A diferença de rendimentos entre homens e mulheres voltou a crescer no Brasil, mesmo diante do avanço da participação feminina no mercado de trabalho. De acordo com o 5º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho, as trabalhadoras recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens em empregos formais.
O levantamento, baseado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), analisou informações de cerca de 53 mil empresas com 100 ou mais funcionários. O estudo revela que, embora haja evolução no número de mulheres empregadas — especialmente entre mulheres negras —, a desigualdade de renda persiste e, em alguns indicadores, se intensifica.

Segundo o relatório, a diferença salarial vem aumentando desde 2024. No primeiro levantamento, divulgado em março daquele ano, a disparidade era de 19,4%. Em setembro, subiu para 20,7%, alcançou 20,9% em abril de 2025 e, mais recentemente, chegou a 21,3%.
Na prática, isso significa que, enquanto os homens recebem em média R$ 5.039,68, as mulheres têm remuneração média de R$ 3.965,94.
A desigualdade também aparece nos salários de admissão. Em 2025, mulheres passaram a receber 14,3% a menos que os homens ao ingressarem no mercado formal, percentual superior aos 13,7% registrados em 2023.
Apesar da ampliação da participação feminina no emprego formal, a renda ainda não acompanha esse crescimento. Entre 2023 — ano em que entrou em vigor a Lei da Igualdade Salarial — e 2025, o número de mulheres ocupadas aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões.
A presença feminina também cresceu na massa de rendimentos, que passou de 33,7% para 35,2% do total. Ainda assim, esse percentual está abaixo da participação das mulheres no mercado de trabalho, que já alcança 41,4%.
Segundo estimativas do Ministério do Trabalho, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões na renda das mulheres para que houvesse equivalência proporcional à presença feminina no emprego formal.
O estudo também aponta crescimento expressivo na inserção de mulheres negras (pretas e pardas) no mercado formal. O número de trabalhadoras desse grupo passou de 3,2 milhões para 4,2 milhões, um aumento de 29% no período analisado.
Além disso, houve avanço no número de empresas com ao menos 10% de mulheres negras em seus quadros.
O relatório identifica ainda mudanças nas políticas internas das empresas, com ampliação de medidas voltadas à equidade de gênero. Entre elas, destacam-se a adoção de jornadas mais flexíveis, oferta de auxílio-creche, ampliação de licenças-maternidade e paternidade, além da implementação de planos de carreira e metas de produtividade.
Apesar dos avanços em inclusão e políticas corporativas, os dados reforçam que a desigualdade salarial de gênero continua sendo um desafio estrutural no país. A maior presença feminina no mercado não tem sido suficiente para garantir remuneração equivalente, evidenciando a necessidade de políticas mais eficazes e mecanismos de fiscalização.