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Audiovisual
Sincronia perfeita
Curta-metragem “Planta Carne” trata de redescobertas ancoradas na tríade natureza, corpo e arte. Filme é o único do RN selecionado para o prêmio “Curta em Casa”, da plataforma de streaming “Cardume”
Felipe Salustino
30/07/2020 | 23:53

Arte, natureza, corpo e uma sincronia perfeita. Em preto e branco e de forma puramente intimista, o curta-metragem “Planta Carne” carrega na própria gênese as reflexões da cineasta Julia Donati, que percorre caminhos sobre redescobertas, ancoradas em sua relação com a natureza e na maneira como o corpo se estabelece junto a ela. O filme é o único do Rio Grande do Norte a ser selecionado para o prêmio “Curta em Casa”, da plataforma “Cardume”.

A película surgiu da necessidade de documentar os momentos de introspecção durante o isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus. “A ideia era registrar os dias num compilado de várias imagens. Mas, ao longo do isolamento, fui tendo uma aproximação muito forte com algumas formas de arte. Então, decidi documentar essas redescobertas e esse entendimento sobre o meu corpo e o artístico em relação ao universo e às coisas que me rodeiam. E acabou se tornando um vídeo bastante experimental e íntimo”, conta Julia, que é designer gráfica, tatuadora e ilustradora.

“Só que, apesar disso, eu gostei de mostrar, porque minha arte é pública. Foi bastante interessante a relação com o espectador. É um universo tão íntimo e ao mesmo tempo tão grande que eu gosto que as pessoas façam parte”, acrescenta ela, ao revelar como o vídeo se transformou em um curta com duração de aproximadamente três minutos.

Julia, que atualmente cursa especialização em Produção de Documentários na UFRN, fez o filme inteiro sozinha. Isso significa dizer que, além de atuar, ela escreveu o texto, gravou as imagens, editou e finalizou o curta. A casa onde a cineasta vive, em Parnamirim, na região Metropolitana de Natal, serviu de cenário para as filmagens. Multifacetada, Julia reverbera todas as expressões artísticas que habita em si, aspecto importante para a concepção de “Planta Carne”.

“Todas as formas de arte que eu crio convergem de alguma forma. Quando falo sobre mim trago muito da minha experiência enquanto artista que cria coisas no papel e que usa tinta. Isso com certeza teve a ver com a proposta do filme”, afirma.

Luz, câmera, ação

O curta levou uma semana para ficar pronto – da gravação à finalização. Com poucos recursos, Julia explica que os elementos naturais foram indispensáveis para compor a locação. “Usei a luz do sol que entra pela janela do meu quarto, a árvore do quintal, as plantas no vaso. Pude utilizar abertura de câmera pensando no contraste entre luz, sombra e formas, tanto do meu corpo, como da minha mão desenhando no papel. Foi muito legal e divertido ver como dá para brincar com isso quando você tem um tom limitado de cores”.

Para conferir movimento e convidar o espectador à interiorização, ela usou preto e branco em vez de imagens coloridas. “Em termos de poética combinou bastante. As cores te dão vários lugares para olhar e prestar atenção. O preto e branco leva a questões mais intrínsecas, que são mais sólidas – e, ao mesmo tempo, orgânicas – quando você coloca as coisas em movimento”, descreve a cineasta.

“Planta Carne” está entre os filmes selecionados para o prêmio “Curta em Casa”, da plataforma de streaming “Cardume”. Após passar por um primeiro processo de seleção, que envolveu duas curadorias, o filme concorre agora em júri popular. Para votar, basta acessar o site da plataforma “Cardume Curtas”. Após fazer a assinatura do streaming (custa R$ 5) é preciso ir até o filme predileto e curtir (no botão, na parte inferior).

A votação segue até o dia 13 de agosto. Os três filmes mais votados receberão prêmios em dinheiro e os autores serão convidados para uma sessão com debate ao vivo promovido pela Cardume.

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