Moradores da comunidade Cavaco Chinês, no bairro Pajuçara, Zona Norte de Natal, voltaram a enfrentar alagamentos provocados pelas fortes chuvas registradas na capital entre a segunda-feira 20 e a terça-feira 21. Com ruas inundadas, famílias recorreram a botes, barcos e caixas d’água improvisadas para conseguir sair de casa. Segundo relatos dos moradores, a situação se repete sempre que há chuvas mais intensas e já havia ocorrido em 2022 e 2024.
Imagens registradas na comunidade mostram moradores atravessando trechos alagados em embarcações improvisadas. Em alguns pontos, o nível da água chegava à altura da cintura e encobria parte de árvores e veículos estacionados, impedindo a circulação de pedestres e automóveis.

Moradores relataram que o alagamento é recorrente e afirmaram que toda a comunidade acaba sendo prejudicada durante os períodos chuvosos. Segundo eles, o problema voltou a se repetir neste ano, assim como ocorreu em 2022 e 2024, deixando famílias novamente ilhadas.
O novo alagamento ocorre menos de dois anos após uma operação de drenagem realizada na comunidade pela Prefeitura do Natal, iniciada após atuação do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN). À época, cerca de 60 imóveis permaneceram alagados por mais de dois meses em consequência das chuvas registradas em junho de 2024.
Naquele ano, o problema começou após Natal registrar mais de 130 milímetros de chuva em 24 horas. Mesmo com o fim do período de precipitações, a água permaneceu acumulada na comunidade, comprometendo o acesso às residências e afetando também estabelecimentos comerciais.
Após reclamações dos moradores, o Ministério Público instaurou acompanhamento do caso e realizou vistoria conjunta com órgãos municipais. Em seguida, recomendou à Prefeitura a adoção de medidas para retirada da água e definiu um cronograma para execução dos serviços.
A operação de drenagem teve início em 6 de agosto de 2024 e foi concluída em 28 do mesmo mês. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), mais de 50 metros cúbicos de água eram retirados por hora durante a operação. O serviço sofreu atraso de dez dias após uma tentativa de furto danificar uma das bombas utilizadas na drenagem.
A comunidade Cavaco Chinês está localizada em uma Área Especial de Interesse Social (AEI) inserida na Zona de Proteção Ambiental 9 (ZPA-9).
Chuva acima da média
De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), por meio do Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Geoma), Natal registrou média de 68,5 milímetros de chuva entre as 7h da segunda 20 e as 7h da terça 21.
O maior acumulado foi registrado no Tirol, com 91,2 milímetros. Pajuçara, onde fica a comunidade Cavaco Chinês, apareceu em seguida, com 82,4 milímetros. Também foram registrados 73,4 milímetros em Ponta Negra, 71,4 milímetros em Sarney, 69,6 milímetros em Nossa Senhora de Nazaré, 63 milímetros em Neópolis, 61,2 milímetros no Parque da Cidade, 60,6 milímetros na Urbana e 43,6 milímetros em Salinas (Gamboa).
Com os acumulados registrados neste mês, Natal já superou a média histórica de chuva para julho. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até o dia 20 haviam sido registrados 272,8 milímetros na capital, acima da média de 234,7 milímetros observada entre 2003 e 2025.
A Prefeitura informou que equipes da Defesa Civil e do setor de Calamidades atuam diariamente nas áreas mais afetadas pelas chuvas para prestar assistência às famílias atingidas e realizar os encaminhamentos necessários para concessão de benefícios eventuais. O município também informou que segue monitorando as condições meteorológicas por meio da Semurb e do Geoma.
Em situações de risco, os moradores podem acionar a assistente virtual Estela pelo WhatsApp, no número (84) 3232-4900. Em casos de emergência, a orientação é entrar em contato com a Defesa Civil (190), o Corpo de Bombeiros (193) ou a STTU (156), em ocorrências relacionadas ao trânsito.