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Eleições 2020
“Prefeito Álvaro Dias faz política de coronel em Natal”, diz Hugo Manso
Ex-vereador e liderança do PT em Natal critica gestão do atual prefeito da capital potiguar e diz que nome do PT para a disputa, o senador Jean Paul Prates, tem chances de vitória porque cenário eleitoral de 2020 é distinto das últimas eleições, quando partido enfrentou Wilma de Faria ou Carlos Eduardo Alves. Segundo ele, sigla está unida
Redação
04/08/2020 | 22:02

Ex-vereador em Natal, o engenheiro e professor do IFRN Hugo Manso (PT) avalia que a eleição para prefeito da capital do Rio Grande do Norte terá várias candidaturas, mas apenas quatro deverão ser mais robustas, sendo elas a do atual prefeito Álvaro Dias (PSDB), a do deputado estadual Hermano Morais (PSB), a do deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade) e a do senador Jean Paul Prates (PT).

Sobre o atual prefeito, Hugo Manso afirma que o gestor faz “política de coronel, em que não cabe dois numa sala”, referindo-se aos supostos desentendimentos recentes entre Álvaro e o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, seu criador em Natal, em torno da indicação do candidato a vice na chapa de Álvaro Dias à reeleição.

“Álvaro deve tudo a Carlos e não consegue se entender? É devido à política de coronel que ele faz em Natal, em que não cabe dois na sala”, diz Hugo, avaliando a postura do prefeito de Natal frente à suposta tentativa do antecessor de emplacar Aíla Ramalho, prima de sua mulher, como vice de Álvaro. “Como um cara que ganha a prefeitura de presente, como Álvaro ganhou, não tem habilidade para manter um diálogo? É porque ele é coronel, não aceita diálogo, quer impor”, afirma o ex-vereador.

Hugo Manso disse que o senador Jean Paul Prates foi escolhido para ser o candidato do PT a prefeito com o apoio da governadora Fátima Bezerra, da deputada federal Natália Bonavides, dos deputados estaduais do partido, de vereadores, ex-deputados, ex-vereadores do PT e demais lideranças petistas. “Jean Paul foi uma grata surpresa. Ele teve um comportamento correto, primeiro como suplente de Fátima no Senado, depois como senador. Ele não conhecia bem a nossa militância, mas, ao assumir o mandato, aproximou-se das bases do nosso partido e, em função disso, é o nosso candidato a prefeito”, avalia Hugo.

Segundo o ex-vereador Hugo Manso, as pretensões eleitorais do PT em Natal, quando, por diversas vezes, o partido disputou sem êxito a prefeitura, sempre esbarraram nas lideranças da ex-governadora Wilma de Faria (já falecida) e de Carlos Eduardo – ambos governaram juntos a capital por sete mandatos, derrotando tanto a atual governadora Fátima Bezerra quanto o secretário estadual Fernando Mineiro em campanhas sucessivas. No entanto, com Álvaro Dias, a história é outra.

“Enfrentamos sempre dona Wilma e Carlos Eduardo, dois políticos muito fortes em Natal, com raízes muito consolidadas, e fomos derrotados nas ultimas sete eleições seguidas, ora para Wilma, ora para Carlos”, lembrou. Para Hugo, no entanto, Álvaro Dias destoa de Wilma e de Carlos, lideranças natalenses incontestes, pelo fato de sua tradição política ser do Seridó, mais precisamente em Caicó.

“Wilma teve hegemonia política muito forte em Natal, transferiu isso para Carlos e soube administrar bem a liderança. Já Álvaro é outra coisa: entrou de gaiato no navio. Álvaro não é um político de Natal. Ele viveu em Natal, estudou em Natal, mas não é político de Natal, é do interior, de Caicó”, disse Hugo.

Ainda segundo o ex-vereador Hugo Manso, em que pese estar no comando da máquina administrativa, o prefeito Álvaro Dias (PSDB) não é um candidato imbatível nessas eleições. E cita como exemplo a derrota do prefeito na eleição passada, quando não conseguiu eleger o filho, Adjuto Dias, na eleição para a Assembleia Legislativa. Adjuto teve 7,9 mil votos em Natal, menos que os 9,1 mil da candidata de Hugo Manso, a deputada estadual eleita Isolda Dantas (PT).

