Enquanto blocos, festas e viagens marcam o período de Carnaval em diversas cidades do País, inclusive na capital potiguar, uma parcela de cristãos evangélicos escolhe outro tipo de programação: o recolhimento espiritual. É nesse contexto que ocorreu o retiro Herdeiros da Cruz, em Macaíba, na Grande Natal, encontro voltado à oração, ensino bíblico e comunhão entre fiéis de diferentes igrejas.
O coordenador do evento, Miqueias Abnadabe, afirma que a iniciativa surgiu do desejo de promover um encontro voltado ao fortalecimento espiritual e à unidade entre cristãos. “O Herdeiros da Cruz nasceu do desejo sincero de reunir a Igreja de Cristo para algo mais profundo do que um encontro comum. Surgiu como um movimento de intercessão, fortalecimento espiritual e promoção da unidade do povo de Deus de maneira intencional e intensa”.

Segundo ele, o nome do retiro expressa a proposta central do encontro. “O nome ‘Herdeiros da Cruz’ carrega uma mensagem central: à sombra da cruz, somos iguais. Não há distinções, não há hierarquias espirituais, não há divisões. Somos um só povo, redimido pelo mesmo sangue, chamados a viver a mesma fé e a mesma esperança”.
Carnaval como período de encontro religioso
De acordo com Miqueias, a escolha do feriado de Carnaval tem relação com a disponibilidade do público e também com o simbolismo do período. “O Carnaval, no Brasil, é um dos maiores feriados do calendário. Naturalmente, é um período em que muitas pessoas estão disponíveis. Isso, por si só, já favorece a reunião de irmãos de diferentes cidades e igrejas”.

Ele afirma que o retiro propõe uma escolha diferente da celebração tradicional. “Enquanto culturalmente se celebra a ‘festa da carne’, o Herdeiros da Cruz propõe um caminho diferente: fortalecer o espírito. Não se trata de oposição agressiva ao que acontece fora, mas de uma escolha consciente”.
O retiro foi criado em 2017 e já soma oito edições, com pausa entre 2021 e 2023 devido à pandemia. “Em 2024, retornamos com ainda mais consciência do nosso propósito. A cada edição, vemos crescimento não apenas numérico, mas espiritual. Vidas têm sido restauradas, chamados ministeriais despertados e laços entre igrejas fortalecidos”, disse.
Proposta e dinâmica do encontro
O coordenador explica que o evento é estruturado em torno de práticas religiosas. “Não há programações lúdicas, gincanas ou atividades recreativas como elemento central. Toda a estrutura do evento é construída em torno da Palavra, da oração, da adoração e da comunhão”.
Segundo ele, a proposta é criar um ambiente de aprofundamento da fé. “Não buscamos entretenimento religioso, mas transformação. O objetivo é criar um ambiente propício para que as pessoas se aproximem de Deus de forma sincera e profunda”.
A edição deste ano teve como tema “Irrepreensíveis”. Para Abnadabe, a mensagem central foi a relação entre fé e comportamento. “O principal resultado foi o entendimento de que a fé precisa produzir caráter. Não basta professar; é necessário viver de forma íntegra, correta e coerente com o evangelho”.
Ele afirma que o encontro buscou estimular reflexão e mudança de postura. “Percebemos uma geração sendo desafiada a confessar, corrigir e caminhar. A compreender que irrepreensibilidade não significa perfeição sem falhas, mas uma vida de arrependimento, responsabilidade e maturidade espiritual”.