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Aglomerações no RJ
Mesmo proibidas, boates da Barra da Tijuca ficam lotadas e não respeitam regras sanitárias
Sem máscaras e com distanciamento inexistente, jovens se aglomeram nas casas noturnas ignorando a pandemia
O Globo
11/10/2020 | 08:56

Quinta-feira, 21h. Bem arrumados e animados, jovens na faixa dos 20 e poucos anos começam a se encontrar na fila da Vitrinni Lounge Beer, boate na Barra da Tijuca. O evento da noite é um show de rap e funk, e amigos se cumprimentam com abraços apertados. Alguns fazem o “esquenta” na loja de conveniência de um posto de gasolina perto dali, onde compram bebidas alcoólicas e compartilham garrafas e cigarros enquanto aguardam a vez de entrar. E não para de chegar gente. Seria uma balada do “velho normal” no Rio, se não houvesse uma pandemia e a casa não estivesse proibida de funcionar pela prefeitura. No mesmo dia, o Estado do Rio ultrapassava a marca de 19 mil mortes por Covid-19, mais de 11 mil só na capital.

Enquanto o público esperava pela noitada, pela qual pagariam um ingresso que chega a custar R$ 120, seguranças tentavam que algum distanciamento fosse mantido entre as pessoas enfileiradas. Em vão. “Não exige muito deles não, senão, fica difícil”, disse um deles para outro colega que estava na mesma função. Naquele tumulto, os funcionários do estabelecimento eram os únicos a usar máscaras: a maioria dos clientes dispensava o item de proteção, enquanto um ou outro o mantinha pendurado na orelha ou no pescoço.

— Sabe o que eu estou percebendo? Que está todo mundo, um em cima do outro, sem máscara. Ninguém está se importando com a Covid — queixa-se outro segurança para um grupo de clientes.

— Você acha que alguém está se importando com máscara? Você acha que alguém aqui tem medo de ficar doente? — provocou uma jovem, fazendo rir as amigas que a acompanhavam.

Nas redes sociais, em meio à programação para os próximos dias, a direção da Vitrinni informa trabalhar somente com 20% da capacidade total da casa e que ninguém entra após o limite de público ser atingido. “Quem não tiver reserva de mesas e camarotes chegue cedo!”, alerta. O texto diz ainda que a boate respeita “todas as medidas de segurança, distanciamento e proteção, de acordo com regras da prefeitura do Rio e recomendações do Ministério da Saúde, da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”.

Mas, pelas regras do município, o funcionamento do estabelecimento está proibido. No último dia 1º, o prefeito Marcelo Crivella liberou música ao vivo em bares e restaurantes, mas pistas de dança continuam vedadas. Quadras de escolas de samba e boates devem permanecer fechadas.

Casa multada

Se já havia aglomeração na fila, dentro da boate os frequentadores dançavam e bebiam animados, muito próximos uns dos outros, como pôde ser visto em fotos e vídeos compartilhados na internet. Em algumas imagens, que mostram o espaço lotado, é possível ver ainda muitas pessoas na pista de dança, enquanto o rapper Bin se apresenta. Outras fotos registraram até brigas entre os clientes, tanto na parte interna, quanto na entrada da casa noturna.

Segundo a Vigilância Sanitária, o espaço foi vistoriado nos dias 7, 14 e 29 de agosto. Na primeira ação, foi multado por aglomeração. “Em caso de reincidência, a penalidade pode chegar a R$ 26 mil”, informou o órgão. Apesar das imagens, a direção da Vitrinni afirmou que “toma todos os cuidados devidos e exigidos” e opera com 30% da capacidade, que, normalmente, é de até 600 pessoas. “Somos um bar/boate, mas, no momento, desativamos a pista de dança”, garante, por nota. “Infelizmente, há momentos em que nossos clientes se animam e levantam de seus lugares marcados e acabam se aglomerando na área interna”, acrescenta.

Bem perto da Vitrinni, também na Avenida Armando Lombardi, a boate All In recebeu frequentadores para uma noite de comida japonesa, enquanto o DJ Tartaruga e o saxofonista Rhennan Morfasi tocavam, na última quinta-feira. Na porta, não havia aglomeração, mas, nas redes sociais, vídeos publicados por clientes mostravam a casa cheia, inclusive com a pista de dança a todo vapor. Uso de máscara? Totalmente abolido. O GLOBO tentou contato com a direção da casa, mas não obteve retorno.

Pistas com biombos

Na noite alternativa da cidade, máscaras também não são unanimidade. Depois de alguns adiamentos, o misto de bar e boate Bukowski, em Botafogo, reabriu na última quarta-feira. Não ficou lotado, mas o item se segurança raramente era percebido. Na área ao ar livre, os clientes se espalharam em grupos, e a aglomeração só acontecia, ocasionalmente, no balcão do bar. No segundo andar, a pista de dança foi dividida em espaços para pequenos grupos, com “biombos” plásticos. A capacidade do bar passou de 511 para 140 pessoas.

— Pensamos desde o começo em como fazer as pessoas dançarem em segurança. Não dá para esperar bom senso do carioca. Vamos controlar cada espaço e cada grupo separado — explicou o proprietário, Pedro Berwanger.

Outras boates ainda planejam a reabertura. É o caso da Glass, na Barra, que informa em seu site já estar preparada, mas que o momento ainda não é oportuno. Já a Fosfobox, depois de 16 anos num subsolo de Copacabana, volta à ativa sexta-feira no Núcleo de Ativação Urbana (NAU), no Santo Cristo. A festa de música eletrônica acontecerá em um local para 450 pessoas, num formato chamado de “quadradinho”: áreas de 4 m² ou 6 m², com no máximo quatro pessoas, em cada. Um evento teste para convidados e órgãos fiscalizadores deve acontecer no dia 15.

Retomada das atividades foi em seis fases

Com o avanço da Covid-19, a partir de março, a prefeitura determinou o fechamento da maioria das empresas e das atividades culturais e de lazer na cidade. Foi elaborado, então, um plano de flexibilização com seis fases, que começou no início de junho.

A cidade está hoje na última etapa, que foi dividida em duas. No dia 1º, a prefeitura autorizou o retorno das casas de show, desde que com lugar marcado, venda de ingressos pela internet e lotação de até 50% da capacidade. A música ao vivo foi liberada em bares e restaurantes, mas sem pistas de dança. As boates e quadras de escolas de samba continuam proibidas.

A venda de comida e bebidas em cinemas e teatros também foi autorizada, assim como rodas de samba, casamentos e batizados. Novas medidas só devem ser anunciadas após decisão do comitê científico do município, que acompanha a evolução da pandemia.

Colaborou Gilberto Porcidônio

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