BUSCAR
BUSCAR
Entrevista
Senador Jean Paul Prates: “Estão antecipando 2022 indevidamente”
Candidato natural à reeleição, Jean Paul Prates acredita que a governadora Fátima Bezerra deve ser reeleita pelo trabalho que tem feito e não acha absurda aliança, no RN, entre MDB, PSDB e PT
Redação
25/05/2021 | 08:14

O senador Jean Paul Prates (PT), candidato natural do PT à reeleição, avalia que estão antecipando o debate sobre a sucessão de 2022 “indevidamente”. “Enquanto isso, nós estamos concentrados no trabalho imediato de combate à pandemia e em garantir que os investimentos no Estado continuem a gerar empregos e circulação de renda”, afirma, nessa entrevista ao Agora RN.

“Quem só está preocupado com a política deve se lembrar daquele ditado que diz que ‘a política é igual nuvem que muda de forma a todo instante’. Portanto, seria mais sensato se resguardar quanto a essas manifestações”, afirmou Jean Paul, criticando recente declaração do presidente da Federação dos Municípios, que afirmou que “o RN está órfão no Senado”, antes de defender a candidatura do ministro Rogério Marinho ao cargo.

Segundo Prates, o gestor da entidade teceu crítica generalizada “depois de receber orientações ministeriais”. “Isso afeta a legitimidade e a neutralidade que essa importante entidade deveria manter. Muita coisa ainda vai acontecer até a virada do ano”, completou.

Sobre o ministro Rogério Marinho, Prates afirmou que “seria bom para o povo do Rio Grande do Norte que alguém que, até agora fez muito pouco pelo estado, pudesse transformar promessas em realidade”. O senador petista disse ainda não ser absurda a ideia de aliança de partidos como MDB e PSDB aqui no Estado com o PT, reproduzindo aliança costurada nacionalmente por lideranças dessas legendas. “Por que não? Em política, alianças são fundamentais”, observa.

Sobre estes e outros assuntos, como CPI da Covid, gestões Jair Bolsonaro, Fátima Bezerra e Álvaro Dias, confira a entrevista que Jean Paul Prates concedeu ao jornal Agora RN.

Agora RN – Qual balanço que faz da CPI da COVID até o momento?

Jean Paul Prates – A CPI está apenas começando. Mesmo assim é impressionante a quantidade de maluquices deste governo que já foram expostas. Essa gestão é descoordenada, irresponsável, e o que me assusta mais é a possibilidade de ser criminosa. Ao assumir a imunidade de rebanho e defender o uso de medicamentos contra todas as evidências científicas, Bolsonaro e seus ministros, bem como seus aliados em todo o país, expõem milhões de pessoas ao risco de morte. Isso ainda vai render ações demoradas na justiça brasileira e nos tribunais internacionais. Mas a CPI tem um papel fundamental na mudança imediata dessas práticas, ainda em tempo de salvar vidas.

Agora RN – A CPI está blindando os governadores e prefeitos?

JPP – Sempre dizem de uma CPI que se sabe como ela começa mas não se sabe como termina, e isso é real. Não há condições de se blindar ninguém num processo como esse. A CPI é um organismo vivo. Ninguém controla. No entanto, ela tem limites e eles são estabelecidos pela Constituição e pelo regimento interno do Senado. Os senadores podem só investigar o governo federal e a destinação de suas verbas, caso haja uma suspeita forte de uso irregular. A CPI tem que ter um objeto definido de investigação. Não pode cobrir tudo em 27 estados e mais de 5700 cidades. Se abrir demais, e é essa a tentativa da ala bolsonarista, ela não consegue investigar nada.

Agora RN – Mas não está muito focada em Bolsonaro? Está havendo caça às bruxas?

