020 | 06:00

Nas favelas ou nos prédios, ele está em casa. O rapper Cafuzo da Baixada tem uma carreira sólida construída em cima de diálogos. Há quase 10 anos, o artista natalense promove debates acerca dos problemas sociais vivenciados dentro das periferias com um discurso firme e politizado. Ao mesmo tempo, também costuma enaltecer a juventude e a cultura preta em rimas coesas, além de rememorar a ancestralidade do povo negro.   

Cafuzo da Baixada é o nome artístico de José Kleber, de 30 anos. Ele iniciou a carreira com a ajuda de um movimento chamado “Reggae na Calçada”, que reunia jovens da Zona Oeste de Natal todos os domingos para cantar e ouvir música. Foi nessa época que Cafuzo teve contato com produtores culturais e bandas como a Rastafeeling – grupo de raggamuffin bastante reconhecido no meio artístico potiguar. 

O músico foi o fundador da banda Dega e participou, ao longo dos anos, de diversos eventos locais e em outros estados nordestinos. Interessado pela arte como uma forma autêntica de expressão, ele começou a compor as próprias letras e lançou, em 2013, o primeiro EP como rapper solo. Intitulado “Mista Cafu”, o trabalho teve cinco músicas que retratavam o cotidiano nas periferias através de relatos pessoais.  

Na última terça-feira 3, Cafuzo lançou o clipe de “Som de Quebrada”. As gravações para o vídeo foram feitas na comunidade onde mora o artista, conhecida como Baixa do Cão, localizada no bairro Cidade Nova. “Percebi que me encontrava muito envolvido com pessoas de classe média, universitários e afins, e estava esquecendo do meu bairro. Por isso, me inspirei nos moradores, vizinhos e amigos para criar esse projeto. E todos participaram por vontade de prestigiar e homenagear o nosso lugar no mundo”, contou, em entrevista ao Agora RN.   

A letra autoral de “Som de Quebrada” provoca reflexões sobre o racismo sofrido dentro de uma sociedade ainda tão desigual, como no trecho: “minha cor da pele remete ao caixão, mas minha favela é alegria, cultura e arte”. Para Cafuzo, a música tem um poder ensurdecedor de resistência. “Tento fazer um rap de denúncia contra a opressão. Mesmo falando sobre assuntos pesados, gosto também de celebrar a nossa identidade e sintonia como irmãos pretos e mostrar que, apesar de tudo, somos felizes”. 

Som de quebrada: cafuzo da baixada lança clipe para celebrar vivência e ancestralidade
Moradores da comunidade participaram do clipe de “Som de Quebrada”. Foto: Emanuismo

Usando referências sonoras do funk e afrobeat, Cafuzo segue planejando o próximo EP ao lado do produtor Walter Nazário. “Walter é talentoso demais e já participou do álbum de artistas incríveis daqui, como Potyguara Bardo e Bex. Acredito que temos um cenário musical rico e criativo, mas infelizmente ainda temos poucos espaços – principalmente para quem vem da periferia”, afirmou. No pós-pandemia, o rapper planeja levar os recortes locais para o resto do Brasil por meio de narrativas genuínas e legítimas.  

Lado a lado  

Atualmente estudante de produção cultural no IFRN, Cafuzo acredita que a educação e a arte juntas podem transformar realidades, tendo em vista que a violência (tanto policial quanto criminosa) é constante nas comunidades. “Precisamos ocupar os espaços que são nossos por direito. A arte é um processo educativo e, pensando por essa perspectiva, temos um fator importante de mudança em nossas mãos”.    

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