A China afirmou nesta segunda-feira 27 que apoia os esforços do Brasil para preservar sua soberania e independência, além de se opor a qualquer tipo de “interferência externa”. A declaração ocorreu após uma conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder chinês Xi Jinping.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi teria transmitido diretamente a Lula o apoio de Pequim ao Brasil durante a ligação realizada no domingo 26. O comunicado oficial não citou Estados Unidos ou Argentina, mas ocorre em meio a recentes movimentos dos governos de Donald Trump e Javier Milei envolvendo o cenário político brasileiro.

Durante a conversa, Lula e Xi discutiram o fortalecimento da cooperação bilateral entre os dois países. Entre os temas abordados estiveram inteligência artificial, energia, minerais estratégicos, ampliação da presença de empresas chinesas no Brasil e avanços nas negociações de um acordo entre o Mercosul e a China.
A manifestação chinesa acontece após o governo dos Estados Unidos anunciar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e abrir uma investigação comercial contra o país. A medida foi anunciada por Trump em meio às tensões envolvendo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro episódio recente envolveu a Argentina. O presidente Javier Milei participou, no sábado 25, da convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência. Durante o evento, o argentino fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, após ter um pedido para visitar Jair Bolsonaro negado.
Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas e chamou o representante argentino no país para prestar esclarecimentos ao Itamaraty.
A agenda internacional tem sido utilizada pelo presidente Lula como parte do discurso de defesa da soberania nacional. O governo brasileiro também tem buscado ampliar alianças dentro do Brics e defender mudanças na governança global.