BUSCAR
BUSCAR
Avaliação
‘É óbvia a contradição do discurso de Bolsonaro como candidato e a prática do presidente hoje’, diz ACM Neto
Presidente do DEM diz que prioridade do partido é construir candidatura própria em 2022 e afirma que Lula faz 'parte de um Brasil que passou'
O Globo
30/07/2021 | 13:26

Ao analisar a nomeação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para a Casa Civil, o presidente do partido DEM, ACM Neto, avalia que “é óbvia a contradição” entre o discurso de Jair Bolsonaro quando era candidato em 2018 e a postura que tem adotado como presidente da República. “Houve no passado todo um discurso condenando partidos que, neste momento, se tornam essenciais para a sustentação do governo. Ele se rendeu ao pragmatismo político”, afirma Neto ao GLOBO. Para o dirigente do DEM, Bolsonaro decidiu reforçar a sua aliança com o Centrão para “criar bases para o projeto de reeleição em 2022”.

Cortejado por pré-candidatos a presidente, Neto diz que a prioridade da legenda neste momento é construir uma candidatura própria. Segundo ele, há dois nomes que despontam como opções no DEM: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o senhor avalia a caminhada de Bolsonaro cada vez mais rumo ao Centrão, grupo político que ele criticava duramente antes de se eleger?

É óbvio que há uma contradição do discurso do candidato de 2018 e a prática do presidente hoje. E o que justifica isso é o pragmatismo político que o presidente vem adotando nas suas decisões. Não há como não se evidenciar essa contradição entre discurso e prática. Eu, ACM Neto, nunca tratei nenhum partido com preconceito. Por que fica evidente a contradição do presidente? Porque houve no passado todo um discurso condenando partidos que, neste momento, se tornam essenciais para a sustentação do governo. Ele se rendeu ao pragmatismo político.

E qual o objetivo desse pragmatismo político de Bolsonaro?

(Risos) Desde manter uma maioria sólida no Congresso até criar bases para o projeto de reeleição em 2022.

O DEM descarta apoiar Bolsonaro em 2022?

Não tenho que descartar. Qualquer resposta minha tem que traduzir a maioria do partido. Começamos a discutir 2022, analisar pesquisas, avaliar a situação de cada estado. O DEM tem como prioridade tentar construir candidatura própria a presidente. Temos dois nomes que reúnem as melhores condições: Mandetta e Rodrigo Pacheco. Estamos dialogando com um conjunto de partidos sobre a possibilidade de construir um projeto comum. Será natural que até o fim do ano ainda tenhamos muitos nomes lembrados no tabuleiro. Vamos avaliar se é possível ou não construir articulação política mais ampla. A decisão desses partidos (da chamada terceira via) só deverá ser tomada em 2022.

Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo
Os planos de Doria podem esbarrar nas articulações de grupo de tucanos para lançar o governador do RS, Eduardo Leite, à Presidência Foto: Gustavo Mansur / Agência O Globo
Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas
Após anulação as condenações na Lava-Jato, Lula reestabeleceu os direitos políticos e poderá concorrer em 2022. Lideranças do PT dizem que Lula só não sai candidato se ele quiser Foto: Edilson Dantas
O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu:
O presidente Jair Bolsonaro cada vez se mostra mais claramente candidato à reeleição. Em visita à Câmara, em fevereiro, após ser xingado por deputados da oposição, ele respondeu: “Nos encontramos em 22”. Foto: Isac Nóbrega/PR
A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo
A atuação de Luiz Henrique Mandetta no Ministério da Saúde e a visibilidade que ganhou na época fizeram o Dem cogitar lançar o nome dele em candidatura própria em 2022 Foto: Jorge William / Agência O Globo
Antes da decisão que possibilita Lula se candidatar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018
Antes da decisão que possibilita Lula se candidatar, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi aconselhado pelo ex-presidente a rodar o país se apresentando como pré-candidato Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo 23/10/2018
Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo
Terceiro colocado nas últimas eleições, Ciro Gomes quer ser a opção da esquerda para derrotar Bolsonaro em 2022 Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / Agência O Globo
O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo
O governador de São Paulo tem se colocado como opção de centro direita a Bolsonaro, não evitando o embate com o presidente, de olho em 2022 Foto: Fotoarena / Agência O Globo
Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo
Após ir para o segundo turno na eleição para a Prefeitura de São Paulo com votação expressiva, Guilherme Boulos se cacifou para concorrer novamente para presidente Foto: Marcio Alves / Agência O Globo
O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil
O governador do Maranhão, Flávio Dino, defende a criação de uma frente ampla de esquerda e seu nome é um dos catados para essa coligação Foto: 11/01/2013 / Agência Brasil
Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil
Desde que saiu do governo brigado com o presidente, o nome do ex-juiz Sergio Moro é cotado para 2022 Foto: Fabio Pozzebom / Agência Brasil
Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg
Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, começou a ser assediada por líderes partidários para participar de composições de chapa para disputa à Presidência. Pelo menos três legendas já enviaram emissários para discutir o assunto com a ela Foto: Patricia Monteiro / Bloomberg
Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Candidato a presidente pelo Novo em 2018, João Amoêdo planeja se candidatar novamente em 2022, mas enfrenta resistências no partido Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Senador Tasso Jereissati se colocou como opção do PSDB para a Presidência em 2022 e ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Senador Tasso Jereissati se colocou como opção do PSDB para a Presidência em 2022 e ganhou o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senhor acredita, então, na quebra da polarização entre Lula e Bolsonaro?

