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Economia

EUA negam intenção de acabar com o Pix após tarifaço, mas cobram “igualdade” para empresas americanas

Governo Trump afirma reconhecer a importância do sistema de pagamentos para os brasileiros, mas critica tratamento dado a empresas dos Estados Unidos e cobra condições iguais de concorrência
Redação
16/07/2026 | 09:38

Os Estados Unidos afirmaram que não pretendem acabar com o Pix, apesar de o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos ter sido incluído na investigação comercial da Seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A declaração ocorre após o governo norte-americano confirmar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo um alto funcionário do governo do presidente Donald Trump, o objetivo da investigação não é extinguir o Pix, mas garantir que empresas americanas não sejam colocadas em desvantagem competitiva em relação ao sistema operado pelo Banco Central.

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Pix entrou na investigação comercial dos Estados Unidos, mas governo Trump afirmou que não pretende extinguir o sistema de pagamentos brasileiro Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

De acordo com o representante, os Estados Unidos reconhecem a importância do Pix para a economia brasileira, mas defendem que empresas privadas possam competir em condições consideradas equivalentes.

“O governo americano não quer que empresas dos EUA sejam obrigadas a promover ou utilizar o Pix. A expectativa é que o sistema concorra em igualdade de condições com outras soluções de pagamento”, afirmou o integrante da administração Trump, segundo a Folha de S.Paulo.

Pix entrou na investigação comercial

O Pix foi citado durante a investigação da Seção 301, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas desleais.

Durante as audiências, representantes brasileiros e americanos defenderam o sistema, argumentando que ele ampliou a concorrência no mercado de pagamentos, reduziu custos para consumidores e empresas e impulsionou a inovação, beneficiando inclusive companhias norte-americanas.

Mesmo assim, autoridades brasileiras descartaram qualquer possibilidade de negociação envolvendo o sistema de pagamentos.

Governo brasileiro reage

Após o anúncio do tarifaço, o governo federal voltou a defender o Pix e classificou a ferramenta como um patrimônio nacional.

Em nota, afirmou que o sistema é uma referência internacional em infraestrutura pública digital e que o Brasil não pretende abrir mão da sua política de inovação financeira.

Principal meio de pagamento do país

Lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros.

Entre os principais números do sistema estão:

  • Mais de 170 milhões de usuários cadastrados;
  • 313,3 milhões de transações em um único dia, recorde registrado em dezembro de 2025;
  • Funcionalidades como Pix Agendado, Pix por Aproximação e Pix Automático.

Disputa também envolve gigantes do setor

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, autoridades brasileiras avaliam que as críticas ao Pix também refletem a preocupação de grandes empresas do setor financeiro, como Visa e Mastercard, diante do avanço de sistemas públicos de pagamento instantâneo.

Na visão do governo brasileiro, a expansão de modelos semelhantes em outros países pode reduzir a dependência das bandeiras internacionais e aumentar a concorrência no mercado global de pagamentos.