“Álvaro é um adversário forte, tem a máquina, mas não é imbatível. Nosso candidato a prefeito, Jean Paul, não foi testado nas urnas, mas em Natal Álvaro também não. A deputada Isolda teve mais voto que o filho de Álvaro, que não conseguiu eleger o filho com a máquina na mão. Álvaro só assumiu a prefeitura porque Carlos se afastou. Inclusive, não estão bem nessa relação. Álvaro vai ter que mostrar como se faz voto em Natal, visto que ele não sabe, já que não arranjou para o filho”, analisa Hugo Manso.

Para o petista, as votações de Álvaro sempre foram do interior do Estado, quando das eleições para a Assembleia Legislativa e para a Câmara Federal. “A votação dele é do interior”, disse, acrescentando que na disputa eleitoral de Natal serão muitos candidatos disputando o pleito em oposição. “Álvaro vai encontrar um ambiente difícil, porque vai ser muito criticado, a gestão não tem boas performances para mostrar. Será uma eleição muito apertada. Três ou quatro candidatos disputando quem vai para o segundo turno”, diz Hugo.

Na visão de Hugo Manso, Jean Paul irá dialogar com o máximo de forças políticas, inclusive já no primeiro turno. “Vamos procurar Hermano Morais, vamos procurar o deputado federal Rafael Motta, para conversarmos sobre uma possível unidade já no primeiro turno. Procuraremos o professor Carlos Alberto Medeiros (PV) e o PSOL, que ainda não apresentou candidato. Sabemos que cada um tem uma ideia, mas o gesto de procurar vamos fazer humildemente. Temos que ter uma política que se contraponha à de Álvaro”, frisou.

Ao avaliar a gestão de Álvaro Dias, o ex-vereador Hugo Manso afirma que o prefeito assumiu postura de continuidade ao modelo implantado pelo antecessor, Carlos Eduardo, como uma espécie de “sindico”, esquecendo-se da gestão política de transformação da cidade.

“Carlos não fazia gestão política. Daí quando saiu para o governo, o interior não o conhecia. Álvaro repete isso. Faz um trabalho administrativo, mas não enfrenta os problemas políticos efetivos da metrópole. Não existe uma declaração de Álvaro falando de Região Metropolitana. Ele não sabe o que é isso. Não se interessa por diálogo a médio e longo prazo com Macaíba, com Parnamirim, com Extremoz, com São Gonçalo do Amarante, que têm problemas comuns. Álvaro não sabe que não tem como resolver isoladamente os problemas de segurança, de saúde e de transporte, como o deslocamento de pessoas, de mercadorias e de cargas, olhando apenas para Natal. Política de abastecimento, cargas para o Porto de Natal, política de Uber, de táxi, ônibus, bicicleta, ciclovias, nada disso ele faz. Quem pedala sai de Natal para Macaíba, para Extremoz, para São Gonçalo e não se sabe onde começa e onde termina. E onde está o prefeito de Natal? Não tem uma declaração de Álvaro que trate desse tema do crescimento urbano. Aí fica falando besteira de verticalizar a orla e outras bobagens”, diz Hugo.

Hugo Manso também criticou o atual prefeito pela distribuição de medicamentos sem comprovação cientifica contra a Covid-19, gerando um alto risco para a população, que começou a sair do isolamento porque tomou invermectina.

“As pessoas estão morrendo”, disse, avaliando que o prefeito tem adotado uma estratégia de ser simpático ao presidente Jair Bolsonaro. “Diz que é parceiro dele aqui na capital, mas isso vai produzir óbitos e sofrimento”, declarou o petista, afirmando que a disputa em Natal será polarizada. “O povo vai decidir entre como se comportou Álvaro frente à Covid e como se comportou a governadora Fátima. A população irá comparar e tomar sua decisão”.

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