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Mercado

Com calor intenso no RN, venda de ar-condicionado dispara até 50% e procura só aumenta

Seca no Amazonas, onde aparelhos são montados, está afetando estoque de lojas na Grande Natal
Ramylle Freitas
24/11/2023 | 05:00

Devido à forte onda de calor que está se espalhando por todo o País, a procura por ar-condicionado teve um aumento significativo nas lojas de materiais de construção. Só na Leroy Merlin Natal, foram mais de 1,5 mil equipamentos vendidos desde setembro.

Gerente comercial do setor de elétrica da loja, Alexandre Machado explica que os aparelhos não são fabricados no Brasil, apenas são montados com os insumos comprados pela empresa que irá comercializar o produto. A montagem normalmente é realizada na Zona Franca de Manaus, no Amazonas. Por causa da seca que o estado está vivendo, há riscos de haver atraso no fornecimento de produtos específicos.

Média é de 15 aparelhos de ar-condicionado vendidos por dia só na Leroy Merlin Natal; procura está aumentando - Foto: José Aldenir / Agora RN
Média é de 15 aparelhos de ar-condicionado vendidos por dia só na Leroy Merlin Natal; procura está aumentando - Foto: José Aldenir / Agora RN

“A onda de calor que vem se alastrando pelo Brasil também está afetando o Rio Grande do Norte. Então a gente não teve um aumento de preço do produto. E sim um aumento de disponibilidade. Só que aqui o calor é muito intenso. Aí a gente teve um aumento muito grande de venda de ar-condicionado. A gente vendeu muito, muito mesmo. A gente vendeu, de setembro pra cá, mais de 1.500 peças de ar-condicionado em todos os modelos. A gente tinha, a empresa como um todo, uma disponibilidade muito grande e uma negociação que já havia sido começada”, afirma Alexandre.

Gerente Alexandre Machado, do setor de elétrica - Foto: José Aldenir / Agora RN
Gerente Alexandre Machado, do setor de elétrica – Foto: José Aldenir / Agora RN

“A empresa compra da fábrica. A fábrica compra os insumos todos que vêm da China, monta no Brasil e repassa para nós. Hoje não existe nenhum fabricante de ar-condicionado. Existem montadores de ar-condicionado. Qualquer ar-condicionado que você for comprar, ele foi montado no Brasil, não foi fabricado”, explicou Alexandre.

A seca que está atingindo o Amazonas é uma das mais severas vivida pelo Estado. No último domingo 19, a Defesa Civil da região divulgou no Boletim da Estiagem que, até o momento, 598 mil pessoas foram prejudicadas pela seca. Ainda de acordo com o boletim, Manaus, a capital do Amazonas, se encontra em situação de emergência. Dessa forma, a Zona Franca de Manaus, que é uma área de livre comércio e um dos maiores polos de montagem de condicionadores de ar do Brasil, está sendo afetada devido ao baixo nível do Rio Amazonas, que impede o tráfego de navios no local.

“Bom, a grande maioria é montado na Zona Franca de Manaus. Hoje a gente tem uma dificuldade com o Rio Amazonas, que está com baixo nível de água, então faz mais ou menos um mês e meio, dois meses, que não entra navio de grande calado no Amazonas para abastecer os fabricantes”, relatou o gerente.

Previsão para o verão

Alexandre também menciona o crescimento de 50% nas vendas de ar-condicionado em outubro deste ano em comparação com outubro de 2022. “Em novembro, nesses primeiros 15 dias, nós já estamos com 35% de crescimento em relação ao ano anterior. Se nós tivermos disponibilidade de produtos, isso vai bater 50%, 60% de novo. O problema todo está na disponibilidade de produtos. Nós ainda temos estoque, nós estamos recebendo mercadoria, mas a gente precisa que comece a chegar a produtos novos”, alegou o gerente.

O gestor fala que com os possíveis impactos para a comercialização do produto que as lojas de material de construção podem enfrentar, o estoque regulador da Leroy Merlin aos poucos foi esgotando.

“A gente está, nesse momento, vendendo o nosso estoque. Eram R$ 20 milhões que nós tínhamos de ar-condicionado em agosto deste ano. Hoje esse estoque está reduzindo e, se as fábricas não começarem a produzir, vai ficar sem, por causa da questão da Amazônia. A gente já começou a comprar de outras fábricas, que a gente não estava comprando, compramos agora em torno de 5 mil peças”, disse Alexandre.

Instalação do ar-condicionado

Com as altas temperaturas e a urgência pela instalação dos condicionadores de ar, o prazo para realizar o serviço também pode variar a partir da quantidade de demandas. De acordo com a assistente de serviços da Leroy Merlin, Thalia Corbellimi, o prazo padrão oferecido pela loja para instalar o produto é de até 72h, com exceção de feriados e finais de semana.

“Hoje são quatro equipes e cada equipe contém mais de seis instaladores. Dentro de uma equipe tem os migrantes, porque aí a gente consegue aumentar a nossa demanda. Então hoje se a gente for falar de prazo de instalação, a gente vai ter até 48, 72 horas no máximo. Mas se a gente chegar a um nível de quantidade de vendas, se um dia vende 15 máquinas, outro dia 30, aí é onde entra a parte que a gente não vai conseguir atender com o mesmo prazo”, esclareceu Thalia.

Assistente de serviços Thalia Corbellimi, da Leroy Merlin - Foto: José Aldenir / Agora RN
Assistente de serviços Thalia Corbellimi, da Leroy Merlin – Foto: José Aldenir / Agora RN

Thalia também faz uma ressalva para a instalação do equipamento com empresas que não são autorizadas pelas marcas na qual as equipes da Leroy Merlin são, visto que o cliente corre o risco de perder a garantia em caso de defeito se for instalado incorretamente.

“Nossas equipes são equipes terceirizadas e essas equipes, independente do serviço, prestem serviço para a Leroy Merlin. E a Leroy Merlin toma conta da forma de pagamento e da forma de garantia”, afirmou Corbellimi.

“As nossas equipes também são autorizadas pelas marcas. Hoje é muito mais difícil a gente conseguir equipes como essas. “Ah, porque vocês não aumentam mais a demanda da equipe de vocês?” Devido a quantidade de mão de obra, porque é muito difícil achar uma mão de obra capacitada, certificada com as autorizadas da gente”, complementou.