Para mim, o jogo não está jogado. As pesquisas de agora retratam mais o passado que o futuro. É natural que, faltando muito tempo para a eleição, as duas figuras com maior recall (mais conhecidas) pontuem na liderança das pesquisas. Chegará um momento em que o eleitor vai começar a se ligar no processo eleitoral. Quando entrar na agenda, vai parar e observar as outras opções colocadas.

O senhor pontuou diferenças em relação a Lula e Bolsonaro. Na sua opinião, qual foi o principal erro de Lula?

Teríamos que conversar uma tarde inteira sobre isso. Não enxergo apenas defeitos, mas, honestamente, acho que Lula, com virtudes e defeitos, faz parte de um Brasil que passou.

E qual foi o principal erro de Bolsonaro?

O maior erro do governo tem sido a condução da pandemia. Acho que o governo errou muito mais do que acertou. Desde uma postura de negação logo no início da Covid-19, passando por uma falta de articulação com estados e municípios para que houvesse enfrentamento conjunto desse terrível inimigo e chegando à falta de planejamento para vacinação.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que ‘o povo vai reagir’ se não for instaurado o voto impresso na eleição do ano que vem. Qual a sua opinião sobre essa ameaça?

Entendo que o sistema brasileiro com a urna eletrônica é um dos mais avançados do mundo. Não existe evidência concreta de fraude nas eleições. Nenhuma. Hoje, essa discussão transcende o debate partidário ou a disputa política. O que está em jogo é a defesa da democracia em si. A insegurança que poderíamos viver a partir de uma dúvida sobre o sistema eleitoral é algo que não contribui em nada com o país neste momento. O sistema atual já é auditável. Os candidatos e partidos precisam se organizar para acompanhar melhor cada passo desse processo.

O senhor teme que, em caso de derrota, Bolsonaro possa alegar que houve fraude?

Espero que não. Espero que o discurso dele seja resultado de uma convicção como muitos brasileiros têm, mas que, a meu ver, é equivocada. Não acredito que o presidente queira dar um golpe. A democracia brasileira passou por testes muito duros nos últimos anos como o impeachment da Dilma (Rousseff), turbulências no governo Temer, processo eleitoral atípico em 2018, Lava-Jato…E as instituições estão fortes. Graças a Deus, temos uma imprensa livre e que cumpre seu papel. Temos uma sociedade muito consciente. Não vejo nenhum risco à democracia ou de quebra institucional.

Qual o seu projeto político pessoal para o ano que vem?

Só tenho em mente uma alternativa: me preparar para disputar o governo da Bahia. Meu desejo é ser governador. Na Bahia tenho um conjunto de partidos que me acompanham desde 2012, quando me elegi prefeito. E ampliei isso em 2016 e em 2020 com a eleição do atual prefeito, Bruno (Reis). Na Bahia, temos quadro de polarização com o PT e parceria com PSDB, Republicanos, PSL , PL e PDT.

Há chance de o DEM se fundir com PP e PSL para a criação de um ‘superpartido’?

Essa não é uma discussão no DEM. Nosso foco no momento é ter um bom desempenho na eleição do próximo ano ampliando a bancada na Câmara e no Senado, o número de governadores e, a depender, com consolidação de candidatura à presidência. O que surgiu em relação ao ‘superpartido’ é fruto de especulação.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.