As chuvas que têm caído em Natal preocupam vários moradores da Zona Norte há alguns dias. No loteamento Parque Floresta, localizado no bairro Pajuçara, a maioria das ruas não é pavimentada e, por isso, as vias ficam alagadas quando chove com frequência.
Chove na capital potiguar desde o começo do ano. Mas, ao longo de março, as precipitações foram bastante intensas, causando estragos em certas localidades. No dia 5 do mês passado, a cidade recebeu um volume pluviométrico de 255 milímetros em apenas seis horas. Em seguida, a Prefeitura do Natal reuniu o gabinete de crise e decretou situação de emergência nas áreas afetadas pela água por um prazo de 180 dias.

João Batista, de 37 anos, mora na rua Santa Catarina de Sena há quase duas décadas ao lado da esposa e de seus quatro filhos pequenos. Ele contou ao Agora RN que a rua de areia sempre alaga quando chove, já que não possui drenagem, e que a água fica acumulada por semanas. “Com esse lamaçal, fizemos a calçada mais alta porque, já que da última vez que choveu, alagou tudo”.
Segundo ele, os vizinhos buscaram respostas junto à gestão municipal. “O pessoal já foi atrás e questionou, mas a prefeitura nunca vem olhar. Lá, consta que as ruas são calçadas”, contou, ao demonstrar preocupação com a saúde dos filhos. “Aqui tem rato, sapo e muitos outros insetos, sempre tem o perigo de alguém adoecer”.
Dalvanira Calixto, de 56 anos, é vizinha de João e reside há 16 anos na rua. Nesse período, a casa da família já ficou alagada quatro vezes. “Em maio de 2020, a Defesa Civil interditou a minha casa e tive que pagar aluguel do meu bolso, passei uns dois meses em Nova Natal. Fui em busca da Semtas [Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social], mas nada foi resolvido. Tive que aumentar a calçada para voltar a morar aqui”, disse Dalvanira.
A irmã dela, Dione Calixto, mora em uma residência próxima e também sofre com o barro e a poeira. “Recebemos cobrança de IPTU [Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana] como todo natalense, mas nossa realidade não é saudável, muito menos digna. É injusto”, reclamou ela, que ficou praticamente ilhada dentro de casa nesta quarta-feira 6.
Em todo o loteamento Parque Floresta, poucas ruas são pavimentadas: é o caso da Norte Brasil. Porém, mesmo com asfalto ela também fica alagada em um trecho após alguns minutos de chuva, impedindo a passagem de automóveis. “Meu sonho é que a prefeitura calce as ruas para melhorar a nossa qualidade de vida”, continuou Dalvanira.
O sonho, no entanto, deve demorar a ser realizado. Isso porque a Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semov) não possui planejamento de pavimentação do loteamento. Conforme informou a pasta, o projeto depende de verbas federais “para uma futura parceria”. O setor de Conservação da Semov irá ao local até a próxima segunda-feira 11 para uma ação paliativa de limpeza das ruas afetadas com uso de máquinas.
Na Zona Norte, a gestão municipal executa o saneamento integrado no Cidade Praia, Nordelândia, Boa Esperança, Parque Industrial, Bom Jesus, Câmara Cascudo e Lagoa Azul. Os serviços de drenagem e pavimentação de 334 ruas, que estão na reta final de execução, contam com cerca de R$ 110 milhões em investimentos e são realizados através de uma parceria entre a Prefeitura e o Governo Federal.