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Sonho
Casa própria ainda é aspiração da classe média, dizem especialistas
No pós-pandemia do coronavírus, quem acompanha de perto o mercado imobiliário em Natal acredita que a baixa rentabilidade das aplicações financeiras, por conta da queda da taxa de juros, vai beneficiar primeiro quem tem mais dinheiro até chegar às camadas mais populares
Redação
10/09/2020 | 05:31

Como será o mercado imobiliário de Natal no pós-pandemia do novo coronavírus tem sido um exercício de paciência e imaginação para muita gente disposta a investir em imóveis diante da queda das taxas de juros.

Sem a divulgação dos resultados da Conferência Final do Plano Diretor da Capital, suspensa recentemente pela 6ª Vara da Fazenda Pública de Natal ao acatar pedido do Ministério Público Estadual, essa questão ficou ainda mais complicada.

O MP apontou falhas na segurança do processo de votação virtual e uma nova reunião para avaliar essa situação foi marcada para o próximo dia 14, segunda-feira.

“No momento, não há como fazer qualquer previsão de quando esse processo será, até que a justiça se pronuncie sobre a ação impetrada pelo Ministério Público”, afirmou nesta quarta-feira,9, o empresário Francisco Ramos, ex-diretor de mercado imobiliário do Sinduscon RN, que acompanha no detalhe todo o processo.

Segundo ele, isso atrapalha a previsão de uma retomada dos negócios de compra e venda de imóveis e lançamentos futuros ainda para este ano. “ A conclusão do processo do plano diretor era esperada para ocorrer ainda no primeiro trimestre, e agora não sabemos quando isso ocorrerá”, resume.

No entanto, ele afirma que as vendas dos estoques de imóveis estão intensas, sobretudo pela redução das taxas de juros de financiamento imobiliário e pela queda da rentabilidade das aplicações financeiras provocadas pela redução, ao mínimo histórico, da taxa Selic.

Mas reconhece que ainda persistem muitas dúvidas sobre uma retomada da economia como um todo. “Ainda não podemos vislumbrar um horizonte onde teremos a volta plena das atividades econômicas e isso termina atrapalhando o planejamento dos futuros lançamentos”, analisa.

Sobre o atual perfil potencial de compradores de imóveis em tempos de pandemia do novo coronavírus, Francisco Ramos afirma que eles têm um perfil diversificado. “Teremos que observar melhor as novas demandas que surgirão no pós-pandemia para aplicar mudanças nos futuros empreendimentos, considerando a nova demanda provocada pelo afastamento social, onde novas necessidades do consumidor devem ser observadas”, afirma.

Mas ele arrisca alguns palpites. “O que se comenta é que os imóveis, quando possível, devem prever uma área onde o morador possa desempenhar sua função profissional sem ter que sair de casa. Mas isso tem que ser observado com mais cuidado após sairmos dessa pandemia, já que o que é uma necessidade agora, pode ser que não venha a se tornar uma regra”.

Sobre a revitalização de áreas como a Praia do Meio muito debatida durante o processo de discussão do Plano Diretor de Natal, o empresário diz que “tudo vai depender de como serão aprovadas as diversas propostas colocadas pelos segmentos da sociedade que participaram da revisão do Plano Diretor”.

E acrescenta: “Caso as regras sejam incentivadoras, essas revitalizações deverão ocorrer, caso contrário, deverão permanecer da mesma forma como está”.

Para o diretor de Política Ambiental do Sindicato da Construção no RN, Hugo Frederico Farias de Medeiros, no entanto, uma coisa é certa: enquanto o governo não acertar uma política pública de moradia popular ao estilo do “Minha Casa, Minha Vida”, a demanda será ditada pela classe média e alta, conservadora do ponto de vista de investimento e insatisfeita com a baixa rentabilidade de suas aplicações fixas.

Segundo ele, a grande massa da população brasileira, que poderia estar engrossando esse mercado e onde há uma grande demanda reprimida, foi justamente a que mais sentiu os efeitos econômicos da pandemia.  “É uma camada mais vulnerável à perda de emprego e que realmente foi alijada dessa corrida, quando existem boas ofertas no mercado imobiliário”.

Mesmo assim, Hugo Farias acredita que, num segundo momento, dadas as condições de redução da taxa de juros, o grande público será incluído num programa habitacional mais ambicioso e responderá prontamente a este chamado.

Para ele, outra tendência importante dos atuais e futuros lançamentos imobiliário é a incorporação do home office. “Alguns lançamentos em Natal este ano já trouxeram essa novidade produzida por uma questão de saúde da população, mas que muito provavelmente vá continuar a partir de uma nova cultura por parte de muitas empresas”, acrescenta.

Sobre futuros empreendimentos imobiliários na Praia do Meio, Hugo joga a toalha. Ele não acredita em investimentos relevantes por parte de mercado para aquela área, para qual existe, segundo ele, uma “forte pressão” por parte de movimentos populares e da Universidade para que tudo continue igual. Além disso, completa, não há grandes investimentos previsto para a região, pelo menos por enquanto.

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