Vinte e quatro anos após o assassinato que chocou o país, Suzane von Richthofen, hoje com 42 anos, voltou a falar sobre o crime em um documentário produzido pela Netflix. Condenada a 39 anos de prisão e atualmente em regime aberto, ela apresenta sua versão dos fatos, relembra a relação com a família e expõe aspectos da vida atual.
Na produção, Suzane afirma que enxerga uma ruptura entre o passado e o presente. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais. Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”, declarou.

Com o título provisório “Suzane vai falar”, o documentário teve pré-estreia restrita e ainda não possui data oficial de lançamento. Ao longo do relato, ela descreve o ambiente familiar como marcado por distanciamento emocional e conflitos constantes. Segundo Suzane, o pai, Manfred von Richthofen, demonstrava ausência de afeto, enquanto a mãe, Marísia von Richthofen, expressava carinho de forma esporádica.
Ela também relata episódios de violência doméstica presenciados na infância, incluindo uma discussão em que afirma ter visto o pai agredir a mãe. De acordo com Suzane, o ambiente contribuiu para o afastamento familiar e para a aproximação com Daniel Cravinhos.
O relacionamento, no entanto, não era aceito pelos pais, o que teria intensificado os conflitos dentro de casa. Suzane relata episódios de discussões frequentes, mentiras e até agressões físicas. Segundo ela, o período em que os pais viajaram para a Europa marcou uma mudança na dinâmica, quando passou a conviver mais intensamente com Daniel.
Sobre o crime ocorrido em outubro de 2002, executado por Daniel e seu irmão, Cristian Cravinhos, Suzane afirma que não participou diretamente da execução, mas reconhece responsabilidade. “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha”, disse.
Ela relata que, no momento do assassinato, permaneceu no andar de baixo da residência, enquanto os pais eram mortos. Suzane descreve seu estado emocional como dissociado, afirmando que não reagiu nem tentou impedir a ação.
No documentário, ela também contesta a versão da delegada Cíntia Tucunduva, que afirmou tê-la visto em uma festa dias após o crime. Suzane nega o relato e diz que a casa ainda apresentava sinais do assassinato.
A produção ainda mostra a rotina atual da condenada, incluindo o relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem se casou após contato pelas redes sociais. O filme traz cenas da convivência familiar, incluindo momentos com o filho e as enteadas.
Suzane também relata que segue sendo reconhecida em locais públicos e diz conviver com a exposição até hoje. Apesar disso, afirma se considerar uma pessoa diferente daquela envolvida no crime.