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Saúde

Patente do Ozempic cai, mas Brasil ainda não tem alternativa nacional; novas canetas podem chegar até junho

Anvisa analisa 15 pedidos, e ao menos três canetas estão em fase avançada; primeiras aprovações podem ocorrer até junho
Redação
20/03/2026 | 11:21

A patente da semaglutida — princípio ativo de medicamentos como o Ozempic — chegou ao fim nesta sexta-feira 20, encerrando a exclusividade da Novo Nordisk após duas décadas. Apesar da expectativa por opções mais baratas, nenhuma versão nacional foi liberada até agora no Brasil.

Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária analisa 15 pedidos de novos medicamentos à base de semaglutida. Desses, três estão em estágio mais avançado e podem ser aprovados até junho, dependendo da resposta das empresas às exigências técnicas feitas pelo órgão regulador.

ozempic
Caneta de semaglutida, usada no tratamento de diabetes e obesidade, ainda não tem versão nacional disponível no Brasil após queda de patente Foto: Divulgação

As propostas mais adiantadas são das farmacêuticas EMS, Ávita Care e Cristália, que apresentaram diferentes versões do medicamento — incluindo opções sintéticas e biológicas. No início de março, a Anvisa solicitou esclarecimentos adicionais, e as empresas têm até 120 dias para responder.

Processo complexo atrasa chegada ao mercado

Mesmo com o fim da patente, a liberação de alternativas não é imediata. Isso ocorre porque a semaglutida é uma molécula complexa, classificada como peptídeo, o que exige análises mais rigorosas de segurança e eficácia.

Diferentemente de medicamentos comuns, como analgésicos, esse tipo de substância demanda estudos detalhados sobre possíveis reações do organismo, controle de impurezas e precisão nos métodos de fabricação. Por isso, o processo regulatório tende a ser mais demorado.

Hoje, o cenário na Anvisa inclui três pedidos em fase final de exigências, cinco ainda em análise inicial e outros nove que sequer começaram a ser avaliados.

Preço ainda não deve cair no curto prazo

A expectativa de redução no preço também não deve se concretizar imediatamente. Atualmente, uma caneta de semaglutida custa, em média, cerca de R$ 1 mil no país.

A queda nos valores depende da entrada efetiva de concorrentes — o que ainda não ocorreu. Além disso, por se tratar de um medicamento biológico, não haverá versões genéricas tradicionais. Em vez disso, devem surgir os chamados biossimilares, que podem ter preços até cerca de 20% menores, mas exigem testes próprios.

A própria Novo Nordisk não é obrigada a reduzir os preços, embora especialistas apontem que a empresa pode adotar estratégias comerciais para se manter competitiva.

Impacto no SUS ainda é incerto

A possível chegada de versões nacionais também reacende o debate sobre a oferta da semaglutida no Sistema Único de Saúde. Hoje, medicamentos dessa classe são utilizados de forma limitada na rede pública.

No entanto, a incorporação mais ampla ainda não está prevista. Em 2025, a proposta foi rejeitada devido ao alto custo, com estimativas de impacto anual de cerca de R$ 8 bilhões.

A avaliação do Ministério da Saúde é que a ampliação da concorrência pode, no futuro, reduzir os preços e reabrir essa discussão — mas, por enquanto, não há decisão oficial.