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Crise
Nível de desocupação no RN atinge 17% e supera a média do NE
Ainda segundo o IBGE, de um total de 1.044.000 domicílios potiguares, em 59 mil pelo menos um morador solicitou e conseguiu empréstimo durante o período de pandemia
Marcelo Hollanda
24/09/2020 | 05:08

Zefinha, que antes da pandemia fazia três diárias por semana em Natal, agora faz cinco e resolveu recusar a de sábado. Como é considerada uma obcecada por limpeza, também conhecida como “detalhista” pelas patroas, é disputada à tapa por quem pode pagar R$ 100 pela faxina.

Infelizmente, ela é uma dessas raras exceções à regra, segundo os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Covid-19), divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE, que mostraram uma taxa de ocupação atipicamente baixa para o Rio Grande do Norte em agosto, acima da média do Nordeste.

“A pesquisa mostrou que ela em agosto foi de 17%, enquanto nos demais estados da região era de 15% e no Brasil de 13,5%”, lembra o analista do IBGE em Natal, Flávio Queiroz. Significa que 235 mil pessoas estão em busca de trabalho no Estado, uma das cinco maiores taxas de desocupação do Brasil.

Flávio Queiroz interpreta que, com o isolamento social, as pessoas começaram a fazer mais trabalho doméstico, a cozinhar mais em casa, usando menos serviços e contribuindo para uma queda generalizada no setor, que é quem segura a sobrevivência da grande maioria da população.

Muito ruim para um estado cuja mão de obra, em sua grande maioria, é composta de informais que sobrevivem de setores seriamente atingidos pela pandemia do coronavírus, como o turismo e sua cadeia produtiva composta de mais de 55 tipos diferentes de atividades, de garçons aos ambulantes nas praias.

Ainda segundo o IBGE, de um total de 1.044.000 domicílios potiguares, em 59 mil pelo menos um morador solicitou e conseguiu empréstimo durante o período de pandemia.

Em 53 mil domicílios, algum morador solicitou e conseguiu empréstimo a um banco ou financeira e isso representou 88,7% do total que pediram algum tipo de empréstimo.

Outros 9,9% pediram dinheiro algum parente ou amigo o que representa seis mil domicílios em números absolutos.

Para o consultor da área de trabalho, Kelermane Martins, os números do IBGE refletem com perfeição a situação de paralisia das empresas que, diante das incertezas em relação ao tempo de duração da pandemia e da retomada da economia, foram demitindo e colocando milhares de trabalhadores na informalidade.

“Por sua vez, quem perdeu o emprego passou a cortar gastos, gerando mais desocupação no setor de serviços, criando a tempestade perfeita revelada pela pesquisa do IBGE”, acrescenta.

De acordo com ela, o resultado é o maior percentual de pessoas desocupadas desde maio. Daí o fato de 235 mil pessoas estarem em busca de trabalho no Rio Grande do Norte.

De fato, com esse resultado, o RN passou a ter um dos cinco maiores taxas de desocupação do Brasil por conta da Covid19.

No início da pesquisa, em maio, uma taxa de 12,3% representava 173 mil pessoas desocupadas no Estado ou 62 mil potiguares a mais. No Nordeste, só a Bahia e o Maranhão estão em pior situação com 18%.

“Mas se formos lembrar o passado, nosso índice de desocupação sempre foi menor em relação aos demais estados do Nordeste”, pontua o analista Flávio Queiroz do IBGE.

Enquanto a taxa de desocupação cresce mensalmente, o número de pessoas que não procuram trabalho por causa da pandemia diminui. Em julho, eram 449 mil pessoas e em agosto,  404 mil.

“Essas pessoas compõem um dos grupos que estão fora da força de trabalho, pois não têm ocupação nem tomaram providência efetiva para retornar ao mercado”, analisa Flávio.

A pesquisa também mostrou que o número de pessoas ocupadas e afastadas do trabalho em por causa do distanciamento social teve uma queda de 40% no Rio Grande do Norte.

Em julho, elas eram 140 mil trabalhadores, contudo, em agosto, esse número chegou ao menor nível desde o início da pesquisa, que é de 84 mil ou 7,4% da população ocupada.

Assim, o RN possui a segunda maior proporção de trabalhadores afastados da região Nordeste, atrás apenas de Alagoas (8,2%).  No País, esse tipo de afastamento atinge 5% dos trabalhadores.

Para o consultor Kelermane Martins, os efeitos da pandemia representam algo inédito tanto para empresários como para trabalhadores, pois repercutiram diretamente no nível da renda dos empregados, criando um efeito cascata junto aos trabalhadores informais.

“Isso vai demandar uma maneira inteiramente nova de lidarmos com crises, deve estimular a inovação e testar ainda mais a nossa resiliência, que a capacidade de cair e levantar de trabalhadores e empreendedores” – resume.

Mais de 50% da população recebe algum tipo de auxílio emergencial

O Rio Grande do Norte tem 56,3% dos domicílios onde pelo menos um dos moradores recebeu algum auxílio para combater os efeitos da pandemia. O valor médio recebido pela população foi de R$ 919.

Entre os tipos de auxílio abordados pela pesquisa estão o emergencial, destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e a complementação do Governo Federal pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

O Rio Grande do Norte está em 10º lugar entre as unidades da federação que mais receberam o auxílio emergencial. O Amapá (71,4%) foi o estado com maior proporção de domicílios onde um dos moradores é beneficiário de programa de auxílio emergencial, seguido de Maranhão (65,5%) e Pará (64,5%).

Entre as regiões, as maiores proporções estavam no Norte (61%) e no Nordeste (59,1%).

“Esse índice ficou estável em praticamente todos os estados. O total de domicílios que receberam auxílio teve um aumento grande de maio para junho e, de junho para julho, praticamente não cresceu, ficando estável em agosto”, diz a pesquisadora.

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