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Revelação
Governo Trump obrigou Apple a entregar dados de congressistas democratas
Revelação feita pelo New York Times foi confirmada por deputados e integrantes do atual Departamento de Justiça; senadores e inspetor-geral querem investigar uso de ferramentas judiciais para obter dados privados
O Globo
12/06/2021 | 14:32

O Departamento de Justiça e congressistas dos EUA anunciaram o início de investigações sobre as denúncias de que o governo do ex-presidente Donald Trump (2017-2021) pediu à gigante da tecnologia Apple os dados privados de deputados, assessores e seus parentes, em uma ação para descobrir a origem do vazamento de informações confidenciais à imprensa.

Segundo o New York Times, que publicou a informação na quinta-feira, o então secretário de Justiça, Jeff Sessions, obrigou, através de ordens judiciais, a Apple a fornecer informações privadas dos deputados Adam Schiff e Eric Swalwell, ambos democratas e integrantes da Comissão de Inteligência – além deles, assessores da comissão, além de seus parentes, também tiveram os dados compartilhados com o Departamento de Justiça a partir de 2017. Os dois foram protagonistas do primeiro julgamento de impeachment contra Donald Trump, em 2019 .

Todos os confiramam terem sido informados, mas só recentemente, sobre o compartilhamento dos dados. Sessions, como conta o New York, queria descobrir a origem dos vazamentos de informações relacionadas aos laços entre Trump e a Rússia, em meio às denúncias de interferência de Moscou na eleição de 2016.

– Espero que cada promotor caso neste caso seja expulso do departamento – afirmou Swalwell, em entrevista nesta sexta. – Isso cruza a linha do que nós fazemos neste país.

Muito embora esse tipo de investigação sobre vazamentos seja comum no Departamento de Justiça, a vigilância sobre congressistas e seus assessores não é usual, e acendeu um alerta em Washington, dias depois da revelação de que dados privados de jornalistas também foram recebidos pelo governo Trump .

Nesta sexta-feira, o inspetor-geral do departamento, Michael Horowitz, anunciou um inquérito sobre a obtenção dos dados dos congressistas e seus assessores, além de deixar em aberto a possibilidade de uma investigação sobre as ações contra os jornalistas do Washington Post, CNN e New York Times.

“Essa revisão examinará a observância por parte do departamento com as políticas e procedimentos aplicáveis, e se o seu uso, ou como investigações próprias, foram baseadas em consideraçõesprias”, escreveu Horowitz, em comunicado. Mais cedo, a vice-procuradora-geral, Lisa Monaco, também mencionou o caso de crítica.

‘Aparelhamento da Justiça’

A denúncia também foi recebida com indignação no Congresso, onde os democratas do Senado anunciaram que vão investigar o caso por conta própria e pedir o depoimento de funcionários e ex-funcionários do departamento, incluindo do secretário antigo, William Barr.

– Essa questão não deve ser partidária. O Congresso é um dos poderes do governo e deve ser protegido de um Executivo expansionista, e esperamos que nossos colegas republicanos se unam a nós para chegarmos ao fundo deste assunto sério – afirmaram os senadores democratas Chuck Schumer e Richard Durbin. Até o momento não houve resposta por parte da minoria republicana.

Na Câmara, muito embora não haja uma movimentação para investigar o caso, as reações também foram negativas. A presidente da Casa, a democrata Nancy Pelosi, disse que se tratava de um caso “horroroso”, e o considerou um “outro ataque à nossa democracia por parte do ex-presidente”. No Twitter, Schiff, que preside a Comissão de Inteligência desde 2019, sugeriu que Trump assumiu o Departamento de Justiça para “perseguir seus inimigos”, citando a investigação sobre o vazamento, já encerrada de “exemplo do aparelhamento corrupto da Justiça” e de como ele “colocou nossa democracia em perigo”.

A investigação a que se referia Schiff, mantida em segredo até algumas semanas, buscava encontrar a origem do vazamento à imprensa de uma série de dados e conversas sobre as relações entre Trump e a Rússia, mais tarde alvo de um inquérito mais amplo que levou uma série de aliados do ex-presidente à cadeia, mas não a um processo de impeachment .

Além dos deputados e assessores, jornalistas tiveram suas informações privadas em um esforço para identificar fontes, algo visto como inconstitucional por juristas. Mesmo com as invasões, os procuradores não chegaram a qualquer conclusão ou culpos, e o caso chegou a ser arquivado, antes de ser retomado por William Barr. Nenhum dos comprometidos se pronunciou sobre a denúncia do New York Times.

A Apple, que apenas informou aos investigados que suas informações estavam sendo compartilhadas com o Departamento de Justiça, após a emissão de intimações judiciais, garante que apenas alguns dados e informações de conta foram revelados, o que não inclui conversas, fotos e arquivos.

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