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Educação
Sem aulas presenciais, estudantes da rede de ensino estadual relatam dificuldades na preparação para o Enem
Estudantes de escolas públicas no Rio Grande do Norte temem que dificuldades na preparação para o Enem possam prejudicá-los na busca por uma vaga no ensino superior
Redação
29/09/2020 | 05:07

Os alunos do 3º ano do ensino médio encaram um período importante da vida com o fim do ciclo escolar. A maioria dos estudantes segue uma rotina preparatória intensa para a realização do Enem, exame que é a porta de entrada para universidades de todo o país. Em uma situação de normalidade, a etapa já é dificultosa. Em tempos de pandemia, o cenário ficou pior. Sem aulas presenciais, os estudantes de escolas públicas no Rio Grande do Norte temem que dificuldades na preparação para o Enem possam prejudicá-los na busca por uma vaga no ensino superior. 

Por causa da Covid-19, as provas da edição 2020 do exame foram adiadas para os dias 17 e 24 de janeiro de 2021 (versão impressa); e 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021 (versão digital). Além de escrever uma redação, os candidatos terão que responder 45 questões de cada área de conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e matemática e suas tecnologias. 

Com o calendário acadêmico suspenso para aulas presenciais, de acordo com a Secretaria de Estado da Educação, da Cultura e do Lazer (SEEC-RN), cerca de 90% das unidades de ensino da rede estadual estão realizando algum tipo de atividade televisiva, radiofônica, online e com material impresso. A maior preocupação da pasta é com o grupo de alunos que ainda não foi alcançado por estas atividades. A secretaria afirmou que trabalha para integrá-los na rotina de estudos não presencial. 

Esse é o caso de Maria Rita Pinheiro. A jovem de 18 anos é aluna da Escola Estadual Adão Marcelo da Rocha, que fica em Taipu, município distante cerca de 55 quilômetros de Natal. À reportagem, ela relatou que só teve seis encontros virtuais com professores nos últimos meses. “Nem chegamos a ter aulas presenciais esse ano, a pandemia chegou primeiro”. Maria acredita que será prejudicada no Enem. “Quero cursar direito, mas acho que não tenho chances de passar”. Mesmo estudando em casa, a jovem encontra obstáculos para tirar dúvidas sobre assuntos recorrentes do Enem. “A escola ainda está decidindo se haverá prova avaliativa. Não quero repetir de ano, mas é bem provável que isso aconteça”, afirmou.  

A situação é um pouco melhor para Quezia Silva, 17. Ela estuda no Centro Estadual de Educação Profissional Senador Jessé Pinto Feire (Cenep), na Zona Leste da capital potiguar, e está assistindo aulas – reduzidas e à distância – desde julho. “Creio que as atividades estão suprindo as nossas necessidades. Porém, o contato direto com os professores faz falta. O processo de aprendizado fica mais fácil quando estamos na sala de aula, focados e concentrados”. Quezia considera injusto o retorno das escolas privadas. “Por mais que falte pouco tempo de aula até o Enem, vai fazer muita diferença para os alunos porque, provavelmente, eles terão muitas revisões e simulados”, apontou. A SEEC afirmou que, em breve, serão iniciados aulões preparatórios em TV aberta com a participação de professores da rede estadual. 

Questionada sobre a disparidade entre as redes pública e privada, a pasta reconheceu que o problema é histórico. Mas que, observando os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), a melhora na educação do país é motivada pelo crescimento da aprendizagem na rede pública. Na estadual, por exemplo, o mais recente índice foi de 3,2, um avanço de 0,34 pontos em relação ao ano de 2017. A variação entre 2017 e 2019 foi quase 4 vezes maior que a ocorrida no período anterior, segundo a secretaria.  

Com o início da aplicação das medidas de isolamento social em março, as escolas do Rio Grande do Norte suspenderam as atividades presenciais ainda esperando que a quarentena durasse pouco tempo. Essa é uma das principais justificativas apontadas por representantes de colégios privados em relação à demora para começar as aulas virtuais do ensino remoto. “Quando percebemos que ficaríamos muito tempo em casa, tivemos que organizar um cronograma e isso demorou um pouco”, relembrou Olavo Vitorino, professor de uma escola particular de Natal.  

Ao Agora RN, o estudante Guilherme Praxedes, de 17 anos, contou que as aulas virtuais se tornaram frequentes em meados de abril. O jovem é aluno do CDF Colégio e Curso, escola particular localizada na Zona Norte de Natal, e deseja ser aprovado em jornalismo na UFRN. “Tento acompanhar os conteúdos, mas manter a autodisciplina é difícil com as distrações em casa”, avaliou. Segundo ele, a instituição planeja o retorno das atividades presenciais para o próximo dia 5. 

Outras escolas já retomaram as aulas na capital potiguar após a autorização do prefeito Álvaro Dias (PSDB). Assim, o “novo normal” para o ensino presencial foi iniciado em 14 de setembro. Antes disso, o sindicato que representa as instituições apresentou um protocolo próprio de segurança sanitária. No início de setembro, pais e professores realizaram um protesto para pedir o retorno. Em seguida, a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares foi aprovada pelo comitê científico municipal sob argumentos de indicadores positivos avaliados através de estudos técnicos.

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