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Arte
O espectro autista nos tons e nas ilustrações singulares de Anatriz
Natalense de 19 anos, Ana Beatriz compartilha nas redes sociais ilustrações com conteúdo informativo baseado na própria vivência como autista. E ela segue quebrando paradigmas
Nathallya Macedo
07/10/2020 | 05:50

A natalense Ana Beatriz está prestes a concluir o ensino médio no IFRN e já sabe que quer cursar design na faculdade. Mas ela nem sempre foi cheia de certezas. Aliás, passou boa parte da vida questionando a própria visão de mundo, sentia que divergia do senso comum – em pontos que as demais pessoas elegem como verdade absoluta. 

Recentemente, a sensação de não pertencimento deu lugar ao alívio quando ela se descobriu autista, aos 19 anos. “Com o diagnóstico, finalmente tive uma explicação para certas características da minha personalidade. Não quero usar a palavra ‘diferente’, mas acredito que seja algo singular”, contou em entrevista ao Agora RN.

Quando um amigo começou a pesquisar sobre o assunto, a jovem não imaginava que se identificaria de maneira tão certeira com sintomas específicos do autismo. Foi quando buscou o auxílio de um neuropsicólogo, que confirmou o Transtorno do Espectro Autista (TEA) depois de várias consultas. 

“Há diversos graus de suporte, pois o autismo se desenvolve de maneira diferente em cada indivíduo. Eu, por exemplo, preciso me concentrar bastante para manter uma conversa com raciocínio linear. Manifesto alguns movimentos repetitivos, como balançar as mãos excessivamente, para tentar regular emoções. Outro aspecto recorrente para mim é o ‘hiperfoco’, que indica um alto interesse em determinado tópico ou tarefa”, relatou.     

Estudos apontam que o diagnóstico é mais difícil para mulheres, já que a maioria das análises é feita a partir de comportamentos masculinos, em um contexto de “padronização” da conduta feminina. Isso, para Ana Beatriz, atrapalha o cotidiano e provoca até mesmo a reprodução do ato conhecido como “masking” (traduzido para mascaramento), quando há a camuflagem dos sinais do espectro para melhor aceitação social. 

“Além disso, ainda ouvimos poucas vozes na mídia. É como um tabu. E quase tudo que vemos sobre o autismo é estereotipado”. Observando a escassez de informação e a necessidade de uma abordagem real, ela resolveu debater o tema através das vivências pessoais comuns do dia a dia.    

Para tanto, Ana Beatriz começou a usar o dom artístico com o objetivo de compartilhar conhecimento acerca do autismo. Ela usa as ilustrações que faz como ferramentas para combater preconceitos por meio de quadrinhos educativos. 

“Precisamos de uma comunidade autista ativa na internet. Conteúdos que falam abertamente sobre o espectro podem ajudar a desassociar o autismo de uma doença, de um transtorno negativo”. Batizado “Anatriz”, o perfil do Instagram já tem mais de 7 mil seguidores. “Expressando a minha individualidade, busco representações coletivas. Trago relatos verídicos sobre como é ser mulher, nordestina e autista”.    

Ilustrações 

Ana desenha desde criança. “Sempre tive interesse em arte e em produzir coisas criativas. Costumava pintar pano de prato com a minha avó. Passei para o papel, para as telas e agora encontrei meu caminho na ilustração digital”. Em 2017, participou de uma exposição onde apresentou aquarelas cheias de sentimentos. Hoje, sonha em seguir carreira como ilustradora autoral. “Gosto de contar histórias, acredito que encontrei minha bandeira de luta e fico feliz em desmistificar o autismo, mesmo que a passos curtos”.  

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