O vereador Leo Souza (Republicanos) não se incomoda com as críticas. Em entrevista à TV Agora RN nesta quarta-feira 5, ele afirmou que responde com trabalho e que, se quisesse evitar ataques, teria permanecido na televisão, onde construiu uma carreira de sucesso como apresentador.
“Se eu quisesse a unanimidade, eu teria ficado na televisão, onde eu trilhei por 10 anos e, acredito, de forma exitosa. Quando eu vim para a vida pública, sabia que não dava para ser uma unanimidade. E está tudo bem. As críticas fazem parte”, declarou Leo, no programa Central Agora RN. A íntegra está disponível no YouTube.

O parlamentar costuma ser criticado por opositores pelo engajamento em temas estaduais e até nacionais – o que, em tese, fugiria à sua competência. Para ele, o mais importante é manter a relevância do mandato. “Preocupado eu estaria se meu mandato fosse irrelevante. Isso é uma preocupação. Isso é uma coisa que eu me cobrava muito. ‘Meu Deus, que o nosso trabalho não seja irrelevante’. Não é. A gente tem legislado para resolver problemas”, afirmou.
O vereador, que está em seu 1º mandato na Câmara Municipal de Natal, também destacou a importância do diálogo com diferentes setores políticos. “A gente consegue diálogo com quem pensa diferente. A gente consegue olhar e chegar onde a política pública não alcança. E está tudo bem. A crítica faz parte. A divergência faz parte.”
“Que bom que o olhar de muita gente, de quem pensa igual, de quem pensa diferente, está sobre o nosso mandato”, concluiu.
Permanência no Republicanos e futuro político
Durante a entrevista, Leo Souza comentou as especulações sobre seu futuro partidário e as eleições de 2026, evitando falar sobre possível candidatura. “Eu estou muito focado no mandato. A gente não tem visitado base ou ido para o interior nesse sentido político-eleitoral. A gente está muito focado na agenda que a gente colocou, programou, e é uma agenda difícil”, afirmou.
Perguntado sobre filiação partidária, o vereador disse que pretende seguir no Republicanos, legenda pelo qual foi eleita em 2024, com 5.435 votos, e que qualquer mudança deverá ser dialogada com a sigla.
“Eu sou um vereador que recebi um alto investimento do meu partido político. A política é partidária, não é individual e avulso. Hoje não tem como você fazer candidatura avulsa. Eu hoje respondo ao meu partido. O meu partido investiu na minha campanha para que eu fosse vereador hoje, para que pegasse um menino comum e colocasse em uma cadeira legislativa. Devo ouvi-los ainda”, disse.
Apesar disso, sinalizando pretensões para 2026, Leo afirmou que até agora o Republicanos não indicou se terá nominata de candidatos para deputado federal ou estadual. Ele diz que aguarda uma definição. Vale ressaltar que ele só poderá mudar de partido se houver aval da direção do Republicanos – a janela partidária de 2026 só valerá para deputados estaduais e federais.
“Fiz consulta ao Republicanos nacionalmente de como fica aqui no Estado. Pairou muita dúvida sobre isso, e provavelmente aqui no Rio Grande do Norte vai ser um retrato do que já acontece com os partidos nacionais. São partidos com vários grupos presentes nele. Eu ainda não vi, por exemplo, o Republicanos formar frente para montar a nominata nem de estadual e nem de federal”, observou.
Voto pela cassação de Brisa Bracchi
O vereador também falou sobre o processo de cassação da vereadora Brisa Bracchi (PT), em tramitação na Câmara Municipal de Natal, e afirmou já ter definido seu posicionamento. Ele disse que vai votar pela cassação da petista – que é acusada de usar emenda parlamentar para financiar ato político-partidário disfarçado de ato cultural.
Leo relatou que firmou seu posicionamento após comparações feitas entre ações de seu mandato e as da parlamentar. Ele explicou que mantém projetos sociais financiados sem recursos públicos e que não aceita que sejam confundidos com o uso irregular de emendas parlamentares. Ele lembrou que, por ser vereador de primeiro mandato, só terá emendas executadas a partir de 2026.
