A diferença nas votações foi de 25,4 pontos percentuais, ou 9 pontos a menos que na última eleição.
Ainda assim, o Nordeste foi o grande fiador da vitória lulista. Vieram da região 37,3% dos votos do petista-maior percentual em um pleito que elegeu um candidato do PT-, embora tenha 27% dos eleitores do país. No resultado geral do país, Lula venceu a eleição em 13 dos 27 estados, dos quais só quatro estão fora do Nordeste: Minas Gerais, Tocantins, Amazonas e Pará.

Já Bolsonaro ficou na frente em 14, contando o Distrito Federal. O presidente eleito teve 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% do adversário.
Grande parte da melhora de Lula nas demais regiões é explicada pelo seu desempenho no Sudeste. Apesar de só ter tido maioria em Minas Gerais, e ainda assim com votação apertada (50,2%), o petista teve na região 7,8 milhões de votos a mais que Haddad. Vieram do Sudeste 37,8% dos votos que o ex-presidente teve neste segundo turno -quase o mesmo valor que o Nordeste, embora tenha quase o dobro do eleitorado. Boa parte desse avanço se deu em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. No estado, Lula obteve 4,3 milhões de votos a mais que Haddad em 2018. Já Bolsonaro perdeu 1,1 milhão de votos.
O petista contou com o palanque de Haddad, que tentava o governo estadual paulista. Ele perdeu para o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi ministro da Infraestrutura do atual governo. Apesar do aumento da votação do PT, o Sudeste teve a maior fatia da votação de Bolsonaro, respondendo por quase a metade (46%) dos 58,2 milhões de votos que recebeu. Do Sul vieram outros 19%.
Já o Nordeste deu a Bolsonaro 17% dos seus votos. Embora tenha conseguido 1,1 milhão de votos a mais que em 2018, o presidente teve dificuldade em obter palanques na região em razão da relutância de candidatos aos governos estaduais em declarar apoio e se desgastarem com o eleitorado petista de seus estados.
A disparidade entre as regiões neste ano também é menor que em 2010, quando Dilma Rousseff (PT) foi eleita para o segundo mandato. Sua votação no Nordeste foi 27,3 pontos percentuais maior que o resultado nas demais regiões.
A menor diferença, por sua vez, foi em 2002, quando Lula foi eleito pela primeira vez. O petista teve 61,5% das preferências entre nordestinos e 61,2% no restante do país (distância de apenas 0,3 ponto percentual).