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Investigação

Oposição domina requerimentos e mira quebra de sigilos na CPMI do INSS

Fraudes investigadas envolvem associações e entidades de classe que cobravam valores de aposentados e pensionistas em troca de serviços
Redação
25/08/2025 | 07:46

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) inicia os trabalhos nesta segunda-feira 25 para investigar o esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Até o fim de semana, já haviam sido protocolados 826 requerimentos, sendo 80% apresentados pela oposição ao governo Lula, com foco na quebra de sigilos de autoridades e dirigentes ligados ao setor.

Entre os alvos está o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), que poderá ser convocado a depor. Deputados e senadores pediram também a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. Outro nome citado em requerimentos é José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e dirigente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), entidade investigada pela Polícia Federal.

Reembolso de descontos ilegais do INSS começa a ser pago na quarta-feira 23 - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O senador Izalci Lucas (PL-DF) foi o recordista de pedidos, com 328. Na sequência aparecem a senadora Damares Alves (PL-DF), com 84, e o deputado Rogério Correia (PT-MG), da base governista, com 59. Do lado do governo, apenas 20% dos requerimentos foram protocolados, a maioria voltada para convocações de depoimentos, sem pedidos de quebras de sigilo.

Tanto situação quanto oposição querem ouvir o atual ministro da Previdência, Wolney Queiroz (PDT), além do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Segundo as investigações, ele recebeu R$ 53,8 milhões de associações envolvidas no esquema e repassou parte do valor a servidores públicos suspeitos de participação nas fraudes.

A CPMI será presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), enquanto a relatoria ficará com o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ligado ao bolsonarismo. Ambos afirmaram que os primeiros depoimentos devem começar ainda nesta semana, com foco em servidores técnicos do INSS.

As fraudes investigadas envolvem associações e entidades de classe que cobravam valores de aposentados e pensionistas em troca de serviços como assessoria jurídica, convênios com planos de saúde e academias.

“O Brasil merece transparência e justiça. Nosso compromisso é identificar fraudes e desvios que há anos prejudicam aposentados e pensionistas”, disse o relator Alfredo Gaspar.