Check-up médico não se resume à realização de exames laboratoriais e deve ser utilizado para prevenir doenças, identificar fatores de risco e acompanhar a saúde de forma contínua. A orientação é da médica Ana Carolina. Segundo a médica, muitas pessoas ainda procuram atendimento apenas quando apresentam sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce de doenças silenciosas, como hipertensão, diabetes e alterações cardiovasculares.
“Quando a gente fala de check-up médico adulto, a gente imagina aquela lista de exames. E vai muito além disso. O check-up médico é importante para identificar fatores de risco e evitar a doença”, afirmou.

Ela explicou que o check-up deve ser individualizado e que um maior número de exames não significa, necessariamente, uma avaliação mais completa. “Todo paciente é um mundo. Um check-up com muitos exames não quer dizer que é um check-up bem feito, porque todos os exames têm seus riscos, inclusive de falsos positivos.”
De acordo com a médica, a consulta clínica é a etapa mais importante do acompanhamento. A avaliação deve considerar o histórico familiar, hábitos de vida, qualidade do sono, prática de atividade física e o contexto em que o paciente vive. Os exames complementares servem para confirmar hipóteses e avaliar o funcionamento do organismo.
Entre os exames mais frequentemente solicitados estão os que avaliam colesterol, glicemia, função renal e função hepática, permitindo estimar o risco cardiovascular e prevenir complicações como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Acompanhamento anual
Para adultos saudáveis, a recomendação é realizar um check-up anual a partir dos 25 anos. Em pacientes com doenças crônicas ou fatores de risco, a periodicidade pode ser reduzida para intervalos de três ou seis meses, conforme avaliação médica.
A especialista destacou ainda que homens e mulheres possuem necessidades diferentes de rastreamento. Nos homens, a investigação para câncer de próstata costuma começar a partir dos 50 anos, utilizando inicialmente o exame de PSA total, mas pode ser antecipada em casos de histórico familiar.
Já para as mulheres, o rastreamento inclui o exame preventivo do câncer do colo do útero, indicado entre 25 e 64 anos, e a mamografia para detecção do câncer de mama, recomendada, em geral, entre 50 e 69 anos. Mulheres com histórico familiar podem iniciar o acompanhamento antes, a partir dos 45 anos.
Ana Carolina alertou que alterações como colesterol elevado, glicemia alta e hipertensão frequentemente não provocam sintomas nas fases iniciais. “Eles só vão dar sintomas quando estão muito alterados. Um colesterol alto e uma glicemia alta aumentam o risco de infarto, AVC e outras doenças crônicas.”
Ela também chamou atenção para a pressão arterial elevada. “Muita gente acha que 14 por 8 é normal, mas é uma pressão alta e precisa ser avaliada.” A médica desmentiu a ideia de que pessoas fisicamente ativas estariam protegidas contra doenças cardiovasculares.
“Todo paciente tem que ter regularidade no controle médico. Quem pratica atividade física intensa também precisa de acompanhamento cardiovascular para reduzir riscos de arritmias e infarto precoce.”
Ela orientou que sintomas persistentes ou diferentes do habitual devem ser investigados imediatamente, sem esperar o próximo check-up. Entre os sinais de alerta estão dor de cabeça persistente, dor que desperta o paciente durante a noite, mal-estar durante esforço físico e suor frio.

Segundo Ana Carolina, cerca de 70% dos pacientes atendidos relatam dor como principal queixa. “A dor geralmente incapacita o paciente nas atividades de vida diária. Por isso, é importante ouvir o paciente e investigar a causa do sintoma.”
Questionada sobre o uso do medicamento Mounjaro, Ana Carolina afirmou que o medicamento é seguro quando utilizado conforme indicação médica e adquirido por canais regulares. “O problema é a forma como essa medicação está sendo adquirida e utilizada, muitas vezes sem prescrição e sem orientação médica.”
Ela alertou para o risco da compra de produtos sem procedência conhecida e reforçou que qualquer tratamento deve ser iniciado apenas após avaliação profissional. Segundo a médica, o medicamento foi desenvolvido inicialmente para pacientes com diabetes e, após estudos clínicos, demonstrou benefícios também para pessoas com obesidade e risco cardiovascular.
Ana Carolina destacou que informações obtidas na internet ou por ferramentas de inteligência artificial não substituem a avaliação médica individualizada. “O paciente chega dizendo: ‘Eu vi no ChatGPT, eu vi na internet’. Mas é preciso avaliar todo o contexto. Muitas vezes a pessoa menospreza um sintoma que pode ser a porta de entrada de alguma doença.”
Ela também alertou para os riscos da automedicação baseada na experiência de familiares ou vizinhos. “Cada paciente tem que ser investigado de acordo com suas necessidades. É por isso que entra a importância do check-up médico.”