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Saúde

Cáries em crianças podem indicar risco maior de infarto

Crianças com muitas cáries ou gengivite apresentaram mais registros de AVC no futuro
O Correio de Hoje
05/03/2026 | 15:33

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Copenhague indica que problemas dentários na infância podem estar associados a maior incidência de doenças cardiovasculares na vida adulta. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, crianças com muitas cáries ou com gengivite grave apresentaram, anos depois, mais registros de acidente vascular cerebral (AVC), infarto e doença arterial coronariana.

A pesquisa analisou dados do Registro Nacional de Odontologia Infantil (SCOR) de pessoas nascidas entre 1963 e 1972 que tinham pelo menos dois registros odontológicos na infância. Ao todo, foram avaliados 568.778 indivíduos. Esses dados foram cruzados com o Registro Nacional de Pacientes da Dinamarca, que reúne informações sobre doenças cardiovasculares entre 1995 e 2018, quando os participantes tinham entre 30 e 56 anos.

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Cáries em crianças podem indicar risco maior de infarto - Foto: Freepik

Os pesquisadores ajustaram a análise levando em conta fatores como escolaridade e diagnóstico de diabetes tipo 2, considerado um fator de risco para doenças cardiovasculares. Mesmo após esses ajustes, a associação entre problemas dentários na infância e maior incidência de doenças do coração permaneceu evidente.

De acordo com o estudo, crianças com grande número de cáries tiveram até 45% mais registros de doenças cardiovasculares na vida adulta, em comparação com aquelas com poucas lesões dentárias. Já entre quem apresentou gengivite grave, a incidência foi até 41% maior. Embora os percentuais variem entre homens e mulheres, a tendência observada foi semelhante nos dois grupos. Também foi identificado que o risco aumenta à medida que os problemas bucais se tornam mais intensos durante a infância.

Os autores ressaltam que o trabalho aponta uma associação estatística, mas não comprova que doenças dentárias causem diretamente problemas cardiovasculares. Uma das hipóteses consideradas envolve processos inflamatórios. Segundo a pesquisadora Nikoline Nygaard, a exposição precoce a inflamações provocadas por cáries e doenças gengivais pode influenciar a forma como o organismo reage a processos inflamatórios ao longo da vida.

A relação entre saúde bucal e doenças sistêmicas já aparece em outros estudos. Um relatório da Federação Mundial do Coração aponta evidências de que a periodontite está associada ao aumento do risco cardiovascular, possivelmente porque bactérias da doença gengival podem desencadear inflamação em outras partes do corpo e contribuir para a progressão da aterosclerose.

Em outra análise conduzida pela mesma equipe, também foi observada ligação entre saúde bucal na infância e diabetes tipo 2. Crianças com gengivite grave apresentaram até 87% mais casos da doença na vida adulta, enquanto aquelas com múltiplas cáries tiveram incidência 19% maior.

Os pesquisadores destacam ainda que hábitos de vida podem influenciar esses resultados. Mesmo assim, após o ajuste para nível educacional — geralmente associado a melhores condições de saúde e estilo de vida — a incidência de doenças cardiovasculares permaneceu elevada entre quem teve problemas dentários mais graves.

Apesar de não estabelecer causa direta, o estudo sugere que a saúde bucal pode funcionar como um indicador de risco para doenças futuras. Para os autores, identificar esses sinais precocemente pode ajudar a direcionar ações de prevenção e acompanhamento ao longo da vida.