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Cultura
Septo: representatividade lésbica no audiovisual potiguar
Alice Carvalho, protagonista e roteirista, fala sobre a carreira como atriz e narra o surgimento da primeira websérie potiguar
Ana Lourdes Bal
29/06/2020 | 06:00

“Septo surgiu de uma circunstância”, conta Alice Carvalho, artista, de 24 anos. Ela é roteirista e atua como a personagem principal de websérie Septo, Jéssica. Ela queria experimentar mais a linguagem cinematográfica, mas, após várias respostas negativas para testes em TV, ela se encontrava frustrada. “Isso muito se dava por causa do meu sotaque e da minha aparência. Eu não passava num crivo de padrão e eu só consegui enxergar isso hoje”, explica. Ela decidiu transformar sua frustração em um solo fértil para contar sua própria história.

A carreira de Alice Carvalho se deu pelo desejo dela ser atriz e ela diz que tudo foi acontecendo de uma forma muito natural. “Eu era uma criança muito hiperativa, dava muito trabalho, era muito danada. Então, desde pequena, eu meio que fui me aproximando do teatro com um viés terapêutico”, relata. Na sua trajetória, as coisas foram acontecendo: o primeiro espetáculo, o primeiro trabalho audiovisual e depois a faculdade de Artes Visuais. “As coisas foram acontecendo de uma maneira muito natural, não consigo nem dissociar o começo de quando eu já era. Mas acho que o primeiro impulso veio dessa minha infância muito inquieta assim”.

Em 2016, Alice vinha de um término de relacionamento, ela via que aquele universo romantizado estava ruindo, então, ela decidiu escrever sobre isso. É aí que surge a história principal da narrativa de Septo: a relação de Jéssica e Lua. Na época, a artista decidiu procurar Pipa Dantas, que foi a diretora geral do projeto e atualmente, integra o coletivo de cinema Caboré Audiovisual. “Ela super comprou a coisa, por ela também ser LGBT e conseguimos desenvolver o que inicialmente seria um curta-metragem. E virou uma websérie”, narra ela.

“A série fala de uma vida artificial programada, que a personagem principal está querendo fugir. Ela é uma triatleta que vive muito condicionado a sua rotina de treinos, mas que em um belo momento, ela decide dar uma guinada na vida e entende que ser uma atleta não é mais o que ela quer fazer, quando ela se vê de cara para o abismo do câncer”, define Alice.

Alice atuou na série Segunda Chamada, exibida na Rede Globo em 2019, podendo apresentar seu trabalho para todo o Brasil. A artista diz que Septo foi um cartão de entrada, tanto para ela quanto para os profissionais que participaram da realização do projeto, tendo impacto tanto pessoal quanto profissional nas suas vidas. Ela conta que nunca havia saído do país e fez sua primeira viagem, para a Argentina, com o seu trabalho e dos seus amigos.

“Acho que para o audiovisual potiguar também houve impacto, de uma certa maneira e sem querer ser presunçosa, mas pelo fato de ter sido precursora em alguns segmentos, Septo pode abrir portas para que outros projetos de uma natureza muito parecida pudessem surgir. Tanto nas universidades, como outros realizadores, no interior, na capital. Talvez na própria cena. Eu me sinto orgulhosa, porque terminou ajudando muito do que virá”, conta.

Ela diz que é um tanto presunçoso falar que representou outras pessoas, mas pela diversidade trazida para a tela, é bastante natural que as pessoas se sintam representadas, afinal, Septo foi a primeira websérie do estado potiguar e foi a primeira websérie lésbica do Nordeste. Em 2016, no Brasil, não haviam tantas quanto existem hoje. “Tanto para quem é LGBT, como para o público nordestino, para quem aprecia o audiovisual potiguar, foi algo que trouxe uma certa representatividade”, diz.

De uma forma geral, ainda existe uma falta de representatividade e de uma representação positiva em relação à comunidade LGBT. Segundo Alice, quanto mais obras estiverem sendo produzidas para desconstruir paradigmas, tabus e opiniões preconceituosas, melhor. Através da arte, é possível mudar o pensamento do outro, não só sobre ele, mas sobre o outro também.

“Dentro da nossa própria comunidade, existem diferentes formas de contar a mesma história, ou diferentes formas de abordagem do mesmo tema, sabe? Das nossas agruras, dos nossos tabus. Se alguém faz uma série com uma representação positiva, a pessoa vai se sentir bem com aquilo. O audiovisual é muito importante, é uma ferramenta de transformação da sociedade”, afirma.

Para assistir todos os episódios da websérie, acesse a playlist do canal do YouTube do Brasileirissimos.

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