O ministro Luís Felipe Salomão foi eleito, por unanimidade, o próximo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e enfatizou a necessidade de “união” entre os integrantes da Corte. A escolha ocorreu em um momento delicado para o tribunal, marcado por investigações e deliberações relevantes.
A eleição foi realizada no mesmo dia em que o STJ analisaria a acusação de importunação sexual atribuída ao ministro Marco Buzzi e em meio à expectativa sobre os desdobramentos de um inquérito que apura a suposta venda de sentenças envolvendo ex-servidores da instituição.

Durante seu pronunciamento, Salomão solicitou o apoio dos colegas para enfrentar os desafios da nova função e destacou o compromisso de corresponder à confiança depositada em sua eleição. O ministro também ressaltou a importância da coesão institucional e fez referência aos servidores do tribunal ao mencionar a necessidade de um “tribunal unido”.
A ênfase na unidade também esteve presente nos discursos do atual presidente da Corte, Herman Benjamin, e do próximo vice-presidente, Mauro Campbell Marques, igualmente eleito na mesma sessão. Ao proclamar o resultado, Benjamin afirmou que a votação unânime reflete a “união” do tribunal, além de reconhecer o “mérito” do sucessor e a solidez da instituição.
Campbell, por sua vez, destacou a “unidade institucional” do STJ. Ao assumir a vice-presidência, no segundo semestre, deixará o cargo de corregedor-nacional de Justiça. Em seu discurso, mencionou as “mazelas” enfrentadas durante sua gestão no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas ressaltou que a magistratura brasileira é “digna, honrada e proba”, afirmando que intervenções disciplinares foram necessárias apenas em “raríssimos casos”.
Além do episódio envolvendo Marco Buzzi, alvo de inquérito aberto nesta terça-feira pelo ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), Salomão terá de lidar com o desfecho da investigação sobre um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais. O caso envolve lobistas, advogados, empresários e ex-servidores de gabinetes de ministros do STJ, sem que integrantes da Corte sejam investigados.
Na mesma sessão, o tribunal elegeu o ministro Benedito Gonçalves como o próximo corregedor-nacional de Justiça, indicação que ainda dependerá de sabatina no Senado. Ao comentar a nova atribuição, ele classificou a missão como “espinhosa” e afirmou contar com o apoio de “todo o Judiciário”.
Natural de Salvador (BA), Salomão formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao longo da carreira, atuou como promotor do Ministério Público de São Paulo, juiz da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e desembargador do Tribunal de Justiça fluminense. Em junho de 2008, passou a integrar o STJ por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.