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Eleições 2022: Ciro e Haddad elevam troca de críticas e colocam em xeque frente contra Bolsonaro no 1° turno
Falas das principais lideranças do PDT e do PT praticamente enterram unidade da esquerda no primeiro turno, faltando um ano e meio para as eleições presidencial
O Povo
03/03/2021 | 16:37

O projeto de formar uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no primeiro turno das eleições de 2022 vem tornando-se uma realidade cada vez mais distante. Isso porque o racha entre petistas e pedetistas se intensificou nos últimos dias após falas de lideranças de ambos os partidos que acentuaram o distanciamento entre as legendas.

Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), prováveis candidatos à Presidência em 2022, protagonizaram novos episódios da série de descompassos entre as siglas. Na semana passada, Ciro afirmou que seu objetivo “é necessariamente derrotar o PT no primeiro turno das eleições”.

Dias depois, Haddad, autorizado pelo ex-presidente Lula a por “o bloco na rua” como pré-candidato a presidente, colocou o pedetista no rol de candidatos da direita ao ser questionado sobre fragmentação da esquerda. “A direita tem o Ciro, Moro, Mandetta, Huck, Doria, qual é o problema? Isso tudo tem um ano e meio para se discutir. Não faz sentido inibir uma pessoa de se apresentar”.

Carlos Lupi, presidente Nacional do PDT, rebateu: “Estimado Fernando Haddad, Ciro tem um projeto de nação consolidado, profundamente nacionalista, defendendo os trabalhadores e os direitos sociais. Se isso não é ser de esquerda, o que é? Dar mais dinheiro aos bancos que FHC (Fernando Henrique Cardoso)?”, questionou nas redes sociais, referindo-se aos lucros obtidos por bancos nos governos de Lula e Dilma.

Já o presidente do PT no Ceará, Antônio Filho, o Conin, defende a continuidade da ideia de frente ampla e o fim dos ataques entre atores políticos da esquerda. Para ele, o campo progressista precisa fazer o “esforço para dialogar” respeitando a legitimidade de cada partido.

“O mais importante é livrar o País dessa tragédia nacional que é o governo Bolsonaro. O interesse do Brasil está acima das nossas relações”, diz.

Conin sugere que a disputa pelo status de candidato anti-Bolsonaro é prejudicial à discussão. “Se pudermos fazer (a frente ampla) no primeiro turno, ótimo. Se não (for possível), vamos ver quem vai ao segundo turno, onde precisaremos nos unir”, declarou, enumerando pautas convergentes entre PT e PDT, como a defesa da democracia, da ciência e da vacinação contra a Covid-19.

Paula Vieira, cientista política vinculada ao Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem-UFC), explica que, historicamente, a prática política no Brasil prioriza a pluralidade de ideias e que os primeiros turnos eleitorais são naturalmente competitivos. “Na hora que falamos de frente ampla de cara no 1° turno estamos anulando essa competitividade”, pontua.

A pesquisadora ressalta que as alianças políticas precisam ser feitas dentro de um projeto de País e a partir de consensos. “Se a gente constrói uma frente sem ter um projeto político, se o projeto for derrotar o opositor, entramos num problema futuro. Uma consequência que é: qual vai ser o projeto de governo do país?”, questiona, afirmando que a atual ideia de frente ampla é natimorta por ser inviável dentro da prática política brasileira.

Vieira destaca ainda as intencionalidades nas falas recentes de Ciro, que reforça seu desejo de “ser presidente”, e de Haddad que “marca a posição do PT como esquerda oficial”. “No governo Dilma, a partir do nível de consenso construído à época, uma parte da esquerda começou a questionar que o PT era um partido migrando mais para o centro”, explica, analisando a fala de Haddad.

Com isso, a Frente anti-Bolsonaro parece improvável, ao menos no primeiro turno, a cerca de um ano e meio da eleição.

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