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Economia

Juros elevados travam acesso ao crédito e inibem investimentos da indústria no RN, aponta Fiern

Levantamento mostra que 83% das empresas enfrentam dificuldades no curto e médio prazo; no longo prazo, custo financeiro é obstáculo para 100% das indústrias
Redação
20/02/2026 | 18:44

As elevadas taxas de juros consolidaram-se como o principal entrave ao financiamento da indústria no Rio Grande do Norte. É o que revela a Sondagem Especial – Condições de acesso ao crédito na indústria potiguar, elaborada pela Unidade de Economia da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quinta-feira 19.

Segundo o levantamento, 83% das empresas industriais relatam dificuldades para contratar crédito de curto ou médio prazo devido ao custo financeiro. No financiamento de longo prazo, a restrição é ainda mais contundente: 100% das indústrias apontaram os juros como principal obstáculo, destaca o economista da Fiern, João Lucas Dias.

Juros elevados Foto: José Aldenir/Agora RN
Selic a 15% ao ano tem travado investimentos em todos os setores - Foto: José Aldenir/Agora RN

O cenário reforça o ambiente de crédito restritivo em um contexto de política monetária ainda contracionista, que encarece o capital e reduz o ímpeto de investimento produtivo.

Burocracia e garantias elevam barreiras

Além do custo, a burocracia aparece como fator relevante de restrição. As exigências de garantias reais foram citadas por 33% das empresas nas operações de curto e médio prazo e por 50% nas de longo prazo, que também demandam elaboração formal de projetos de investimento.

Diante dessas barreiras, parte significativa das indústrias optou por não buscar financiamento. De acordo com a sondagem, 63% das empresas não procuraram crédito de curto ou médio prazo, enquanto 77% deixaram de recorrer a linhas de longo prazo.

O levantamento indica que, quando contratado, o crédito é direcionado prioritariamente à modernização produtiva. Metade das empresas que tomaram recursos de curto e médio prazo utilizou-os para aquisição de máquinas e equipamentos. Outros 33% destinaram os valores ao pagamento de obrigações tributárias e previdenciárias, e 17% ao capital de giro.

No longo prazo, todas as operações tiveram como finalidade investimentos em máquinas e equipamentos, sinalizando foco em ganho de produtividade e renovação do parque fabril.

Bancos de desenvolvimento lideram concessões

Os bancos de desenvolvimento figuram como as principais fontes de financiamento. Eles foram utilizados por 50% das empresas nas operações de curto e médio prazo e por 100% das indústrias no crédito de longo prazo. Em metade dos casos, houve complementação com recursos de bancos comerciais.

Quanto à aprovação das operações, 66% das empresas obtiveram exatamente o valor solicitado no curto e médio prazo, e 17% receberam montante superior ao pleiteado. No longo prazo, porém, apenas metade conseguiu o volume integral de recursos demandado.

IOF e custos administrativos influenciam decisão

A sondagem também aponta impacto direto dos custos tributários na decisão de contratar financiamento. Para 50% das empresas, a redução de encargos administrativos — como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) — seria a principal medida para melhorar o acesso ao crédito. Outros 33% defendem ampliação de linhas públicas e simplificação das exigências bancárias.

O aumento do IOF já teve efeito concreto sobre as decisões empresariais: 33% das indústrias afirmaram ter sido impactadas negativamente, sendo que 18% desistiram da contratação e 15% reduziram o valor solicitado.

Endividamento elevado e baixa adesão a alternativas

O levantamento revela ainda que 30% das empresas consideram estar no limite desejável de endividamento, enquanto 22% afirmam estar acima do nível considerado adequado.

Modalidades alternativas de financiamento seguem com baixa adesão. Apenas 11% das indústrias utilizaram operações de risco sacado nos últimos 12 meses, e 67% não pretendem recorrer a esse instrumento.

Na avaliação da Fiern, o conjunto dos dados indica que o elevado custo do capital, somado à carga tributária e à burocracia, restringe a capacidade de investimento da indústria potiguar e limita o potencial de expansão da atividade produtiva no Estado.