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Curioso
‘Oportunidade única’: Como foi o voo de sete horas para lugar nenhum?
O voo QF787 da Qantas partiu de Sydney no sábado, 10 de outubro, sobrevoando a metrópole australiana antes de passar pelas cidades praianas de Byron Bay e Gold Coast
Redação
14/10/2020 | 14:31

Depois de meses trabalhando quase sem parar durante a pandemia do novo coronavírus, a médica Fiona Downes diz que embarcar na viagem de ida e volta de sete horas da Qantas para lugar nenhum foi “como estar em casa de novo”.

Passageiro frequente da Qantas, Downes gastou pontos não utilizados para se presentear com uma passagem na Classe Executiva a bordo do voo panorâmico Great Southern Land da companhia aérea australiana.

“Foi como uma oportunidade única na vida”, disse ela à CNN Travel.

O voo QF787 da Qantas partiu de Sydney no sábado, 10 de outubro, sobrevoando a metrópole australiana antes de passar pelas cidades praianas de Byron Bay e Gold Coast e seguir por outros pontos turísticos australianos, como a Grande Barreira de Corais e Uluru. Em seguida, completou a jornada chegando exatamente ao mesmo lugar de onde decolou.

A iniciativa foi organizada pela aérea australiana para gerar receita e acomodar passageiros ávidos por viagens, depois que grande parte de sua frota ficou paralisada em meio a cancelamentos de voos internacionais devido à pandemia.

As primeiras passagens se esgotaram em menos de 10 minutos quando foram oferecidas em setembro.

Havia apenas 150 vagas em oferta – abrangendo classe executiva, econômica premium e econômica e custando de 787 a 3.787 dólares australianos (entre cerca de R$ 3.100 a R$ 15.000). Os bilhetes estavam disponíveis apenas para residentes australianos, uma vez que as fronteiras do país foram fechadas desde março.

O voo, porém, gerou polêmica, com críticos apontando que, mesmo sem a desculpa de ir de “lugar A” para “lugar B”, havia pouca justificativa para o dano ambiental.

Viajando a bordo de um Qantas Boeing 787 Dreamliner, os passageiros observaram os marcos australianos de um ponto de vista espetacular enquanto a aeronave descia intermitentemente a cerca de 4.000 pés (cerca de 1.200 metros).

Foi a promessa dessas vistas imbatíveis que levou o profissional de finanças e entusiasta de viagens e aviação Ke Huang a comprar uma passagem econômica para o voo QF787.

“Voar a uma baixa altura sobre esses locais foi verdadeiramente único”, disse Huang à CNN.

Vistas incríveis

Os passageiros que embarcaram no voo receberam sacolas de guloseimas para comemorar a ocasião, sentados em almofadas bordadas com o nome do voo em seus assentos.  

Não havia entretenimento tradicional a bordo na tela do encosto do banco. Em vez disso, a paisagem externa era o foco.

Assim que o voo decolou, com Sydney iluminada pelo sol do final da manhã, os passageiros começaram a tirar fotos pela janela da cidade abaixo. Foi apenas uma amostra do que estava por vir.

O 787 também é conhecido por suas grandes janelas, tornando-o ideal para passeios aéreos.

“Já estive na Grande Barreira de Corais várias vezes, estive em Uluru também várias vezes – mas nunca realmente voando em uma aeronave desse tamanho, muito grande e muito confortável, sentado na classe executiva e olhando pela janela, vendo que aquele ponto de referência está bem ao seu lado. Não acho que essa experiência possa se repetir”, comentou Downes.

Na cabine econômica, os assentos intermediários foram deixados abertos para permitir o distanciamento social. Outras medidas de saúde e segurança também foram implementadas para proteger os passageiros da Covid-19.

Ke Huang afirmou que a Qantas fez um bom trabalho ao garantir que todos tivessem a oportunidade de admirar as vistas, não importa onde estivessem.

A atmosfera a bordo foi “positiva, alegre e emocionante”, acrescenta.

“Quando estávamos voando sobre os pontos turísticos, as pessoas certamente estavam grudadas nas janelas e maravilhadas”, disse Huang.

Fiona Downes diz que a diversão começou no saguão do aeroporto, onde havia uma “verdadeira atmosfera de festa” que se estendeu até o voo.

“Todos que estavam lá, dava para perceber que eles realmente queriam estar lá”, diz Downes. Em seu relato ela afirmou que a tripulação estava igualmente entusiasmada, além de eficiente e organizada.

E, segundo os passageiros, não pareceu estranho estar de volta ao ponto de partida sete horas depois.

Implicações ambientais

Em meio à polêmica de operar um voo para lugar nenhum em um momento de crise climática, a Qantas disse que compensaria 100% das emissões de carbono do voo.

A mudança não foi suficiente para acalmar algumas críticas.

“Este oôo pode não levar a lugar nenhum, mas as emissões que destroem o planeta têm que ir para algum lugar. Esse lugar é direto para a atmosfera, onde contribuem para a degradação do clima”, disse um porta-voz da ONG Friends of the Earth à CNN Travel.

“Com a crise climática tão severa, precisamos manter o número de voos abaixo do que eram antes da pandemia do novo coronavírus, e não acrescentar mais, como que é essencialmente a definição de uma viagem sem sentido.”

O passageiro Huang disse entender por que alguns podem ver voar para lugar nenhum como “excessivo”, mas declarou ter se assegurado de que o preço do bilhete incluía uma contribuição ao programa de compensação de carbono da Qantas.

“Minha opinião é que tomamos uma decisão consciente de embarcar no voo, mas também tínhamos uma decisão consciente de concordar com o programa de compensação de carbono, então concordamos com esses termos”, disse ele.

Downes afirma que debateu se deveria ou não comprar um ingresso, antes de optar por fazê-lo porque também havia atividades de arrecadação de fundos que apoiavam boas causas.

“Acho que, no geral, fechamos todos os voos. Então, quando um voo como esse decola, as pessoas se divertem, podem ver coisas que não teriam experimentado antes, e há algum elemento de caridade nisso também. No geral acho que é uma coisa boa “, diz ela.

Como as viagens internacionais continuam reduzidas, os voos para lugar nenhum estão se tornando mais comuns.

Em agosto, a companhia EVA Air operou um voo com base em Taiwan para lugar nenhum a bordo de seu jato A330 Dream, com o tema Hello Kitty.

Enquanto isso, a All Nipon Airways (ANA) também operou um curto voo panorâmico no Japão em agosto, que a companhia aérea disse que buscava replicar “a experiência de resort havaiano”, com 300 passageiros embarcando para uma viagem de 1,5 horas.

E a Qantas está atualmente planejando voos fretados pela Antártica, começando em novembro, o que permitirá aos passageiros a bordo de um 787 Dreamliner desfrutar de vistas geladas entre a decolagem e o pouso de Sydney.

*As informações são da CNN Brasil

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