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Recuperação
Construção civil reage nas capitais do País, menos em Natal, avalia Sinduscon
Para o diretor de mercado imobiliário do Sindicato da Construção no estado, Marcus Aguiar, além dos problemas de base da economia causados pela pandemia, a falta de um Plano Diretor também prejudica a retomada das atividades do segmento na capital potiguar
Marcelo Hollanda
27/10/2020 | 05:22

Enquanto os bancos travam uma batalha para oferecer as melhores taxas de juros para a compra da casa própria e as principais capitais do país reagem, retomando o volume de lançamentos imobiliários anteriores à pandemia, em Natal os empresários do setor ainda esperam por dias melhores.

Segundo o diretor de mercado imobiliário do Sindicato da Construção do Rio Grande do Norte (Sinduscon), Marcus Aguiar, há duas explicações principais para essa situação: a falta de um plano diretor que ofereça segurança jurídica às operações e a dependência da economia local do dinheiro circulantes gerado pelo poder público.

“Acrescente a isto a falta de estoque de imóveis novos, resultado de uma crise do setor que se arrasta há anos, e teremos uma situação dissonante com a de outras regiões do país, onde o mercado imobiliário já iniciou com vigor a retomada”, acrescentou.

Hoje, de acordo com Aguiar, com exceção de casos pontuais, como lançamentos anunciados pela construtora mineira MRV em Natal, o mercado está entregue ao segmento dos avulsos, como são chamados os imóveis usados que, pela falta de parâmetro com os novos, acabam saindo mais caros para o consumidor. E pelo fato, é claro, de serem poucas as ofertas, restringindo as opções dos compradores.

Mesmo antes da pandemia, o Sinduscon media a velocidade de compra os lançamentos por meio de um instrumento criado ainda nos anos de 1970 a pedido do então ministro da Fazenda do governo Ernesto Geisel, o banqueiro Mário Henrique Simonsen.

Natal seria a última capital do país a adotar a metodologia a partir da qual os construtores podem planejar novos empreendimentos.

Mais de três décadas depois, na presidência do engenheiro Arnaldo Gaspar Jr, o Sinduscon-RN lançou finalmente a primeira e uma série de relatórios trimestrais sobre a velocidade de vendas (IVV) de imóveis na região metropolitana.

Até que o estudo, ainda sob o mandato de Gaspar, não foi adiante em função da queda das vendas e da redução dos lançamentos, desinteressando as construtoras em continuar enviando informações para a pesquisa.

Constavam dos relatórios, realizados sempre entre setembro a novembro de cada ano, dados sobre o estoque de imóveis na região, quantidades vendidas no período, e os bairros com maior número de ofertas e vendas.
Além disso, eram divulgados os índices de velocidade de vendas de imóveis residenciais e comerciais pela Consult, instituto contratado pelo Sinduscon para a tarefa.

Queda não ajuda

Desde a semana passada, está em vigor as novas taxas do crédito imobiliário para pessoas físicas anunciadas pela Caixa Econômica Federal com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e indexada pela Taxa Referencial.

A taxa mínima de TR + 6,25% e máxima de TR + 8%, para imóveis residenciais, e mínima de TR + 7,25% e máxima de 8,75%, para imóveis comerciais, com queda de até 0,50 pontos percentual.

Os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem ser utilizados no financiamento de imóveis do Sistema financeiro de Habitação (SFH), avaliados em até R$ 1,5 milhão, desde que o cliente se enquadre nas regras do Fundo.

Antes disso, o Itaú já anunciara uma linha com taxa de 5,39% ao ano, composta de 3,99% ao ano + variação do índice da poupança válida para novas contratações. E antes, em junho, o Santander reduziu suas taxas nas aquisição da casa própria para 6,99%.

Mas para Marcus Aguiar, isso tudo terá uma efeito muito tardio para o potiguar, independentemente da instituição financeira. “Além dos problemas econômicos de base do estado, como uma classe média com renda concentrada no serviço público, a suspensão do plano diretor pela Justiça, acatando pleito do Ministério Público Estadual, embaralhou as coisas”, explicou.

Pela decisão, as propostas de alteração do plano não estavam sendo repassadas de forma clara à população por meio de audiências públicas. O resultado, para Marcus Aguiar, foi o agravamento se uma situação econômica que coloca o Rio Grande do Norte com a quinta maior taxa de desocupação do Brasil e a terceira do Nordeste, segundo o IBGE.

Em setembro, o percentual apurado para na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid19 para o estado foi de 16,8%, praticamente estável em relação ao mês de agosto, quando a taxa chegou a 17%. No ranking nacional essa taxa só não supera os estados da Bahia (19,6%); Maranhão (19,2%); Amazonas (18,2%) e Amapá (17,4%).

O levantamento mostrou, ainda, que 238 mil potiguares buscavam emprego no mês passado e canteiros de obra ativos os teria ajudado a conseguir uma vaga de trabalho.

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