JPP – Tem que estar focada em Bolsonaro. Ele é o presidente que negou a letalidade do virus, despreza os protocolos básicos, impinge medicamentos ineficazes com base numa falsa dicotomia entre protocolos x economia, e finalmente negligencia e cria fantasmas na hora de comprar e promover a vacinação. O que mais precisa? Não se trata de caçar bruxas, mas de identificar os responsáveis pelo caos que o país apresenta no combate à pandemia onde o coronavirus matou cinco vezes mais do que a média mundial: 450 mil mortes não são algo normal.

Agora RN – Aqui no Estado, aventa-se CPI. Toda investigação é saudável? O senhor é favorável?

JPP – Toda a investigação é saudável, exceto aquela que se sobrepõe aos órgãos que já estão trabalhando e/ou que não tem objeto determinado e fica procurando “pelo em ovo”, só para suscitar querelas políticas ou eleitoreiras.

Agora RN – O que diferencia Fátima de Bolsonaro no trato da pandemia?

JPP – A consciência e a ciência guiam a gestão de Fátima, ao contrário de Bolsonaro. É evidente a diferença de abordagens quanto ao que fazer diante de uma virose global que chega à sua jurisdição. Além disso, há uma diferença de poderes: o governo federal tem o condão de emitir títulos da dívida, gerar moeda, controlar taxas de juros, câmbio e tributos, além de controlar o orçamento federal. O Estado, não. No entanto, é o governo estadual quem tem o encargo da principal linha de frente: o atendimento às pessoas nos hospitais de média e alta complexidade, a parte mais cara e exposta do combate à pandemia.

Agora RN – E em relação a Álvaro, que diferencia ele de Fátima?

JPP – Em primeiro lugar, Álvaro disputou a reeleição em pleno interregno entre o primeiro e o segundo surto. Em meio a esse processo, abraçou uma estratégia eleitoreira com a defesa de medicamentos de ineficácia comprovada e, ao fazer isso, causou uma falsa sensação de segurança sanitária que contribuiu para um desastroso pico de mortalidade meses depois. Ressalvada a atuação esforçada das equipes das unidades de saúde municipais, até a sua insistência em se contrapor a decretos de calamidade sanitária, a meu ver, não foi favorável – nem à população nem à economia – mostrando que essa dicotomia é falsa.

“Fátima deve ser reeleita pelo bom trabalho, pela gestão diligente”

Agora RN – O presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB, Ezequiel Ferreira, tem se colocado como aliado de Fátima. Mas, nessa semana, anunciou apoio a Rogério Marinho. Como analisa esse quadro?
JPP – Esse é um jogo de equilíbrio instável, que todos reconhecem: o fato é que o partido do deputado Ezequiel, no RN, se posiciona majoritariamente contra Fátima. Em algum momento, terão todos que tomar uma decisão mais clara. Mas eu acho que tem muita gente antecipando 2022 indevidamente. Enquanto isso, nós estamos concentrados no trabalho imediato de combate à pandemia e em garantir que os investimentos no Estado continuem a gerar empregos e circulação de renda. Isso se refletiu no ranking de projeção do PIB dos estados para 2021, onde o RN está em 3º lugar nacional. Quem só está preocupado com a política deve se lembrar daquele ditado que diz que “a política é igual nuvem que muda de forma a todo instante”. Portanto, seria mais sensato se resguardar quanto a essas manifestações. Isso vale também para gestores municipais, que dependem de uma boa relação com os atuais mandatos. Quando o presidente da Federação dos Municipios declara que “o RN está órfão no Senado” depois de receber orientações ministeriais, isso afeta a legitimidade e a neutralidade que essa importante entidade deveria manter. Muita coisa ainda vai acontecer até a virada do ano.

Agora RN – Por falar em Rogério, ele está sendo “acusado” de ter aumentado investimentos do governo federal no RN. Como vê isso?

