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Dezembro Verde
Demanda em abrigo de pets em Natal dobra por conta da pandemia
No mês de combate aos maus-tratos contra animais, uma entidade local ressalta a importância da adoção responsável
Redação
16/12/2020 | 07:29

Há cerca de 140 milhões de animais de estimação no país, sendo eles cães, gatos, aves, répteis, peixes e pequenos mamíferos. Porém, 3,9 milhões estão em condição de vulnerabilidade, de acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB). O abandono de animais é considerado crime no Brasil, mas continua ocorrendo. Por isso, o Dezembro Verde é o mês para conscientizar a população sobre o assunto.

Desde 1998, a Associação de Proteção aos Animais de Natal (Aspan) encaminha adoções responsáveis por conta das colaboradoras do local. Em 2018, com uma nova administração, foi criado um abrigo para receber 58 animais oriundos de uma denúncia de maus tratos que ocorreu por anos e os pets não tinham para onde ir. Desde então, há dois cuidadores e uma lotação de 40 a 50 animais, que são examinados, tratados, socializados, castrados e vacinados, para que possam encontrar novas famílias. Mais de 500 cães devem ter passado pela associação. Apenas em 2020, foram encaminhadas 150 adoções.

Segundo dados da Aspan, com a pandemia a demanda dobrou: meses atrás, a associação chegou a ter 110 animais, tendo que contratar mais dois auxiliares para dar conta. Atualmente, a entidade conta com 74 cães no local. “O número aumentou consideravelmente devido à pandemia e à crise econômica, como também à falta de políticas públicas voltadas aos animais e ausência de campanhas de conscientização e combate a assuntos como leishmaniose, vacinação, castração entre outros”, explicou Geórgia Barbalho, integrante da Aspan.

Além da falta de suporte, os abandonos também aumentaram o número de atropelamentos, de cadelas prenhas e da proliferação de zooneses, como a cinomose e leishmaniose. A entidade também aponta que em algumas cidades brasileiras o aumento de animais nas ruas chegou a 60%. Aqui, a Aspan também registrou esse crescimento, por conta dos pedidos recebidos por mensagem. “São desde animais em situação de rua em sofrimento, quanto de pessoas querendo doar seus cães, porque perderam sua renda e não têm mais condições de cuidá-los. Até mesmo de raça. Border Collie, Fila, São Bernardo, Labrador, Pitbull, Shitzu”, afirmou Geórgia.

É importante lembrar que animais domésticos que viveram as vidas dentro de casa podem não sobreviver nas ruas. “Eles não sabem como procurar comida, até porque não há. São cães que dormiam tranquilos em suas casas, nas suas camas quentes e agora têm de sobreviver, buscar por alimento e água, se proteger, se defender, dormir atento ao relento, pegar chuva e sol sem amparo”, finalizou Geórgia.

Francisca e Loulou: conheça a história de adoção cheia de amor, afeto e responsabilidade

Durante 11 anos, 9 meses e 21 dias, a professora Francisca de Oliveira teve uma companhia muito especial: uma cadela da raça Lhasa Apso, chamada Loulou Linda. Ela faleceu em junho deste ano devido a um carcinoma no pulmão e Francisca precisou utilizar os serviços do Vila Pet, primeiro crematório pet do estado. Ela conta que Loulou compartilhou uma amizade singular, além de alegria e um amor incondicional.

Francisca relembra que, quando adotou a Loulou Linda em 2008, foi um momento especial e inesperado. “Uma amiga de trabalho me sugeriu adotar Loulou, porque sua tutora estava de mudança para a Europa e, como não podia levá-la, precisava urgentemente encontrar alguém que gostasse de cachorro e tratasse bem o animal”, narrou Francisca.

Então ela foi conhecer a Loulou que, na época, tinha oito meses de vida. “No dia 22 de setembro de 2008, uma segunda-feira pela manhã, fui saber um pouco sobre sua história. Eu estava apreensiva, porque no prédio que morava havia uma certa restrição em relação aos pets. Mas decidi ouvir o coração e enfrentar o desafio de ter uma companhia de quatro patas”, explicou. Empolgada, ela se dirigiu ao pet shop para comprar o enxoval da sua nova companheira. No dia seguinte, ela avisou à antiga tutora da Loulou que iria buscá-la.

“Voltei para casa com o coração transbordando de alegria. Trouxe ela no colo, como se carregasse um tesouro. Eu troquei a grafia do seu nome Lulu para Loulou, que é um perfume francês (que também se pronuncia Lulu) e acrescentei o Linda, um outro perfume. Mas ela era linda de verdade. Quem via as fotos perguntava se era de verdade ou de pelúcia”, contou.

Francisca diz que adotar um pet é o melhor que poderia ter feito. “Você será ricamente recompensado, com alegria, amor e companheirismo. Melhora nossa saúde física e emocional. Isso o dinheiro não compra”, afirmou. “Ter um pet foi uma experiência singular. Só compreende quem vive a situação. Para mim, ganhar Loulou Linda foi um presente do céu. Sou grata a Deus pelo tempo que ele me permitiu conviver e cuidar dela”, disse.

Francisca ainda aconselha a quem não pode mais cuidar, que não abandone o pet. “Não seja cruel com um ser indefeso que só lhe amou sem pedir nada em troca. Procure doar para alguém que tenha condições de cuidar, zelar pelo bem-estar do animal. Que possa dar um pouco de conforto, principalmente se estiverem idosos ou doentes. As pessoas que tratam bem os animais, sejam seus ou não, são abençoadas porque eles também foram criados por Deus”.

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