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STF

Moraes exibe vídeo de Bolsonaro atacando STF durante julgamento da trama golpista

Ministro classificou fala do ex-presidente como ameaça ao Judiciário; julgamento envolve Bolsonaro e sete réus por tentativa de golpe e abolição do Estado Democrático de Direito
Redação
11/09/2025 | 15:46

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exibiu nesta quarta-feira 10, durante o julgamento da chamada trama golpista, um vídeo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ataca diretamente o magistrado em ato na Avenida Paulista.

Na gravação, Bolsonaro afirma que Moraes deveria “se enquadrar” ou “pedir para sair” do Supremo. “Ou esse ministro se enquadra, ou pede para sair. Não é possível que um homem só cause tanto mal ao Brasil”, disse o então presidente no ato público.

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Ministro Alexandre de Moraes mostra vídeo de ataque de Jair Bolsonaro em ato na Avenida Paulista durante sessão da Primeira Turma do STF - Foto: Gustavo Moreno/STF

Ao mostrar o vídeo aos colegas da Primeira Turma, Moraes classificou a fala como uma ameaça explícita ao Judiciário e como parte da estratégia golpista liderada pelo ex-presidente. “Se eu curvasse a cabeça e passasse pra outro relator? Não é crime contra Alexandre de Moraes. É contra o Estado Democrático de Direito”, declarou.

O ministro Cristiano Zanin concordou com Moraes. “Parece que é uma coação institucional, que me parece própria dos crimes contra o Estado Democrático de Direito”, afirmou.

O julgamento analisa a conduta de Bolsonaro e de outros sete réus — ex-ministros e militares — acusados de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e crimes contra o patrimônio público.

Até o momento, Moraes, relator do caso, e Flávio Dino votaram pela condenação dos oito réus. O ministro Luiz Fux divergiu, votando pela absolvição de seis deles e condenando apenas Braga Netto e Mauro Cid pelo crime de tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito. Ainda faltam votar as ministras Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin.

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