O calendário eleitoral está correndo e já começa a acelerar. Primeiro, as definições de candidaturas majoritárias, depois a enfadonha elaboração das nominatas proporcionais, por fim, a campanha: comícios, atos, propaganda eleitoral gratuita, sola de sapato e saliva gastas na busca do convencimento daquele cidadão que quase nunca é chamado para nada, mas que de repente, vira dono da bola.
Como conquistar seu voto, é o grande mistério pós-carnaval. Até a escolha dos vices já se faz em função dos efeitos que podem causar no eleitor ou são escolhidos pela dinheirama que podem jogar na fogueira da disputa. Aquela grana extra, sempre muito além dos limites impostos pela legislação.

Pretendentes estão de olho no que pensa sua excelência, o eleitor. Ao menos a maior parte do eleitorado.
Cada candidato avalia em qual banda do eleitorado tem chances de conquistar votos e cuida de fazer propostas sérias, confiáveis e exequíveis ou parte para macaquear buscando enganar o senhor Zé da Urna…
“Mesmo sendo municipal, a disputa será entre lulismo e bolsonarismo. Carlos Eduardo caminha para não ter lado certo”
Paulinho Freire, do União Brasil, pensou que na base do governo federal, talvez pudesse tornar-se “candidato de Lula”, mas… desde o início tem se comportado com muita “independência”. Ou seja, nem sempre o governo conta com ele. De modo que não se credenciou como tal. Tentou se aproximar de Álvaro Dias, com quem já tinha muitas acochambranças, mas não colou.
Álvaro agora está sendo procurado por Henrique Alves, para apoiar Carlos Eduardo, o favorito das pesquisas, mas não definiu ainda o perfil ideológico do eleitorado que quer atrair. Foi da chapa majoritária liderada pelo PT, mas não se elegeu porque não conseguiu convencer parte da esquerda, devido à mancha herdada de 2018, quando entre Bolsonaro e Haddad, ajudou a derrotar o PT nacional na vã tentativa de derrotar o partido na província. Digitou 17 em 18 e se ferrou em 22, mesmo votando 13.
Paulinho já fez a sua escolha. Descambou para a extrema direita porque sabe que não conquistará votos à esquerda, espaço já ocupado por Natália Bonavides.
Quer votos bolsonaristas, antes que Girão, o aventureiro, como diria Dom João VI, “lance mão”…
Henrique Eduardo já cabritou detonando a oportunista digital de Paulinho no pedido de impeachment de Lula. Jogou Freire no colo da extrema direita e carimbou o PT como extrema esquerda.
Sonha pintar Carlos Eduardo como única opção não radical. Ocorre que no mundo da política, só se estabelece quem é quente ou frio. O morno é vomitado.
Ressabiado com 2018, Carlos foge da mão estendida do fascismo. Mas, como em toda eleição, a de 2024 terá dois lados, o que ganha e o que perde. O quente e o frio.
Mesmo sendo municipal, a disputa será entre lulismo e bolsonarismo. Carlos Eduardo caminha para não ter lado certo.