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Brasil

MP processa Blaze e Virginia Fonseca e pede indenização de R$ 120 milhões por supostas práticas abusivas em bets

Ação foi apresentada na quarta-feira 8 e ainda aguarda análise da Justiça
Redação
09/07/2026 | 18:06

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entrou com uma ação civil pública contra a plataforma de apostas Blaze e a influenciadora Virginia Fonseca, com pedido de indenização de pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos.

A ação, apresentada na quarta-feira 8, ainda aguarda análise da Justiça. Segundo o MP, existem indícios de práticas consideradas abusivas na atuação da empresa, como retenção sistemática de valores, bloqueio de contas e exigência de metas de apostas que seriam difíceis de serem alcançadas pelos usuários.

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MP processa Blaze e Virginia Fonseca e pede indenização de R$ 120 milhões por supostas práticas abusivas em bets - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O procedimento foi aberto após denúncias feitas por consumidores e a análise de um relatório técnico que reúne mais de 42 mil reclamações relacionadas à plataforma.

Entre os pedidos apresentados pelo Ministério Público está a retirada de anúncios que prometam ganhos garantidos, lucros fixos ou indiquem as apostas como forma de obtenção de renda extra. O órgão também solicita a realização de uma campanha educativa sobre os riscos do vício em jogos, o superendividamento e os direitos dos consumidores.

De acordo com o MPDFT, uma investigação policial realizada no Mato Grosso apontou que a empresa utilizava influenciadores e personalidades conhecidas para atrair usuários, associando as apostas a promessas de ganhos rápidos. O Ministério Público afirma que as apurações tiveram início em 2023, quando a Blaze ainda não possuía autorização federal para operar.

O órgão também afirma que as campanhas publicitárias tinham como alvo pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, atraídas pela expectativa de conseguir uma renda adicional por meio das apostas.

Para investigar as estratégias de divulgação, servidores do MPDFT realizaram cadastros na plataforma e acompanharam ações de marketing enviadas aos usuários. Conforme a ação, a empresa fazia disparos frequentes de mensagens promocionais com linguagem persuasiva e ofertas comerciais.

Contratos com Virginia

Em junho, a 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor do Distrito Federal já havia solicitado cópias dos contratos de publicidade firmados entre Virginia Fonseca e a Blaze. A medida tinha como objetivo analisar as estratégias de divulgação utilizadas pela empresa.

Depoimento na CPI das Bets

Em maio de 2025, Virginia Fonseca participou como testemunha da CPI das Bets, no Senado Federal, comissão que investigava possíveis irregularidades envolvendo apostas online.

Na ocasião, a influenciadora afirmou que seguia a legislação, alertava seguidores sobre os riscos das bets e negou possuir contratos com a chamada “cláusula da desgraça”, que prevê pagamento de percentual sobre perdas de apostadores.

Virginia também declarou que não utilizava uma conta própria de apostadora para gravar publicidades e informou que ainda possuía contrato com a Blaze, mas havia encerrado a parceria com a Esportes da Sorte.

Defesa da Blaze

Em nota, a Blaze afirmou que não foi formalmente notificada sobre a ação e disse que mantém compromisso com transparência, segurança dos usuários e cumprimento das regulamentações brasileiras.

A empresa declarou ainda que prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades após receber a comunicação oficial do processo.