JPP – Se fosse só isso, não seria tão grave. É dever de um político, quando alçado a um cargo nacional importante, tentar trazer recursos para o seu Estado. Muitos tiveram essa chance no passado e não conseguiram concretizar suas promessas. Torço sinceramente para que estes “investimentos” realmente se transformem em realidade. Seria bom para o povo do Rio Grande do Norte que alguém que, até agora fez muito pouco pelo estado, pudesse transformar promessas em realidade. O problema é que esse governo parece viver numa realidade paralela. Eles dizem uma coisa nas redes sociais e fazem outra no mundo real. Vamos aguardar. Tenho a certeza de que o povo do Rio Grande do Norte vai saber distinguir muito bem quem trabalhou por ele lá na frente. A gente já conhece bem essa estratégia e o eleitor não cai mais nessa.

Agora RN – O senhor disse que será candidato a reeleição. PT terá chapa puro sangue?

JPP – Estou no posto, trabalho muito e obviamente gostaria de ser reconduzido. Tenho a certeza de que já pude mostrar ao povo do Rio Grande do Norte os resultados do meu trabalho. Com Wilma, fizemos uma revolução no setor de energia, gerando empregos e desenvolvendo o estado. No Senado, temos apoiado a gestão de Fátima e dos municípios com ações bem planejadas e estruturantes, para permitir o crescimento da economia e o bem estar da população do RN.

Agora RN – Acha que o PT poderá aliar-se a partidos como PMDB e até mesmo PSDB em 2022? O senhor defende essa aliança?

JPP – Por que não? Em política, alianças são fundamentais. O PT tem trabalhado bem isso e faz alianças com legendas que estão dispostas a trabalhar ao lado de seus princípios programáticos. Na política moderna, conciliação e convergência são o que constrói. Divergências podem co-existir lado a lado, e até gerar novas idéias e projetos de interesse comum.

Agora RN – Lula e FHC trocaram afagos. Que acha dessa aproximação?

JPP – É absolutamente natural uma conversa dessas entre Lula e FHC, dois ex-presidentes com visão global e nacional conciliáveis. São conversas que demonstram como a sociedade brasileira deverá se comportar num futuro governo do PT, por exemplo. Ou como o PT também deve acolher visões e projetos de outros partidos. É hora de cessar o ódio, o radicalismo e a intransigência. Foram estes exageros que nos levaram até onde estamos.

Agora RN – O que acha da reeleição de Fátima?

JPP – Absolutamente normal, e mesmo necessária. Fátima pegou um governo abaixo da estaca zero, com descrédito, dívidas, estagnação e quatro folhas atrasadas. Quando começou a aprumar as contas e a economia, pegou a pandemia pela proa. Deve ser reeleita pelo bom trabalho de recuperação sócio-econômica que está fazendo, pela gestão diligente com que conduziu o combate à pandemia e porque os potiguares reconhecem que ela está do lado deles, com evidente empatia e comprovado sentimento público.

Agora RN – Que balanço faz do seu mandato?

JPP – O melhor balanço será o do eleitor em 2022. Tenho a certeza de que o povo do Rio Grande do Norte vai ter a maturidade para reconhecer que, apesar de estar na oposição ao governo federal, conseguimos elevar o nome do Rio Grande do Norte no cenário nacional, atuando em importantes debates e legislações para o País. Além disso, conseguimos assegurar recursos e empreendimentos para o Estado que vão muito além das emendas impositivas. Sempre trabalhamos com elas para alavancar mais recursos. Cada real das nossas emendas tem que alavancar dois, cinco ou dez vezes mais pelo seu caráter estruturante. Trabalhamos mais de 18 horas por dia incansavelmente, aproveitando cada dia e cada hora deste mandato para criar, executar e consolidar realizações concretas para o nosso Estado. Todos os dias informamos ações concretas nas nossas redes sociais, com foco no desenvolvimento social e econômico sustentável. Isso nos credenciará a renovar o nosso mandato para trabalhar ainda mais, oxalá com Fátima reeleita, Lula de volta e todos governando a favor de quem mais precisa da ação governamental, no RN e no Brasil.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.