O Teatro Riachuelo, em Natal, recebe no dia 30 de janeiro, às 20h, o espetáculo “Vai dar certo… quando eu terminar”, novo trabalho do ator e comediante Max Petterson. A montagem marca o retorno do artista aos palcos após o sucesso da turnê Bôcu Bonjour, que passou por diversas cidades do Brasil e do exterior.
Com linguagem híbrida, o espetáculo mistura stand-up, improviso e narrativa autobiográfica, reunindo memórias da infância no Cariri, bastidores da fama, experiências internacionais e o próprio processo criativo do artista. A proposta é assumir o caos da criação como motor cênico, fazendo de cada apresentação uma experiência diferente, moldada também pela interação com a plateia.

Com atmosfera de ensaio aberto e tom confessional, o espetáculo aposta no humor como fio condutor para transformar frustrações, ideias inacabadas e situações absurdas em riso coletivo. Elementos inesperados em cena – como trilhas épicas, entradas exageradas e objetos fora de contexto – reforçam o caráter imprevisível da montagem.
Conhecido pelos vídeos virais produzidos a partir de sua vivência em Paris, Max Petterson transita entre teatro, internet e audiovisual, levando ao palco um humor que cruza referências culturais, experiências pessoais e observações cotidianas.
Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro e no site uhuu.com. Confira entrevista com Max:
Revista Cultue – O espetáculo muda a cada apresentação. O que o público de Natal pode esperar?
Max Petterson – Não é que o espetáculo muda a cada apresentação, mas ele se reinventa. Na vida artística, a gente está sempre criando e recriando. Então, por exemplo, eu apresentei a minha última turnê e foram três anos de turnê. Eu acredito que, por mais que o texto fosse o mesmo, nenhum espetáculo foi igual ao outro. Acho que Natal pode esperar o nascimento de uma nova era, de um novo momento no stand-up, no setor cultural e artístico, de coisas que eu já tinha feito antes, mas que agora elas voltaram muito mais amadurecidas.
Cultue – Existe algum improviso que já saiu tanto do controle que você pensou: “isso nunca deveria ter acontecido”?
Max – Se existe algum improviso que já saiu do controle, eu acho que não, porque eu sou muito teatral em algumas coisas. Por mais que eu brinque muito com a comédia e improviso, sou muito técnico em teatro. Estou ali descontraído, mas, ao mesmo tempo, tem um lado meu que está concentrado. Eu consigo ver tudo no teatro… consigo ver quando a pessoa espirra, quando a pessoa mexe no celular, se ela ri, se ela chora. Acho que essa minha concentração no palco, que eu acho que não interfere em nada no meu timing de comédia, me faz ter o controle da cena.
Cultue – Suas histórias vão do Cariri a Paris. O Nordeste ainda é seu maior material cômico?
Max – O Nordeste é a minha maior essência, principalmente o caribe-cearense. É a minha fonte de energia. Eu acho que como todo celular, todo aparelho, carro, qualquer coisa, precisa de um combustível, precisa de um carregamento. Eu também preciso… e o Nordeste é o meu carregamento. Eu posso morar no Japão, posso morar em São Paulo, posso estar na França, onde for. Preciso do Nordeste para entender quem eu sou e o que eu também já fui como artista.
Cultue – Você acha que o humor nordestino é mais resistência, sobrevivência ou pura teimosia?
Max – Acho que o nordestino é essência, é identidade, é cultura. E eu acho que é por isso que o humor nordestino é tão forte, porque nós somos um povo que, na maioria das vezes, está sempre vendo o copo meio cheio e nunca meio vazio.
Cultue – O que te dá mais medo hoje: o silêncio da plateia ou o algoritmo?
Max – Hoje eu não tenho mais medo do algoritmo, então acho que eu teria mais medo do silêncio da plateia. O algoritmo é um número, e eu estou nem aí para o número. Hoje eu estou mais pelo povo, pela essência, pela minha arte, então, se eu ver um número baixo, eu nem sei quem são essas pessoas. Acho que o silêncio da plateia seria cruel para mim, porque as pessoas saíram de casa para me ver, é uma responsabilidade, sabe, de entregar algo que realmente transforme e que artisticamente mude a vida das pessoas.
Cultue – Se esse espetáculo tivesse uma continuação, qual seria o título?
Max – Eu acho que se esse espetáculo tivesse uma continuação, o título seria ‘Mulher, Deu Certo’. Porque é isso, a vida não é sobre esperar dar certo para fazer, mas é fazer, é morrer tentando. É ficar fazendo até a engrenagem girar. E eu acho que o meu maior desafio e o meu maior orgulho nesse espetáculo é isso. Eu estou tentando e eu estou fazendo.
Serviço
Max Petterson – “Vai dar certo… quando eu terminar”
Local: Teatro Riachuelo
Quando: 30 de janeiro
Horário: 20h
Ingressos: bilheteria do teatro e uhuu.com