Deputados da oposição na Assembleia Legislativa elevaram o tom contra a gestão estadual ao reunir, no mesmo bloco de discursos, dados de emprego, relatos da rede de saúde, episódios recentes de violência urbana e indicadores nacionais para sustentar a crítica de que o Rio Grande do Norte atravessa um cenário de deterioração administrativa.
Ao citar saldo negativo de 2.221 vagas formais em fevereiro, corredores lotados no Hospital Tarcísio Maia e ataques criminosos que resultaram na queima de ônibus na Zona Oeste de Natal, os parlamentares associaram esses elementos à condução do governo e ampliaram o ataque também ao plano federal, com referências à dívida pública, ao aumento de medicamentos e a gastos da União.

O deputado Luiz Eduardo (PL) abriu o conjunto de críticas ao classificar a administração como “governo do desastre”, “governo do caos” e “destruição administrativa e financeira do Rio Grande do Norte”. Na sequência, vinculou o desempenho do mercado de trabalho à condução do Executivo. “O Rio Grande do Norte tem o segundo pior resultado do país na geração de emprego em fevereiro”, afirmou, ao detalhar o saldo negativo de 2.221 vagas. A leitura do parlamentar associa o dado à perda de renda e à dificuldade cotidiana das famílias. “As famílias perdem a perspectiva de sustentar suas famílias com dignidade”, disse.
A fala avançou para a área da saúde, com descrição de sobrecarga na rede pública. “O hospital Tarcísio Maia está com os corredores lotados”, afirmou, ao mencionar a situação em Mossoró e região Oeste. No campo da segurança, trouxe episódios recentes de violência urbana. “Uma facção criminosa voltou a tocar fogo em dois ônibus na região oeste da cidade do Natal”, disse, acrescentando que a interrupção do transporte afetou trabalhadores, estudantes e moradores da periferia. “A população da Zona Oeste ficou sem transporte”, afirmou.
No mesmo pronunciamento, Luiz Eduardo ampliou o foco para o cenário nacional, relacionando a situação local ao ambiente econômico mais amplo. “O Brasil bate recorde em corrupção por conta do INSS e do Banco Master”, afirmou, ao mencionar investigações em curso. Também citou despesas do governo federal. “O governo federal gastou mais de R$ 180 milhões em viagem”, disse, além de apontar o reajuste de quase 4% nos medicamentos e o crescimento do endividamento público. “O Brasil está afundando em dívida, o País chega a quase 92% do PIB”, afirmou, ao mencionar alerta do FMI.
Na mesma linha de crítica, o deputado Coronel Azevedo (PL) reforçou o diagnóstico negativo ao tratar da geração de empregos como indicador central. “O Rio Grande do Norte teve o segundo pior resultado do Brasil na geração de empregos”, afirmou, ao atribuir o desempenho à gestão estadual. Em seguida, ampliou a crítica ao ambiente econômico. “Um governo que nunca criou um ambiente para investimento”, disse, ao acrescentar que a situação afasta investidores. “Quando vê a administração no Rio Grande do Norte, dá dois passos para trás”, afirmou.
O parlamentar também incluiu educação, tributação e responsabilidade fiscal no conjunto de críticas. “Somos os piores na educação, no ambiente para negócios, nos impostos”, afirmou, ao citar medidas como a cobrança sobre “água bruta” e outras bases tributárias. Ao tratar do plano nacional, vinculou o cenário econômico às políticas do governo federal. “Juros altos, insegurança econômica, desconfiança de quem produz”, disse.
A leitura social do quadro apareceu na sequência, com referência ao impacto direto sobre a população. “O trabalhador sente o desespero quando volta para casa demitido”, afirmou, ao mencionar também jovens em busca do primeiro emprego e famílias em dificuldade. Em outro momento, reforçou a crítica ao discurso institucional. “O discurso oficial tenta maquiar a realidade”, disse, ao mencionar a comunicação do governo estadual.