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Economia
“Muito discurso e pouca ação”, diz especialista sobre geração de empregos no RN
Saldo de empregos gerados no estado em maio foi de 3.519 postos de trabalho. Mas índices poderiam ser melhores se houvesse indústria pujante, defende economista
Douglas Lemos
29/06/2022 | 09:19

Dados do relatório mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Previdência, apontam que o Rio Grande do Norte foi apenas o quinto colocado da região Nordeste em saldo positivo de geração de empregos no mês de maio deste ano. Segundo a pesquisa, houve crescimento de 0,8% em relação ao mês de abril deste ano. A publicação ainda aponta que o índice foi superior à média da região Nordeste, que fechou em 0,73%.

No entanto, os 17.272 novos contratados ficam em segundo plano. Na realidade, os números são pouco animadores, já que pelo menos 13.753 moradores do estado foram desligados dos seus postos de trabalho. O saldo do estado é de 3.519 novas vagas. Uma alta em comparação com o mês anterior, em que 15.732 vagas foram geradas, mas 14.444 funcionários foram demitidos, gerando um saldo de 1.588 vagas.

Para o economista Janduir Nóbrega, estes dados podem ser atribuídos a uma melhoria no setor da construção civil. No entanto, o especialista aponta que falta ao Rio Grande do Norte uma estrutura industrial pujante. “Não tem e nunca teve. Essa coisa faz uma falta muito grande. Quando a gente vê outros estados, como Pernambuco e Bahia, existe um polo industrial e de serviços muito mais forte, gerando cinco vezes o valor que foi gerado aqui de empregos”, defendeu.

Para ele, a baixa criação de empregos tem a ver com uma falta de planejamento a médio e longo prazos, além da ausência de políticas públicas que tragam investimentos necessários para a indústria despontar no estado. “Acho que faltam políticas com mais clareza. Tem o programa da Fiern [Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte] para desenvolver o sertão, o semiárido. Não queria usar este termo… Mas às vezes a gente tem a percepção de que é muito discurso e pouca ação. Falta reverter essa linha. Precisa fazer mais e falar menos. E nós temos feito muito pouco”, declarou.

Nóbrega destacou o potencial do RN, afirmando que é o terceiro estado brasileiro em extração de petróleo em terra, primeiro na produção de energia eólica, primeiro de fruticultura, um dos maiores exportadores de camarão do Brasil, mas questionou os resultados disso. “A gente não percebe essa riqueza se transformando em geração de empregos”, disse.

O potencial ainda foi reforçado pelo economista em virtude da localização geográfica privilegiada do estado. “Nós somos hoje o local mais próximo do continente europeu. Tecnicamente esta vantagem daria a nós a capacidade de exportar mais e de ser mais desenvolvido. Por outro lado, pouco aconteceu. A gente quase ficou até sem aeroporto, um modal criado com o fim de fortificar as exportações do estado”, completou.

Nóbrega apontou algumas das causas para que o RN esteja na atual situação econômica. “Os outros setores a reboque do turismo não conseguem deslanchar. Isso é um dos problemas principais. O restante é a dificuldade que o estado tem de, na minha percepção, atrair novos investimentos nesse segmento, industrial, e geração de empregos em massa”, apontou.

Em toda a região Nordeste, de acordo com o relatório mensal publicado ontem pela pasta do Trabalho e Previdência, a região Nordeste teve 257.002 e 208.155 desligamentos, gerando saldo de 48.847 empregos. O saldo da região ficou atrás apenas do Sudeste, que também cresceu (0,69%) com saldo de 147.846 empregos.

PAÍS

Em maio deste ano, o Brasil registrou um saldo de 277.018 novos empregos formais. Segundo os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que o Ministério do Trabalho e Previdência divulgou hoje (28), no mês passado foram registradas 1.960.960 contratações com carteiras assinadas e 1.683.942 desligamentos.

Já o total de trabalhadores celetistas – ou seja, com vínculo formal de trabalho e direitos e deveres regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – aumentou 0,67% em relação ao resultado de abril deste ano, passando de 41.448.948 para 41.729.858.

Na média nacional, os salários iniciais pagos a quem foi admitido em um novo emprego em maio foi de R$ 1.898,02 – valor R$ 18,05 menor que a média de R$ 1.906,54 calculada em abril. No acumulado do ano, foi registrado saldo de 1.051.503 empregos, decorrente de 9.693.109 admissões e de 8.641.606 desligamentos (com ajustes até maio de 2022).l

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