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Pátria Voluntária
Governo Bolsonaro repassou a programa de Michelle R$ 7,5 milhões doados para testes de Covid
Segundo o jornal, no dia 23 de março, a Marfrig, um dos maiores frigoríficos do país, anunciou que doaria o valor milionário ao Ministério da Saúde para a compra de 100 mil testes rápidos. Em julho, de acordo com a própria Marfrig, o destino do dinheiro transferido ao governo mudou
Redação/Folha
01/10/2020 | 09:53

O governo de Jair Bolsonaro repassou um valor de R$ 7,5 milhões que haviam sido doados especificamente para compra de testes rápidos de Covid-19 ao programa Pátria Voluntária, que é coordenado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro. As informações são da Folha de S.Paulo.

Segundo o jornal, no dia 23 de março, a Marfrig, um dos maiores frigoríficos do país, anunciou que doaria o valor milionário ao Ministério da Saúde para a compra de 100 mil testes rápidos. Naquele momento, o país passava pelo início da pandemia do novo coronavírus e encontrava dificuldade em testar a população, prática estimulada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Em 20 de maio, a Casa Civil informou à Folha que o dinheiro seria usado com “fim específico de aquisição e aplicação de testes de Covid-19.

No início de julho, contudo, a gestão Bolsonaro realizou uma consulta sobre a possibilidade de utilizar a verba não mais para os testes, mas em outras ações de combate à pandemia. Os recursos acabaram então nos cofres do projeto Arrecadação Solidária, vinculado ao Pátria Voluntária.

O mesmo veículo denunciou que o programa liderado por Michelle Bolsonaro realizou repasses, sem edital de concorrência, a instituições missionárias evangélicas ligadas a Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos humanos.

De acordo com a folha, os R$7,5 milhões da Marfrig representam quase 70% da arrecadação do programa.

À época, o frigorífico anunciou a ajuda e citou o Ministério da Saúde. “Esperamos que nossa iniciativa seja seguida por outras companhias brasileiras”, disse o presidente do conselho de administração da empresa, Marcos Molina.

De acordo com a Marfrig, a Casa Civil enviou um “comunicado oficial” com detalhes sobre o programa de voluntariado e informando que os valores doados seriam depositados numa conta da Fundação do Banco do Brasil, gestora dos recursos da Pátria, “com fim específico de aquisição e aplicação de testes de Covid-19″.

Dias depois, a empresa doadora realizou a transferência do valor seguindo as orientações da Casa Civil, de acordo com a Folha.

Em julho, de acordo com a própria Marfrig, o destino do dinheiro transferido ao governo mudou. A empresa diz ter sido consultada sobre a possibilidade de destinar a verba para outras “ações de combate aos efeitos socioeconômicos da pandemia”.

“Como a ação estava diretamente ligada à mitigação dos danos causados pela pandemia, a Marfrig concordou com a nova destinação dos recursos doados”, conforme relatou à Folha.

Questionada pelo jornal, a Casa Civil ainda não se posicionou. O programa liderado por Michelle Bolsonaro, segundo a Folha, já utilizou R$ 9 milhões dos cofres públicos em publicidades pagos pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

Criado por decreto de Bolsonaro, em julho de 2019, o Pátria Voluntária tem como objetivo fomentar a prática do voluntariado e estimular o crescimento do terceiro setor, arrecadando dinheiro de instituições privadas e repassando para organizações sociais.

*Com informações da Folha

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