A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e comunicou a decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira 15. A análise seguiu o entendimento da Polícia Federal (PF), que já havia negado a proposta na semana passada.
Vorcaro está preso em Brasília desde 4 de março, quando foi detido em uma das fases da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a Polícia Federal.

De acordo com a avaliação da PGR, a proposta apresentada não trouxe elementos novos em relação ao que já foi levantado pela investigação. Procuradores também apontaram ausência de comprometimento com a devolução de valores, um dos pontos considerados centrais para o avanço das negociações.
A Procuradoria defendia que Vorcaro deveria sinalizar a devolução de ao menos R$ 60 bilhões aos cofres públicos. Ao analisar o material complementar enviado pela defesa, o órgão concluiu que as informações não apresentavam ineditismo e, em alguns casos, entravam em conflito com dados já obtidos pela investigação.
A Polícia Federal já havia rejeitado duas propostas de delação. A segunda negativa ocorreu no último dia 10, quando os delegados responsáveis comunicaram a decisão aos advogados do ex-banqueiro.
Investigadores avaliam que as versões apresentadas por Vorcaro têm perdido consistência à medida que novas operações são realizadas e novas informações são extraídas de seu celular.
As apurações apontam um esquema de fraudes bilionárias e uma rede institucional de proteção associada ao caso.
Com a rejeição da proposta, a expectativa da defesa se volta para a definição sobre a permanência de Vorcaro na sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A PF defende a transferência para um presídio comum. A decisão caberá ao relator do caso, ministro André Mendonça.