“Eu já tenho um lado social muito antes da política, e na política eu resolvi separar o joio do trigo, porque lá atrás foram me acusar de trocar ação social por voto. Diziam que minhas ONGs faziam uso político. E quem está dentro dos projetos sociais às vezes nem sabe que eu sou voluntário daqueles trabalhos”, contou.
“Muitos vereadores, durante esse percurso todo, tiveram suas emendas questionadas e colocadas no mesmo saco, como se todo mundo fizesse a mesma coisa. E eu disse: ‘cara, eu nem tenho emenda e as pessoas estão querendo me colocar no mesmo saco?’ Não, eu preciso me posicionar com relação a isso, para mostrar que a gente é diferente”, declarou o vereador do Republicanos.
Ele também criticou Brisa pela falta de diálogo. “Lamento muito que a vereadora primeiro foi olhar para fora da votação do que olhar para dentro. Se eu estivesse no lugar de Brisa, se eu tivesse cometido esse equívoco, eu primeiro teria conversado com meus pares para depois ir conversar da forma como foi feito. A discussão começou na imprensa, querendo colocar todos os variadores dentro do mesmo pacote”, declarou.
Transporte público e licitação aguardada
Outro tema de destaque na entrevista foi o impasse em torno da licitação do transporte público de Natal. Léo Souza cobrou a publicação imediata do edital por parte da Prefeitura do Natal. “Já foram tantos prazos. Era junho, depois outubro, agora estamos em novembro. A previsão pessimista é que no dia 20 deste mês ele já seja publicado. Eu estou aqui na expectativa e na torcida que isso seja o quanto antes”, afirmou.
Ele explicou que o edital está sendo finalizado pela Procuradoria-Geral do Município e que os vereadores ainda não tiveram acesso à minuta. “Tudo que nós sabemos foi falado verbalmente. A gente não tem nada documentado ainda”, disse. Léo defendeu que o processo contemple critérios que privilegiem a modernização da frota, mas sem inviabilizar a competição. “A minuta do edital não pode exigir carro novo, porque senão ela teria que pagar por isso. Mas que coloque uma pontuação maior para a empresa que se comprometer com o maior número de veículos novos”, sugeriu.
O vereador também defendeu a adoção de fontes de receita extratarifária, como exploração de publicidade e estacionamento rotativo. “Hoje o sistema público por si só não se paga. Nós colapsamos como Estado. A gente arrecada muito e gasta muito. E com o transporte, diferente de todas as áreas, a gente não tem verba pública. Só existe transporte de qualidade se ele for subsidiado, isso é fato”, argumentou.
Modernização da gestão pública
Outro tema abordado foi o novo empréstimo de R$ 100 milhões solicitado pela Prefeitura para modernizar os serviços públicos e, entre outras ações, criar o Centro Integrado de Operações Urbanas (Ciou). Léo elogiou a iniciativa. “Se a gente for olhar hoje, em João Pessoa você consegue passar um processo de licenciamento em 72 horas. Em Fortaleza, você licencia em segurança. E aqui em Natal, a gente sofre com a burocracia. A gente precisa modernizar”, disse.
Ele destacou que a transformação digital pode aumentar a arrecadação e eficiência do município. “Esse empréstimo agora de modernizar Natal vai permitir que Natal arrecade mais. E isso tem que ser uma preocupação da gente. A gente arrecada mais não é extraindo de quem já está aqui, não. É trazendo dinheiro novo”, explicou.
Leo também se mostrou otimista com o avanço das negociações para o novo parque urbano que a Prefeitura quer criar na Avenida Engenheiro Roberto Freire, na Zona Sul. “Agora teve esse estalo de sobriedade das duas partes. A gente precisa construir juntos”, declarou, citando a recente reunião entre representantes da Prefeitura e do Idema (órgão estadual de meio ambiente) para discutir o tema.