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Combustíveis

Gasolina e diesel subiram menos no Brasil do que no mercado internacional

Estudo do Ineep aponta que altas da gasolina e do diesel no Brasil ficaram abaixo da média internacional durante período de tensão geopolítica envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel
Por O Correio de Hoje
22/06/2026 | 12:29

Os preços da gasolina e do diesel registraram aumentos inferiores aos observados no mercado internacional durante o período de escalada das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep). O estudo compara a evolução dos combustíveis entre 23 de fevereiro e 8 de junho e aponta que o mercado brasileiro apresentou menor pressão inflacionária do que economias como Estados Unidos e Argentina.

De acordo com os dados, a gasolina acumulou alta média de 17,5% no mercado internacional, enquanto o diesel avançou 23,3%. No Brasil, os aumentos foram de 4,9% para a gasolina e de 13,6% para o diesel. O levantamento foi elaborado pelo centro de estudos ligado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

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Apesar das elevações de preços durante a escalada da guerra, Brasil foi um dos países menos atingidos - Foto: José Aldenir

A diferença torna-se mais evidente na comparação com outros países. Nos Estados Unidos, maior consumidor mundial de derivados de petróleo, a gasolina subiu 36,1% e o diesel, 36,8% no período analisado. Na Argentina, principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, as altas alcançaram 21,1% e 23,7%, respectivamente. Segundo o Ineep, a política de preços adotada pelo governo federal e mecanismos de subsídio ajudaram a reduzir os impactos da volatilidade internacional sobre o mercado doméstico.

“As medidas emergenciais adotadas para conter os efeitos do choque do petróleo sobre os preços dos combustíveis foram muito importantes”, afirma o instituto em nota divulgada na nova edição do Boletim de Preços dos Combustíveis. Apesar da avaliação positiva, o centro de estudos considera que as ações têm alcance limitado para resolver problemas estruturais do setor energético brasileiro.

Na análise do Ineep, a redução da dependência do mercado interno em relação às oscilações internacionais exige medidas permanentes. O instituto defende uma estratégia baseada na ampliação da capacidade nacional de refino, no fortalecimento da Petrobras e na retomada de participação da estatal em segmentos considerados estratégicos da cadeia de abastecimento, especialmente na distribuição de combustíveis.

O período analisado pelo levantamento coincide com uma fase de forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio. Entre os eventos considerados estão o início das operações militares contra o Irã, a morte do líder religioso Ali Khamenei, a interrupção temporária da navegação no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de transporte de petróleo — e o início de negociações diplomáticas entre Teerã e Washington.

Além dos combustíveis fósseis, o estudo aponta comportamento distinto para o etanol hidratado. O biocombustível apresentou queda de 7,3% no período, movimento atribuído ao início da safra 2026/2027 da cana-de-açúcar e ao aumento da oferta no mercado interno. Segundo o Ineep, a redução ocorreu em intensidade superior à observada em ciclos anteriores, contribuindo para amenizar os custos do transporte em parte do País.