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Estudo
Seis dicas científicas para o cérebro lidar melhor com o estresse da Covid-19
Circuitos cerebrais são como seções de uma orquestra. Entre as influências mais prejudiciais sobre esses circuitos está o estresse crônico, em que partes do cérebro que o ajudam com problemas de curto prazo (um tigre faminto) são aplicadas a problemas com períodos de tempo mais longos (uma pandemia global)
Redação/ Estadão
09/09/2020 | 13:47

Um estudo feito no Centro de Stanford desenvolveu técnicas para lidar com o estresse gerado pela pandemia da Covid-19. A doença tocou cada um de nós de alguma forma. Muitos agora reconhecem que cuidar de nossa saúde mental é tão essencial quanto lidar com o vírus, se quisermos emergir mais fortes, mais conectados e mais resilientes. As informações são do Estadão.

Os gregos antigos diziam “conheça a si mesmo” para viver profundamente, mas só agora temos a tecnologia para começar a entender como nossas experiências individuais surgem da complexidade de nossos cérebros. Compreender nossas respostas cerebrais oferece uma janela de como surgem os sintomas de saúde mental e nos permite atenuar os efeitos negativos da pandemia na saúde mental.

No Centro de Stanford para Saúde e Bem-Estar Mental de Precisão (PMHW), foram desenvolvidas técnicas de ponta para entender como os circuitos cerebrais nos tornam quem somos – e o que acontece quando eles dão errado.

Os circuitos cerebrais são como seções de uma orquestra; eles são compostos de muitas células cerebrais individuais e desempenham diversas funções por conta própria, mas devem operar em conjunto para criar uma mente harmoniosa. Uma miríade de fatores influencia a maneira como esses circuitos operam, para melhor ou para pior. Entre as influências mais prejudiciais sobre esses circuitos está o estresse crônico, em que partes do cérebro que o ajudam com problemas de curto prazo (um tigre faminto) são aplicadas a problemas com períodos de tempo mais longos (uma pandemia global).

O estresse crônico em seus circuitos pode ser o primeiro passo para a depressão clínica ou um transtorno de ansiedade. Quantificamos as maneiras como diferentes circuitos cerebrais podem ser interrompidos ou travados (o que chamamos de “biótipos”). Se você se reconhece em um biótipo, isso não indica necessariamente um diagnóstico de depressão clínica. Mas pode ser um passo para aprender como seu cérebro funciona.

Aqui estão seis biótipos baseados no trabalho do PMHW, com dicas para lidar com seus impactos. Estes são informados por nossa compreensão dos circuitos cerebrais e não o resultado de estudos sistemáticos por direito próprio.

Seis biotipos e dicas para lidar com seu impacto:

  1. Polarização negativa

Uma tendência de insistir nos aspectos negativos de sua experiência associados à superativação do circuito de afeto negativo do cérebro que, quando funcionando de maneira ideal, nos ajuda a detectar riscos e avaliar emoções negativas, mas não gera preconceitos negativos.

Dicas:

Faça um esforço consciente para buscar boas notícias. Depois de ler estatísticas sombrias, reserve um momento para relembrar uma memória positiva.

  1. Resposta à ameaça

Reações automáticas que são ativadas quando o circuito de afeto negativo do cérebro é colocado em “modo de alarme” por situações de ameaça (reais ou percebidas, imediatas ou lembradas, físicas e sociais) e que são difíceis de desligar quando a sensação de ameaça persiste.

Dicas:

Evite estímulos que estão sendo ativados, como fontes de mídia alarmantes. Com o tempo, aumente gradualmente a exposição aos estímulos necessários.

Concentre-se em rotinas normais para criar estabilidade.

  1. Entorpecimento emocional / anedonia

Incapaz de sentir prazer em atividades que geralmente lhe trazem alegria, associadas à ativação reduzida nos circuitos de afeto positivo do cérebro que anteriormente respondiam a eventos, atividades e memórias gratificantes.

Dicas:

Use fontes de estimulação para envolver a rede de recompensas do cérebro – encontrando cheiros agradáveis ​​para a casa, tocando sua música favorita e cercando-se de imagens positivas.

  1. Desatenção

Dificuldade em se concentrar e permanecer focado associada a interrupções na conectividade do circuito de atenção do cérebro.

Dicas:

Divida suas tarefas e decida o que deseja alcançar naquela hora ou dia. Anotá-la. Expanda a lista apenas quando a tarefa for concluída.

  1. Ruminação

Tendência geral de se preocupar e “ruminar” sobre os pensamentos negativos de sua voz interior. Estudos PMHW e outros sugerem que isso surge quando o circuito de modo padrão do cérebro está em overdrive, tornando difícil uma autorreflexão mais calma.

Dicas:

Se você se sentir oprimido por notícias, limite-se a um único resumo de notícias confiável.

Agende um “tempo de preocupação”, criando um senso de controle e limitando o impacto nas atividades importantes para a saúde mental, incluindo sono, discussão significativa e exercícios.

  1. Névoa cognitiva

O cérebro pode parecer nebuloso, refletindo a ativação reduzida no circuito de controle cognitivo (o “executivo” do cérebro).

Dicas:

Faça períodos de descanso para que a plasticidade do cérebro se recupere.

Esteja ciente de que, com as mudanças rápidas que estamos experimentando, nosso cérebro está passando por um aprendizado acelerado. Nossos cérebros ficam cansados, assim como nossos corpos ficariam se corrêssemos uma maratona sem treinamento.

FONTE:

Artigo original de língua inglesa escrito por:

Leanne Williams, Professora de Psiquiatria e Ciências do Comportamento, Universidade de Stanford e Cameron Fox, Especialista de Projetos, “Shaping the Future of Health and Healthcare”, Fórum Econômico Mundial

*Com informações do Estadão

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