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Vacinação
Compra de insumos para produção de vacinas no Brasil é aprovada, diz Bolsonaro
Presidente anunciou acordo para a importação de 5,4 mil litros de matéria-prima da China
IG
25/01/2021 | 16:58

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou nesta segunda-feira (25) a liberação de 5,4 mil litros de insumos para a produção de vacinas no Brasil. Em uma publicação nas redes sociais, o presidente aparece ao lado do presidente da China, Xi Jinping, e diz que a matéria-prima foi liberada pelo governo do país asiático.

Bolsonaro ainda diz que os insumos devem chegar “nos próximos dias”, sem definir uma data específica para que isso ocorra. Esse material é considerado a “farinha do pão” para que doses da vacina de Oxford e da CoronaVac, do Instituto Butantan, possam ser produzidas nacionalmente.

Na publicação, Bolsonaro ainda agradece aos esforços dos ministros Eduarodo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Tereza Cristina (Agricultura).

A Coronavac é desenvolvida por uma farmacêutica chinesa e no Brasil é produzida pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo.

O imunizante está no centro da chamada “guerra da vacina” entre o governador do estado, João Doria (PSDB), e Bolsonaro. Ao longo do ano passado, o presidente atacou a Coronavac em mais de uma ocasião, disse que ela não transmitia confiança e garantiu que o governo não a compraria.

Mas a pressão de governadores e as críticas de falta de planejamento da campanha brasileira de imunização levaram o Ministério da Saúde a anunciar a compra de 100 milhões de doses da vacina.

Bolsonaro vinha apostando na vacina desenvolvida pela universidade de Oxford em parceria com a empresa AstraZeneca, que no Brasil será produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Após uma tentativa do governo de importar 2 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca ter atrasado, a imunização no país começou em São Paulo, numa ação capitalizada por Doria e sentida como derrota política pelo Palácio do Planalto.

Tanto a Coronavac quanto a Oxford/AstraZeneca estão com seus cronogramas ameaçados por dificuldades de acessar matérias primas fabricadas na China.

Nos últimos dias, Doria e ministros do governo fizeram apelos a autoridades chinesas para que os IFAs (Ingrediente Farmacêutico Ativo) que estavam retidos no país asiático fossem liberados.

O histórico de ofensas à China de aliados do presidente brasileiro —entre eles seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub— foram apontados como obstáculos para a luz verde de Pequim. Além disso, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, tem péssima interlocução com a missão diplomática chinesa em Brasília, outro empecilho para as negociações.

Diante do risco de atraso no cronograma de produção do Butantan, o governo mobilizou ministros que têm boas relações com a China para tentar agilizar os trâmites exigidos por Pequim.

O argumento das autoridades brasileiras é que os problemas para a liberação dos insumos eram técnicos e que não havia qualquer componente político na demora registrada.

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