Uma das alternativas para reduzir a espera por cirurgias no Rio Grande do Norte seria a ampliação de convênios com clínicas e hospitais particulares. Para o presidente da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Câmara Municipal de Natal, Luciano Nascimento (PSD), a medida é importante e já integra o planejamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Natal), mas deve ser adotada com cautela — quando houver viabilidade financeira.
O Rio Grande do Norte apresenta atualmente uma alta demanda de pessoas aguardando por cirurgia. De acordo com dados do Regula Cirurgia da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap-RN), há 47.076 pessoas na fila por um procedimento. Segundo Luciano Nascimento, o cenário vai além dos números e impacta diretamente o município de Natal.

“Considerando a responsabilidade do Governo do Estado nos procedimentos de alta complexidade na Saúde, o impacto das filas para cirurgias para os munícipes de Natal revela um cenário que vai muito além de números: trata-se de um problema estrutural que afeta diretamente a qualidade de vida da população”, pontuou.
Natal concentra a maior parte da demanda represada, com 8.832 pacientes aguardando por cirurgia. Para o parlamentar, o dado evidencia o peso que recai sobre a capital, tanto como porta de entrada para pacientes de outros municípios quanto como principal polo assistencial do Estado.
Ele explica que Natal não depende exclusivamente do Estado para reduzir a fila, mas ressalta que há uma dependência importante, principalmente em relação aos procedimentos de alta complexidade. “Na prática, o que existe é uma responsabilidade compartilhada dentro do SUS”.
O vereador destacou ainda que o município atua em três frentes: com papel fundamental na atenção básica e especializada inicial; na realização de cirurgias de baixa e média complexidade pela própria rede municipal; e na regulação da fila, priorizando os pacientes conforme a necessidade.
“Ou seja, o município ajuda a reduzir a pressão sobre a fila, principalmente evitando que casos simples evoluam”, completou.
Segundo Luciano Nascimento, o diálogo entre o município e a Sesap tem sido contínuo e institucionalizado, já que a organização dos procedimentos depende da integração entre as gestões. Ele cita ainda a utilização do SWALIS (Surgical Waiting List Info System), ferramenta de gestão usada no SUS para priorizar cirurgias eletivas.
De acordo com o vereador, o sistema reforça a transparência e a equidade no acesso, permitindo classificar os pacientes com base no risco clínico e no tempo de espera, evitando que a ordem seja definida por interferências externas.
“A Comissão [da Câmara] vem fazendo seu papel de fiscalizar os equipamentos de saúde in loco, abrir discursões no plenário da Câmara, preparar ofícios, requerimentos e relatórios. Também está trabalhando no sentido de unir a SMS e Sesap, para que juntas possam dar um melhor resultado em relação à saúde pública da nossa cidade”, finalizou.