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Juiz pede extradição de ex-presidente do clube Alecrim, preso nos Emirados Árabes
Empresário inglês Anthony Armstrong, ex-presidente do Alecrim, foi preso no dia 27 de outubro pela Interpol nos Emirados Árabes Unidos
Redação
03/11/2020 | 12:23

O juiz Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal, solicitou a extradição do empresário inglês Anthony Armstrong, que foi preso no dia 27 de outubro pela Interpol nos Emirados Árabes Unidos. O cidadão inglês estava foragido desde março deste ano. Ele é alvo de investigação do Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte sobre esquema de lavagem de dinheiro no setor imobiliário potiguar.

Segundo procedimento ordinário assinado pelo magistrado, o processo de extradição foi formalizado à Secretaria de Cooperação Internacional do Ministério Público Federal para realizar a tradução para o árabe de todos os documentos necessários à formalização do procedimento extraditório. 

Em seguida, com promessa de reciprocidade, haverá acordo entre o Ministério da Justiça do Brasil e o governo dos Emirados Árabes para que o empresário seja encaminhado ao Rio Grande do Norte. No entanto, não há prazo definido para o processo de extradição.

A prisão preventiva de Anthony Armstrong foi decretada em 28 de março. Segundo o MPF, o esquema gerido pelo empresário inglês causou prejuízo de R$ 75 milhões. A investigação aponta que, por meio da empresa chamada Grupo Ecohouse, o empresário prometia aos investidores ganhos de 20% por ano. A rentabilidade viria da construção e venda de moradias populares no Rio Grande do Norte.

Contudo, segundo a denúncia, as obras de condomínios na Região Metropolitana de Natal sequer foram iniciadas. Ainda de acordo com o MPF, o grupo não tinha qualquer relação formal com Caixa Econômica Federal, responsável pelos financiamentos do programa federal “Minha Casa, Minha Vida”. O golpe em investidores — boa parte deles de Singapura, na Ásia — foi aplicado entre 2012 e 2014.

O pedido de prisão decorre das investigações abertas com a Operação Godfather, de 2014, cujo início partiu de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). À época, o MPF apontou que cerca de 1,5 mil investidores de Singapura e outros 350 do Reino Unido foram enganados. 

Ainda de acordo com o MPF, o dinheiro desviado pelo esquema era encaminhado para quatro empresas no Rio Grande do Norte. Entre as pessoas jurídicas beneficiadas, estava o Alecrim Futebol Clube. O time de futebol, inclusive, foi presidido pelo empresário inglês entre 2012 e 2014. 

Ainda de acordo com o MPF, o desvio de recursos para o Alecrim FC tinha o objetivo de “criar a falsa imagem de que Anthony Armstrong era um empresário de sucesso, com atuação em vários setores”. Hoje, o Alecrim está na segunda divisão do futebol potiguar.

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