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Entrevista
Carlos Alberto: Álvaro faz gestão “arbitrária”
Pré-candidato do PV à Prefeitura do Natal criticou atual gestão municipal pela condução na crise e afirmou que prefeito Álvaro Dias buscou se aproveitar da pandemia para contratar empresas de familiares
Redação
04/07/2020 | 05:00

Para o professor universitário Carlos Alberto Medeiros, a prioridade neste momento em que a pandemia do novo coronavírus ainda não está controlada no País deve ser a assistência aos pacientes com Covid-19. A retomada das atividades econômicas, na avaliação dele, deve acontecer de forma gradual, à medida que houver disponibilidade de leitos de internação para quem ficar doente.

Às empresas, que amargam prejuízos por causa do fechamento do setor produtivo, o especialista em administração recomenda que este é o momento de renegociar contratos e dívidas com credores e avaliar os novos hábitos dos consumidores para se adaptar ao cenário pós-pandemia que se avizinha.

Nesta entrevista ao Agora RN, Carlos Alberto – que é pré-candidato a prefeito de Natal pelo PV – também analisa o desempenho da gestão pública no combate à pandemia do coronavírus e tece críticas especialmente ao atual prefeito, Álvaro Dias, que governadora, segundo Carlos Alberto, de forma “arbitrária”.

Acompanhe a entrevista:

AGORA RN – O setor produtivo amarga forte prejuízo por causa do isolamento social. Na sua opinião, como conciliar os interesses econômicos e a política de saúde para preservar vidas?

CARLOS ALBERTO MEDEIROS – O mais importante neste momento é a garantia de que haverá vagas para atender as pessoas que adoecerem. As atividades econômicas devem ser reabertas gradativamente à medida em que sobrem vagas nos hospitais, mostrando que a epidemia está controlada.

AGORA RN – O senhor tem doutorado em Administração de Empresas. Como especialista, que conselho daria para os empreendedores que estão praticamente sem faturamento neste momento?

CAM – Procure renegociar todos os contratos, porque a retomada da atividade econômica será lenta. Também é necessário renegociar com seus credores. É muito importante envolver todos os funcionários e mostrar a situação real da empresa. Procurar os financiamentos governamentais, a exemplo dos oferecidos pelo Banco do Nordeste, para aguardar a retomada. Importante também reavaliar os novos hábitos dos consumidores pós-pandemia e lançar novos produtos e serviços.

AGORA RN – Na sua avaliação, como será a rotina das empresas no pós-pandemia? Acredita que transformações trazidas pelo coronavírus, como adesão em massa ao home office, serão permanentes?

CAM – Muitos custos serão reduzidos para se adequar à redução da atividade econômica e às mudanças nos hábitos durante a pandemia. Reuniões virtuais e trabalho em casa viraram realidade e com certeza ficarão.

AGORA RN – Como o senhor avalia a condução da crise do coronavírus pela Prefeitura do Natal?

CAM – O atraso na abertura do hospital de campanha foi um risco enorme para os natalenses. Por pouco não entramos em colapso. Além disso, a contratação do pessoal do hospital de campanha por uma empresa terceirizada pertencente a familiares do prefeito Álvaro Dias era um absurdo. Se aproveitar da pandemia para agir dessa forma foi um comportamento desprezível. Ainda bem que a Justiça agiu a tempo e impediu isso.

AGORA RN – Qual a sua avaliação sobre o desempenho do Governo do Estado no enfrentamento à pandemia?

CAM – O Governo do Estado foi lento para iniciar as ações. A pandemia dava todos os sinais de que precisávamos de leitos de UTI com urgência. Mesmo assim, a implantação não foi rápida. Estamos com a capacidade máxima atingida, principalmente leitos críticos de UTI, que vêm faltando continuamente.

AGORA RN – E em relação ao Governo Federal?

CAM – O presidente Jair Bolsonaro teve uma grande oportunidade de mostrar capacidade. Infelizmente, não teve equilíbrio e serenidade para analisar o problema corretamente. Inicialmente, minimizou a pandemia, dizendo que era uma gripezinha. Depois, se agarrou na cloroquina, que tem se mostrado ineficaz para conter as mortes, que continuam a crescer.

AGORA RN – O senhor já foi filiado ao PT, disputou a última eleição pelo PSOL e agora se coloca como pré-candidato a prefeito de Natal pelo PV. Como explicar essas mudanças ao eleitor?

CAM – Isso é natural na política. Sempre tive uma postura pautada pela ética e procuro os melhores caminhos. Acredito que Natal merece um programa que leve ao desenvolvimento sustentável.

AGORA RN – Qual a sua opinião a respeito do adiamento das eleições municipais? Ajuda ou atrapalha?

CAM – Sou totalmente a favor do adiamento das eleições municipais. O mais importante agora é as pessoas cuidarem de sua saúde e de seus familiares.

AGORA RN – Mesmo com a pandemia, a Prefeitura do Natal tenta manter o cronograma original da revisão do Plano Diretor. Qual a sua opinião a respeito do processo?

CAM – A manutenção do cronograma da revisão do Plano Diretor é arbitrária, mostrando bem o estilo de governar de Álvaro Dias. No processo de condução, a Prefeitura solicitou contribuições para as pessoas, recebeu centenas delas e não as apresentou para discussão. Elaborou uma minuta internamente sem a participação da sociedade e vai impor à Câmara Municipal que a aprove sem discussões.

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