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Negócios

‘Internacionalizar deixou de ser luxo’, diz advogado sobre estratégia de empresas

Especialista em operações transnacionais, Godke explica por que empresas potiguares buscam EUA e Europa e aponta caminhos para que negócios do RN se preparem para competir no cenário global
Redação
13/11/2025 | 05:50

Com atuação no Brasil, nos Estados Unidos e em Portugal, o advogado Marcelo Godke tem acompanhado de perto o movimento crescente de empresas potiguares interessadas em expandir suas operações para além das fronteiras brasileiras.

Sócio do Godke Advogados e com mais de quinze anos de experiência em mercados internacionais, ele afirma que a internacionalização já não é mais um projeto restrito a grandes grupos empresariais — tornou-se um passo estratégico para negócios de diferentes portes que desejam acompanhar clientes, captar investimentos e acessar mercados mais competitivos.

‘InteRio Grande do Norteacionalizar deixou de ser luxo’, diz advogado sobre estratégia de empresas
Marcelo Godke detalha oportunidades, desafios e caminhos para empresas potiguares - Foto: Reprodução

Em entrevista ao AGORA RN, Godke detalha oportunidades, desafios e caminhos para que empresas do Rio Grande do Norte se posicionem de forma sólida no cenário global.

AGORA RN – O que motiva empresas e empresários do Rio Grande do Norte a olhar para mercados como Estados Unidos e Europa?

MARCELO GODKE – A motivação principal é acompanhar o cliente onde quer que ele esteja. Muitos empresários potiguares já têm clientes, fornecedores ou investidores fora do Brasil e, com isso, a internacionalização deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade. Além disso, o mercado interno brasileiro tem limites de crescimento; expandir para os EUA ou para a Europa significa acessar consumidores, capital e tecnologias em escala global.

AGORA RN – Quais as principais vantagens de escolher os Estados Unidos e Portugal como destinos para internacionalizar negócios?

MARCELO GODKE – Os Estados Unidos são o maior mercado de capitais e de consumo do mundo. Para setores como energia, tecnologia, agronegócio e turismo, que têm força no RN, estar nos EUA significa ganhar visibilidade e competitividade. Já Portugal é uma porta de entrada para a União Europeia e, ao mesmo tempo, um ponto de conexão natural com o Brasil e outros países lusófonos. Ele permite que o empresário brasileiro se projete na Europa com familiaridade cultural e jurídica.

AGORA RN – Quais são os maiores desafios nesse processo de internacionalização?

MARCELO GODKE – O primeiro desafio é entender que não basta “abrir uma empresa” lá fora. É preciso conhecer o ambiente regulatório, tributário e cultural de cada país. Outro ponto é a adaptação da gestão: uma empresa internacionalizada precisa operar com padrões de governança que atendam a investidores e parceiros estrangeiros. Por fim, há o desafio de construir uma rede de confiança — trabalhar com advogados, contadores e consultores locais é fundamental para evitar erros estratégicos.

AGORA RN – Como o seu trabalho pode ajudar empresas potiguares nesse processo?

MARCELO GODKE – Nosso escritório tem mais de quinze anos de presença nos Estados Unidos e, desde 2019, em Portugal. Essa experiência nos permite oferecer um caminho mais seguro para o empresário que deseja se internacionalizar. Nós ajudamos a estruturar holdings, subsidiárias, veículos de investimento e também assessoramos em negociações transnacionais. O objetivo é sempre dar previsibilidade jurídica, reduzir riscos e garantir que o empresário esteja preparado para competir em um ambiente global.

AGORA RN – A sua formação é bastante internacional. De que forma isso impacta no trabalho que o senhor oferece aos clientes?

MARCELO GODKE – Eu tive a oportunidade de estudar em diferentes sistemas jurídicos. Fiz mestrado na Universidade de Leiden, na Holanda, outro mestrado na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e doutorado em Direito Comercial pela USP. Essa formação me deu uma visão comparada rara entre advogados brasileiros. Quando um cliente chega com uma operação que envolve múltiplas jurisdições, consigo traduzir as diferenças legais e culturais de forma prática, ajudando a tomar decisões mais seguras e estratégicas.

AGORA RN – E em relação à sua experiência internacional, quais pontos o senhor destaca como mais relevantes?

MARCELO GODKE – A experiência prática é tão importante quanto a acadêmica. Atuei em casos de arbitragem internacional, em operações transfronteiriças e na estruturação de investimentos que envolvem diferentes países. Além disso, meu escritório mantém contato próximo com bancas nos EUA, na Europa e na América Latina. Essa vivência me permite trazer soluções que não ficam restritas a uma jurisdição, mas que se alinham ao que há de mais avançado em termos de práticas jurídicas globais.

AGORA RN – Quais áreas da economia potiguar têm maior potencial para atrair investidores estrangeiros?

MARCELO GODKE – O Rio Grande do Norte é muito forte em energias renováveis, agronegócio, turismo e tecnologia. São setores que naturalmente despertam interesse internacional. O que falta muitas vezes é estruturar o negócio de forma a torná-lo atrativo para o investidor global. Quando o empresário organiza sua governança e cria a ponte jurídica adequada, o capital estrangeiro chega com muito mais facilidade.

AGORA RN – Como a internacionalização pode fortalecer o próprio estado do RN?

MARCELO GODKE – Cada empresa potiguar que se projeta no exterior acaba levando consigo a imagem do estado. Isso abre portas para outros empresários e cria um ciclo virtuoso: o investidor que já teve uma boa experiência com uma empresa do RN passa a olhar para a região como um todo. É uma forma de colocar o estado no mapa global dos negócios, ampliando as oportunidades para todos.

AGORA RN – Que mensagem o senhor deixaria para os empresários locais que ainda veem a internacionalização como algo distante?

MARCELO GODKE – Internacionalizar não é um sonho inalcançável. Com planejamento e assessoria adequada, qualquer empresa pode dar esse passo — seja uma startup, uma empresa de médio porte ou um grupo já consolidado. O importante é pensar de forma estratégica e se preparar. A advocacia está aí justamente para ajudar nesse caminho, reduzindo riscos e abrindo portas. O RN tem enorme potencial para se destacar no cenário global, e acredito que veremos cada vez mais empresas da região atuando sem fronteiras.