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Imobiliário
Corretora que mora na Espanha é campeã de vendas em Natal
Com a tecnologia avançando e a burocracia se adaptando aos meios digitais, não é preciso nem morar na cidade para vender imóveis de qualquer lugar do Brasil e até do mundo. Comprador não teve nenhuma dificuldade para fechar o negócio, todo ele desenrolado eletronicamente, da papelada ao cartório e com direito à assinatura digital
Marcelo Hollanda
25/06/2021 | 08:41

A corretora Rita de Cácia Braga Pereira (Creci/RJ 077-339) é de Natal, mas mora na Espanha; o imóvel que ela está vendendo fica em Natal e o dono dele reside em Goiânia.

O comprador é de Natal e não teve nenhuma dificuldade para fechar o negócio, todo ele desenrolado eletronicamente, da papelada ao cartório e com direito à assinatura digital.

“Ela (a corretora) em média vende dois imóveis por mês para a imobiliária vivendo do outro lado do oceano”, diz Ricardo Abreu, que resolveu investir pesado em inteligência artificial desde que a pandemia veio bater em sua porta.

“Já alugávamos muitos imóveis dessa maneira antes do coronavírus, mas agora estamos acelerando também as vendas dessa maneira”, diz o empresário que durante os anos 2010-2012 chegou a manter em seu escritório entre 400 a 600 corretores.

Eram outros tempos. Ricardo vendeu sua empresa à BR Brokers Participações S/A, um grupo de corretores de São Paulo que captou uma bolada de dinheiro numa oferta pública de ações na Bolsa e saiu investindo em imobiliárias pelo país.

Quando o ‘boom’ imobiliário passou e o setor retraiu nacionalmente, Abreu recomprou o negócio fundado pela família dele nos anos de 1980 e reestruturou a empresa para as dimensões do mercado.
Conhecido por investir muito em tecnologia, a partir dos anos 1990, Ricardo precisou esperar 30 anos para que muitas de suas ideias visionárias se materializassem.

“Antes, o processo de compra e venda se arrastava, mesmo com a intenção das partes de comprar e vender um imóvel. Além da papelada, tinha as visitas físicas, o cartório, as idas e vindas, tudo muito demorado”, lembra ele.

Do jeito que a pandemia mexeu com o mercado e a tecnologia avançou, com muitos cartórios se integrando ao processo virtual eletrônico, Ricardo acha que em mais um ano e meio estará fazendo 100% de suas vendas à distância com ajuda das ferramentas de internet.

“Hoje, aqui no escritório, quase todas as locações acontecem assim, enquanto só 30% são vendas, mas em breve acho que vamos empatar esse jogo”, afirma ele.

Uma das consequência disso para as finanças do escritório foi a diminuição brutal de cópias em papel que ele fazia e agora faz por mês. “Caíram de 40 mil para quatro mil”, afirma.

Como se não bastasse ter uma corretora morando na Espanha, Abreu tem outra campeã de vendas à distância. Edinete Maria Fonseca da Silva (Creci/RN 6270) mora a 2.600 km de distância, no Rio de Janeiro, e vende em média um imóvel por mês em Natal, graças à tecnologia.

“A única vulnerabilidade nesse processo é que os bancos ainda não se integraram completamente ao processo e as assinaturas dos contratos ainda são presenciais”, diz.

Se, de um lado, o avanço da tecnologia trouxe grandes economias para a empresa, os investimentos nessa área aumentaram para acompanhar as novas demandas.

“Agora mesmo estamos investindo num software que vai fazer todo o processo de compra e venda com os clientes e imprimir ainda mais agilidade ao processo”, lembra.

Nos anos de 1980, quando assumiu a imobiliária da família e comprou toda a carteira de uma administradora de imóveis cujo dono se retirou dos negócios, Ricardo Abreu sonhava com o dia em que todos os pepinos entre proprietários e locatários seriam resolvidos à distância, sem estresse.
Até tentou desenvolver serviços nos primórdios da internet, mas todos eles não foram adiante pela escassa afinidade das pessoas na época com as ferramentas digitais.

“Ainda hoje, não conseguimos fazer tudo à distância porque muitas pessoas, até pela idade, sentem-se pouco à vontade neste mundo tecnológico”, pontua.

Mas com as agências bancárias reduzindo suas atividades ao essencial e a maioria dos clientes fazendo tudo pelo celular, o empresário acha que a transição para esse novo mundo será mais rápida do que se pensa.

Que o diga o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio Nogueira de França, para quem o Brasil deve seguir modelo de desburocratização e eficiência dos EUA, onde é possível fazer uma transação imobiliária 100% online.

“Um russo poderá vender para um brasileiro, cada um em seu próprio país com documentos assinados por meio de smartphones. O dinheiro será transferido e o negócio fechado de maneira objetiva, incluindo uma vistoria no imóvel para ter certeza de que ele está nas condições de venda em que foi anunciado”, previu ele esta semana ao jornal O Estado de S. Paulo.

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